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22/11/2022

O Brasil emparedado pela reprimarização

Sudeste perde participação relativa no PIB e Centro-Oeste e Norte emergem como novo centro dinâmico. Crescimento baseia-se no agronegócio exportador, com complexidade pífia – e deixa país vulnerável às demandas e decisões externas

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CRISE BRASILEIRA

Por Marcio Pochmann

Dados recentes divulgados pelo IBGE sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao ano de 2020 apontam a existência de novo centro de dinamismo econômico no Brasil. Diante da queda do PIB nacional em 3,3%, 24 das 27 unidades federativas do país registraram declínio no nível de atividade econômica, sendo maior nos estados do Rio Grande do Sul (-7,2%), Ceará (-5,7%), Rio Grande do Norte (-5,0%), Espírito Santo (-4,4%), Rondônia (-4,4%), Bahia (-4,4%), Alagoas (-4,2%), Acre (-4,2%), Pernambuco (-4.1%%), Paraíba (-4,0%), Piauí (-3,5%) e São Paulo (-3,5%). Os estados que não tiveram queda no PIB foram: Mato Grosso do Sul (0,2%), Roraima (0,1%) e Mato Grosso (0%).

Em todas as grandes regiões geográficas houve diminuição no nível de atividade econômica. Enquanto o Centro-Oeste (-1,3%) e o Norte (-1,6%) sofreram menos, as regiões Sul (-4,2%), Nordeste (-4,1%) e Sudeste (-3,3%) acusaram maiores prejuízos.

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Desde 2021, o Norte e Centro-Oeste apresentam recuperação econômica mais forte do que outras regiões geográficas do país. Com isso, o Sudeste segue perdendo participação relativa na composição nacional do PIB simultaneamente ao aumento das regiões Centro-Oeste e Norte.

Sinal de que o já longo processo de financeirização da economia brasileira corroeu demasiadamente o outrora sistema produtivo complexo, diversificado e integrado ancorado nas regiões litorâneas da nação. Em seu lugar ascenderam áreas geográficas pertencentes ao interior do país crescentemente assentadas na reespecialização produtiva voltada à primarização da pauta de exportação. Em síntese, houve um deslocamento regional do centro econômico dinâmico do Leste para o Oeste do território nacional.

Se considerarmos o período mais longo no tempo, a percepção acerca da formação de novo centro econômico dinâmico torna-se ainda mais evidente. Tudo isso teria começado a partir da solução interna encontrada para enfrentar a crise da dívida externa gerada pelo ajuste hegemônico da economia dos Estados Unidos que terminou por abalar profundamente o governo Figueiredo (1979-1985), colocando fim à ditadura civil-militar (1964-1985).

Naquela época, o resgate do lema governamental de “exportar é o que importa” serviu para criar o excedente em reservas externas para iniciar o pagamento da dívida – em grande parte privada e que foi estatizada – com os credores estrangeiros. Em sequência, as forças políticas do passado, herdeiras do liberalismo econômico, reorganizaram-se para reestabelecer a tradicional “vocação agrícola”, porém em novas bases.

O rejuvenescimento de teses econômicas antigas como as associadas às vantagens comparativas, protagonizadas pelo professor Eugênio Gudin, ganhou força, cada vez mais embalado pelo invólucro da financeirização da riqueza proveniente da aplicação do receituário neoliberal desde 1990. Além disso, um conjunto de esforços por parte das políticas públicas se mostrou fundamental para que o agronegócio e mineração passassem a liderar a especialização produtiva e a reprimarização da pauta de exportação.

Exemplos disso não faltam. Destacam-se o papel estratégico da Embrapa e o desenvolvimento das ciências rurais, assim como a assistência técnica, a política agrícola, entre outros.

Mesmo com o sucesso da retomada do modelo primário-exportador nas últimas décadas, o saldo econômico nacional não foi diferente da estagnação na renda por habitante. Mas quando se analisa o território nacional pelas lentes das grandes regiões geográficas, dos estados e dos municípios percebe-se que a situação geral do país termina por ocultar realidades regionais bem distintas.

Fruto da financeirização econômica, as áreas litorâneas, onde se concentra a maior parte da população e se encontra o esqueleto da antiga economia industrial, revelam, salvo exceções, a estagnação da renda per capita, a pauperização das condições de vida e o crescente estoque de força de trabalho sobrante. Por outro lado, a parte geográfica do Brasil com algum dinamismo localiza-se no oeste do território nacional, ocupando desde o interior do estado de São Paulo, passando pela região Centro-Oeste até atingir parcela do Norte do país.

Neste conjunto da geografia brasileira, as atividades econômicas relacionadas à agropecuária e mineração mais voltadas à exportação concentram o maior dinamismo econômico, embora dependente da demanda externa e das decisões tomadas fora do país. O recente conflito Rússia-Ucrânia expressou parte dos riscos e vulnerabilidades decorrentes da inversão da centralidade econômica mediante a baixa articulação, integração e complexidade com o que ainda resta do sistema produtivo nacional.

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TAGS

AGRONEGÓCIO, CENTRO ECONÔMICO DINÂMICO, DEMANDAS EXTERNAS, DITADURA MILITAR, EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS, FINANCEIRIZAÇÃO, GUERRA NA UCRÂNICA, MARCIO POCHMANN, MINERAÇÃO, NORTE, REPRIMARIZAÇÃO

MARCIO POCHMANN

Economista, pesquisador e político brasileiro. Professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi presidente da Fundação Perseu Abramo de 2012 a 2020, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, entre 2007 e 2012, e secretário municipal de São Paulo de 2001 a 2004. Concorreu duas vezes a prefeitura de Campinas-SP (2012 e 2016). Publicou dezenas de livros sobre Economia, sendo agraciado três vezes com o Prêmio Jabuti.

 
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