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25/01/2023

Ucrânia: os generais da OTAN começam a recuar

Surge uma dissonância na aliança militar liderada pelos EUA. Os políticos insuflam a guerra sem fim; mas chefes militares temem que escalada os coloque diante do apocalipse nuclear – e podem aceitar a paz que a Rússia propôs um ano atrás

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GEOPOLÍTICA & GUERRA

Por Medea Benjamin e Nicolas J. S. Davies

Por Medea Benjamin e Nicolas J. S. Davies no Other News | Tradução: Maurício Ayer

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, conhecido por seu firme apoio à Ucrânia, revelou recentemente seu maior medo para este inverno a um entrevistador de TV em sua terra natal, a Noruega: que os combates na Ucrânia possam sair do controle e se tornar uma guerra de grandes proporções entre a OTAN e a Rússia. “Se as coisas derem errado”, ele advertiu solenemente, “podem dar terrivelmente errado”.

Esta declaração foi um raro reconhecimento público de alguém tão envolvido na guerra, e reflete a dicotomia cada vez mais presente nas declarações recentes de líderes políticos dos EUA e da OTAN, de um lado, e de oficiais militares, do outro. Os líderes civis ainda parecem comprometidos em travar na Ucrânia uma guerra longa e sem fim definido, enquanto líderes militares, como o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Mark Milley, se manifestaram e instaram a Ucrânia a “aproveitar o momento” para as conversas de paz.

O almirante aposentado Michael Mullen, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto, falou primeiro, talvez testando as águas para Milley, dizendo à ABC News que os Estados Unidos deveriam “fazer tudo o que puderem para tentar chegar à mesa de negociações e resolver isso.”

O Asia Times informou que outros líderes militares da OTAN compartilham a opinião de Milley de que nem a Rússia nem a Ucrânia podem alcançar uma vitória militar definitiva, enquanto as avaliações militares francesas e alemãs concluem que a melhor posição de negociação que a Ucrânia conquistou com os seus recentes êxitos militares terá vida curta se o conselho de Milley não for ouvido.

Mas por que os líderes militares dos EUA e da OTAN estão se pronunciando com tamanha urgência por rejeitar a perpetuação de seu próprio papel central na guerra na Ucrânia? E por que eles veem um perigo tão grande e iminente caso seus chefes políticos perderem a oportunidade ou ignorarem suas sinalizações para uma reconversão à diplomacia?

Um estudo da Rand Corporation encomendado pelo Pentágono e publicado em dezembro, intitulado “Respodendo a um ataque russo à OTAN durante a Guerra da Ucrânia”, fornece pistas sobre o que Milley e seus colegas militares estão achando tão alarmante. O estudo examina as opções dos EUA para responder a quatro cenários em que a Rússia ataca uma série de alvos da OTAN, desde um satélite de inteligência dos EUA ou um depósito de armas da OTAN na Polônia até ataques de mísseis em larga escala a bases aéreas e portos da OTAN, incluindo a Base Aérea de Ramstein nos EUA e o porto de Rotterdam.

Esses quatro cenários são todos hipotéticos e baseados em uma escalada russa além das fronteiras da Ucrânia. Mas a análise dos autores revela quão tênue e precária é a linha entre respostas militares limitadas e proporcionais à escalada russa e uma espiral de escalada que pode sair do controle e levar a uma guerra nuclear.

A frase final da conclusão do estudo diz: “O potencial de uso de armas nucleares acrescenta peso ao objetivo dos EUA de evitar uma nova escalada, um objetivo que poderá parecer cada vez mais crítico após um limitado ataque convencional russo”. No entanto, outras partes do estudo argumentam contra a desescalada ou respostas desproporcionais às escaladas russas, com base nas mesmas preocupações com a “credibilidade” dos EUA que levaram a devastadoras – e em última instância inúteis – rodadas de escalada no Vietnã, Iraque, Afeganistão e em outras guerras perdidas.

Os líderes políticos dos EUA sempre temem que, se não derem respostas fortes o suficiente às ações inimigas, seus inimigos (agora incluindo a China) concluirão que seus movimentos militares podem impactar decisivamente a política dos EUA e forçar o país e seus aliados a recuar. Mas as escaladas motivadas por tais medos levaram consistentemente apenas a derrotas estadunidenses ainda mais decisivas e humilhantes.

Na Ucrânia, as preocupações dos EUA a respeito de sua “credibilidade” são agravadas pela necessidade de demonstrar a seus aliados que o Artigo 5 da OTAN – que diz que um ataque a um membro da OTAN será considerado um ataque a todos – significa efetivamente um compromisso intransigente de defendê-los.

Portanto, a política dos EUA na Ucrânia está emparedada entre a necessidade de manter sua reputação intimidando seus inimigos e apoiando seus aliados, por um lado, e os impensáveis ??perigos reais de uma escalada, por outro. Se os líderes dos EUA continuarem a agir como no passado, favorecendo a escalada em detrimento da perda de “credibilidade”, estarão flertando com a guerra nuclear, e o perigo só aumentará a cada volta na espiral da escalada.

