Pesquisa Notícias:
   
 
INSTITUCIONAL
Sobre a Agitra
Diretoria
Estatuto Social
 
SERVIÇOS
Verbo
Convênios
Turismo
WikiTrabalho
Pesquisa Conteúdo
Fale Conosco
Acesso Restrito
 
DIÁLOGOS COM A AUDITORIA DO TRABALHO

Segurança e as Novas Tecnologias na Construção Civil

Higiene Ocupacional: Quebrando Paradigmas

Devemos tratar nossos amigos como queremos que eles nos tratem.
Aristóteles
09/08/2022

Os economistas pop, investimento e a Lei de Say

Após uma série de derrotas consecutivas e, acrescentaria eu, humilhantes para os novo-desenvolvimentistas

José Luis Oreiro ~ Economia, Opinião e Atualidades

Os economistas pop resolveram mudar o alvo de seus ataques. Sua nova operação “cidadela” é atacar a teoria Schumpeteriana afirmando que a mesma supostamente se basearia numa “lei de Say disfarçada” devido ao papel que os teóricos Schumpeterianos dão ao investimento em inovação. Aparentemente sua crítica está baseada em dois pontos. Em primeiro lugar, o investimento seria (sic) incapaz de criar poder de compra para absorver o acréscimo na capacidade produtiva por ele criada, argumento esse nada mais é do que a crítica requentada de Malthus a Ricardo no debate sobre a tendência a queda da taxa de lucro. Em segundo lugar, haveria uma espécie de efeito crowding-out entre o investimento de inovação e o investimento “não inovador”; de maneira que o acréscimo do investimento portador de inovação deslocaria, na mesma magnitude ou algo próximo a isso, o investimento “não inovador”.

Quanto ao primeiro argumento, trata-se de um desconhecimento monumental, para não dizer ignorância pura e simples, dos princípios básicos da teoria pós-keynesiana de crescimento, pioneiramente elaborada por Harrod (1939) e Domar (1946). Esses autores se propuseram a analisar em que condições seria possível a ocorrência de uma trajetória de crescimento balanceada na qual a capacidade produtiva e a demanda agregada se expandissem a mesma taxa de forma a assegurar a plena utilização da capacidade produtiva ao longo do tempo. Na formulação de Domar, mais simples do que a de Harrod, seria necessário que o investimento em máquinas, equipamentos e instalações crescesse a uma taxa igual ao produto entre “a produtividade social do investimento” e a taxa de poupança da economia. Claro que se trata de uma taxa de referência, ou seja, a taxa que o investimento deve crescer, não a taxa que o investimento irá de fato crescer, para garantir uma trajetória de crescimento balanceado. Para que a taxa necessária de crescimento do investimento seja obtida provavelmente parte considerável do investimento deverá ser realizado pelo Estado, seja na forma de obras públicas, seja por intermédio de empresas estatais; pois o Estado, ao contrário dos empresários individuais, não está sujeito a flutuações no estado de confiança. Isso posto, a ideia de que (sic) se trata de uma “ilusão de ótica” dos economistas supor que o investimento pode criar poder de comprar suficiente para gerar mercado para si mesmo está errada. Assim simples (os interessados numa exposição didática do modelo Harrod-Domar podem consultar ( http://joseluisoreiro.com.br/site/link/515361f7d4460fcb89ca945c6d948139277c8181.pdf)

Voltemos nossa atenção para o segundo argumento. Os economistas pop fazem uma distinção entre investimento inovador e investimento não inovador. Essa distinção é um puro non-sense. O investimento pode, do ponto de vista conceitual, ser dividido entre investimento na modernização da capacidade produtiva existente e investimento na ampliação da capacidade produtiva. No primeiro caso, o objetivo do investimento é aumentar a margem de lucro dos empresários, seja reduzindo o custo unitário de produção por intermédio do uso de máquinas que incorporem tecnologias mais sofisticadas, seja por permitir a produção de um novo bem ou serviço que pode ser vendido a um preço mais alto com relação aos demais bens produzidos pelas empresas concorrentes. Já o investimento em ampliação da capacidade produtiva tem por objetivo ajustar o estoque de capital existente ao crescimento esperado das vendas. Trata-se do bom e velho princípio da aceleração. Na prática, como ressaltou Kaldor (1957), os novos investimentos em ampliação da capacidade produtiva já trazem neles incorporados os mais recentemente avanços tecnológicos de forma que a ampliação da capacidade produtiva e a modernização da capacidade existente não são objetivos antagônicos, como os economistas-pop desejam argumentar, mas complementares.

Como economista Keynesiano e novo-desenvolvimentista eu rejeito totalmente a Lei de Say. Mas não podemos cair no raciocínio simplório de que basta estimular a demanda agregada – como a besta do apocalipse está fazendo agora com a “pec Kamikaze” – para que isso produza automaticamente desenvolvimento econômico, pois o mesmo implica na introdução de progresso técnico (o qual não cai do céu) e na transformação estrutural da economia, com uma mudança na qualidade do emprego, deslocando mão de obra dos setores de mais baixa intensidade tecnológica para os setores de mais alta intensidade tecnológica. Para tanto é necessária a coordenação entre a política macroeconômica (juros, câmbio, investimento público) com a política industrial e de ciência e tecnologia. Falar platitudes sobre a importância da demanda agregada não ajuda em nada ao entendimentos dos enormes desafios que o Brasil precisa enfrentar para retomar o desenvolvimento econômico sustentado e sustentável, com inclusão social e estabilidade de preços.

Referências

Harrod, Roy F. (1939). «An Essay in Dynamic Theory». The Economic Journal. 49 (193): 14–33. JSTOR 2225181

? Domar, Evsey (1946). «Capital Expansion, Rate of Growth, and Employment». Econometrica. 14 (2): 137–47. JSTOR 1905364

KALDOR, N (1957). A Model of Economic Growth. The Economic Journal, v. 67, p. 591

Fonte: BLOG José Luis Oreiro ~ Economia, Opinião e Atualidades
 
+ Clipagem

+ Notícia

 
AGITRA - Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais do Trabalho
home | Fale Conosco | localização | convênios
Av. Mauá, 887, 6ºandar, Centro, Porto Alegre / RS - CEP: 90.010-110
Fones: (51) 3226-9733 ou 3227-1057 - E-mail: agitra@agitra.org.br