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10/08/2022

Viagem ao mundo opaco do petrocapitalismo

Em 50 anos, petroleiras lucraram US$ 3 bi por dia, sendo 86% fruto de especulação. Por isso, compram governos e legisladores, impõem seus interesses e sabotam ações contra a catástrofe climática. Não há futuro sem desmantelar esse esquema

OUTRASPALAVRAS

CRISE CIVILIZATÓRIA

Por Damian Carrington

Por Damian Carrington para The Guardian | Tradução: Maurício Ayer

A indústria de petróleo e gás entregou US$ 2,8 bilhões (£ 2,3 bilhões) por dia em lucro puro nos últimos 50 anos, revelou análise recém-divulgada.

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O vasto total capturado por petro-Estados e empresas de combustíveis fósseis desde 1970 é de US$ 52 trilhões, o que lhes proporcionou o poder de “comprar todos os políticos, todos os sistemas” e atrasar a ação frente a crise climática, diz o professor Aviel Verbruggen, autor do estudo. Os enormes lucros foram inflados por cartéis de países que restringiam artificialmente a oferta.

A análise, baseada em dados do Banco Mundial, avalia a “renda” – termo econômico para o lucro indevido que se produz após a dedução do custo total de produção – garantido pelas vendas globais de petróleo e gás.

O estudo ainda não foi publicado em uma revista acadêmica, mas três especialistas da University College London, da London School of Economics e do think tank Carbon Tracker confirmaram a precisão da análise, e um deles chamou o valor total revelado de “número espantoso”. Parece ser a primeira avaliação de longo prazo dos lucros totais do setor, que constatou que a renda do petróleo representa 86% do total.

O setor de óleo e gás entregou a média anual de US$1 trilhão em lucros

Lucros em US$ trilhões ajustado para preços de 2020

As emissões de gases pela queima de combustíveis fósseis impulsionaram a crise climática e contribuíram para piorar o clima extremo, inclusive as atuais ondas de calor que atingem o Reino Unido e muitos outros países do hemisfério norte. As empresas petrolíferas sabem há décadas que as emissões de carbono estavam aquecendo perigosamente o planeta.

“Fiquei realmente surpreso com números tão altos – eles são enormes”, disse Verbruggen, economista de energia e meio ambiente da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, e ex-autor principal do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“É uma quantia enorme de dinheiro”, disse ele. “Você pode comprar todos os políticos, todos os sistemas com esse dinheiro, e acho que isso aconteceu. Protege [os produtores] de interferências políticas que podem limitar suas atividades.”

As rendas capturadas pela exploração dos recursos naturais não são merecidas, disse Verbruggen: “É lucro real, puro. Eles capturaram 1% de toda a riqueza do mundo sem fazer nada por isso”. A média de lucro anual de 1970-2020 foi de US$ 1 trilhão, mas ele diz que sua expectativa é de encontrar um valor duas vezes maior em 2022.

A captura de lucros está atrasando a ação do mundo em relação à emergência climática, diz ele: “Está realmente tirando dinheiro das alternativas. Em todos os países, as pessoas têm tanta dificuldade para pagar as contas de gás e eletricidade e o gasto com gasolina, tanto que não sobra dinheiro para investir em energias renováveis”.

Parte dessa “renda” vai para os governos na forma de royalties, afirma o professor Paul Ekins, da University College London: “Mas o fato é que, nos últimos 50 anos, as empresas ganharam muito dinheiro produzindo combustíveis fósseis, cuja queima é a principal causa das mudanças climáticas. Isso já está causando miséria incalculável em todo o mundo e é uma grande ameaça para o futuro da civilização humana”.

“O mínimo dos mínimos seria que essas empresas investissem na mudança para energia de baixo carbono uma parcela muito maior de seus lucros do que atualmente. Enquanto não o fizerem, suas alegações de fazer parte da transição energética de baixo carbono estão entre os mais flagrantes exemplos de greenwashing.”

Mark Campanale, da Carbon Tracker, disse: “Não apenas a escala dessas rendas é de fazer chorar, como também é importante notar que, em meio a uma crise de custo de vida causada por preços recordes de petróleo e gás, esse fluxo de dinheiro direcionado para um número relativamente pequeno de petro-Estados e empresas de energia deve dobrar este ano. Mudar para um sistema de energia neutro em carbono baseado em energias renováveis ??é a única maneira de acabar com essa loucura.”

The Guardian revelou em maio que as maiores empresas de combustíveis fósseis estão planejando dezenas de projetos de petróleo e gás que são verdadeiras “bombas de carbono” e levariam o clima a ultrapassar os limites de temperatura acordados internacionalmente com impactos globais catastróficos. A indústria de combustíveis fósseis também se beneficia de subsídios de US$ 16 bilhões por dia, segundo o Fundo Monetário Internacional.

A análise de Verbruggen usou os dados do Banco Mundial sobre a renda do petróleo e a renda de gás, que o banco compila país por país e é expresso como porcentagem do PIB global. Ele então multiplicou pelos dados do PIB global do Banco Mundial ajustados pela inflação para padronizar todos os números em dólares americanos de 2020.

Verbruggen disse que os países ricos em petróleo, como a Rússia e os do cartel da Opep, incluindo a Arábia Saudita, mantiveram as rendas altas restringindo a oferta: “Eles mudam os fundamentos dos mercados”. Ações militares, como a invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003, e ações políticas, como o embargo às exportações de petróleo do Irã, também aumentaram as rendas, disse ele. Se todo o petróleo e gás disponíveis pudessem ser fornecidos gratuitamente ao mercado, o preço do petróleo convencional seria de US$ 20 a US$ 30 o barril, disse Verbruggen, em comparação com cerca de US$ 100 hoje.

Há muito mais petróleo, gás e carvão nas reservas existentes do que pode ser queimado se o mundo limitar o aquecimento global a 1,5°C, meta acordada pelas nações no Acordo Climático de Paris em 2015. Segundo Campanale: “Para manter a 1,5°C, seria preciso [apenas para as companhias petrolíferas internacionais] abrir mão de cerca de US$ 100 trilhões de receitas potenciais. Dá para entender por que os oligarcas do petróleo e as nações controladas por elites políticas querem manter suas rendas sobre os combustíveis fósseis, a fonte de seu poder”.

May Boeve, líder do grupo de campanha 350.org, disse: “Esses lucros permitiram que a indústria de combustíveis fósseis combatesse todos os esforços para mudar nossos sistemas de energia. Temos que desmantelar esses sistemas de extração de renda e construir nosso futuro com base em energia renovável acessível e bem distribuída, que seja mais sustentável e democrática em todos os sentidos”.

DAMIAN CARRINGTON

é editor de meio ambiente do jornal britânico The Guardian.

 
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