À medida que começa a cair a ficha de que não há uma “solução militar” para os guerreiros de poltrona em Washington e nas capitais da OTAN, discretamente eles introduzem posições mais conciliatórias em suas declarações públicas. Notavelmente, estão substituindo sua insistência anterior de que se deva restaurar à Ucrânia suas fronteiras anteriores a 2014, o que significa um retorno de todos os territórios do Donbas e da Crimeia, por um apelo para que a Rússia se retire apenas a posições anteriores a 24 de fevereiro de 2022, algo com o que a Rússia já havia concordado em negociações na Turquia em março.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse a The Wall Street Journal em 5 de dezembro que o objetivo da guerra agora é “recuperar o território que foi tomado da [Ucrânia] desde 24 de fevereiro”. O WSJ relatou que “Dois diplomatas europeus… disseram que [o Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake] Sullivan recomendou à equipe de Zelensky que começasse a pensar demandas e prioridades realistas para as negociações, inclusive reconsiderando seu objetivo declarado de recuperar a Crimeia, que foi anexada [pela Rússia] em 2014”.

Em outro artigo, The Wall Street Journal citou autoridades alemãs dizendo: “eles acreditam que é irreal esperar que as tropas russas sejam totalmente expulsas de todos os territórios ocupados”, enquanto as autoridades britânicas definiram como base mínima para negociações que a Rússia “se retire para as posições que ocupava em 23 de fevereiro”.

Uma das primeiras ações de Rishi Sunak como primeiro-ministro do Reino Unido no final de outubro foi fazer com que o ministro da Defesa, Ben Wallace, ligasse para o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, pela primeira vez desde a invasão russa em fevereiro. Wallace disse a Shoigu que o Reino Unido queria desescalar o conflito, uma mudança significativa em relação às políticas dos ex-primeiros-ministros Boris Johnson e Liz Truss.

Um grande obstáculo que impede os diplomatas ocidentais de negociar a paz é a retórica maximalista e as posições de negociação do presidente Zelensky e do governo ucraniano, que insistem desde abril que não se contentarão com nada menos que a soberania total sobre cada centímetro do território que a Ucrânia possuía antes de 2014.

Mas essa posição maximalista foi em si uma reversão notável da posição que a Ucrânia assumiu nas negociações de cessar-fogo na Turquia em março, quando concordou em desistir de sua ambição de ingressar na OTAN e não sediar bases militares estrangeiras em troca de uma retirada russa de seu território às posições pré-invasão. Nessas negociações, a Ucrânia concordou em negociar o futuro de Donbas e adiar uma decisão final sobre o futuro da Crimeia por até 15 anos.

O Financial Times vazou a história desse plano de paz de 15 pontos em 16 de março, e Zelensky explicou o “acordo de neutralidade” a seu povo em uma transmissão nacional de TV em 27 de março, prometendo submetê-lo a um referendo nacional antes que pudesse entrar em vigor.

Mas então o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, interveio em 9 de abril para anular esse acordo. Ele disse a Zelensky que o Reino Unido e o “coletivo do Ocidente” estavam “metidos nisso a longo prazo” e apoiariam a Ucrânia para travar uma guerra de longa duração, mas não assinariam nenhum acordo feito pela Ucrânia com a Rússia.

Isso ajuda a explicar por que Zelensky agora está tão ofendido com as sugestões ocidentais de que deveria retornar à mesa de negociações. Desde então, Johnson entrou em desgraça e renunciou, mas deixou Zelensky e o povo da Ucrânia esperando por suas promessas.

Em abril, Johnson afirmou estar falando pelo “coletivo do Ocidente”, mas apenas os Estados Unidos assumiram publicamente uma posição semelhante, enquanto França, Alemanha e Itália pediram novas negociações de cessar-fogo em maio. Agora, até Johnson deu meia-volta, e escreveu em um artigo de opinião para The Wall Street Journal em 9 de dezembro que “as forças russas devem ser empurradas de volta para o limite de fato de 24 de fevereiro”.

Johnson e Biden transformaram em confusão a política ocidental para a Ucrânia, fixando-se politicamente em uma política de guerra incondicional e sem fim que os conselheiros militares da OTAN rejeitam pelas razões mais sólidas: para evitar a Terceira Guerra Mundial que significaria o fim do mundo e que o próprio Biden prometeu evitar.

Os líderes dos EUA e da OTAN estão finalmente dando passos de bebê em direção às negociações, mas a questão crítica que o mundo enfrenta em 2023 é se as partes em conflito chegarão à mesa de negociações antes que a espiral de escalada fique catastroficamente fora de controle.

MEDEA BENJAMIN E NICOLAS J. S. DAVIES

Medea Benjamin é cofundadora da CODEPINK for Peace e autora de vários livros, incluindo Kingdom of the Unjust: Behind the US-Saudi Connection.

Nicolas J. S. Davies é redator do Consortium News, pesquisador do CODEPINK e autor de Blood On Our Hands: the American Invasion and Destruction of Iraq.

Fonte: OUTRAS PALAVRAS
 
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