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29/07/2022

Jeffrey Sachs: A doença global da desigualdade

Em seminário do CRIS-Fiocruz, um dos grandes economistas contemporâneos vê as quatro grandes crises sanitárias do planeta. Todas têm, na origem, a concentração de riquezas e um sistema de produção que se tornou disfuncional

OUTRASAÚDE

SAÚDE E DESIGUALDADE

Por Gabriela Leite

A pandemia de covid-19 e suas consequências sociais e econômicas criou empecilhos para que o mundo alcance os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) – 17 metas globais, estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas, para serem alcançadas até 2030. Mas seu cumprimento já estava longe de ser o foco central das nações, especialmente no Norte Global. A crise sanitária tampouco parece ter servido, até agora, como alerta para líderes de países ricos. Essa foi a crítica feita pelo economista norte-americano Jeffrey Sachs no Seminário Avançado do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), que aconteceu ontem, 27/7.

Em uma fala contundente, Sachs resume as quatro crises de saúde que o mundo enfrenta hoje. A primeira é a pandemia em si, que matou, segundo análises de números de óbitos excessivos, quase 15 milhões de pessoas entre 2020 e 2021. Essa já é, para o economista, uma prova cabal de que os governantes falharam com a população no que é mais básico: garantir a vida. Mas há outras crises que não foram causadas pelo coronavírus.

A segunda crise mundial que afeta a saúde das populações é a iminente catástrofe climática. A velocidade com que eventos extremos acontecem aumenta – os registros mais recentes são os de ondas de calor intenso na Ásia e Europa. Seres humanos estão morrendo por poluição, queimadas, alagamentos. A fome se alastra por perdas de safra causadas pelo clima. Esta é outra prova da falência da cooperação mundial para solucionar problemas urgentes. Mas há outra crise ainda mais trágica: a guerra – a falência total da política, nas palavras de Sachs.

O conflito evitável na Ucrânia não é grave apenas porque prejudica a produção de alimentos, energia e fertilizantes, mas porque se trata puramente de demonstração de poder tola de duas potências. O mundo está gastando uma quantidade absurda de recursos e tempo enquanto deveria se focar em resolver problemas reais, critica o economista. Ele então expõe a última e pior crise de saúde que o mundo atravessa: a da desigualdade. Esta é a principal causadora de mortes hoje, analisa Sachs. Ele faz uma conta simples: se a estimativa de vida na Europa é de mais de 80 anos enquanto na África é de cerca de 60 anos, as pessoas estão morrendo puramente por pobreza.

É uma vergonha, diz o economista, que os países ricos não estejam ajudando a financiar sistemas de saúde mundo afora, enquanto os pobres morrem por desnutrição e assistência médica. Se houvesse compromisso real com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, deveria haver cooperação global tanto para que sistemas de saúde estivessem sendo estruturados quanto para a produção local de insumos e medicamentos em todos os continentes. A saúde é, inclusive, um direito humano estabelecido pela ONU – que também está sendo ignorado.

Sachs faz uma crítica áspera em especial aos Estados Unidos e sua filosofia da desigualdade. Ele lamenta que, mesmo após terem superado o pior presidente de sua história, Donald Trump, a situação tenha melhorado muito pouco com Joe Biden. Se os EUA estivessem preocupados com a saúde global, durante a pandemia, teriam ajudado a financiar sistemas de saúde em países pobres – não criado maneiras de impedir os cidadãos desses países de entrar em seu território. Ele defende uma investigação mais aberta em relação à possibilidade de que o novo coronavírus tenha sido criado em laboratórios norte-americanos, e insiste que o governo de seu país não coopera para que essa hipótese seja analisada.

A guerra na Ucrânia provou que o motivo para estarmos tão longe de alcançar os ODSs é falta de cooperação, não de recursos. Eles precisam ser empregados em medidas para acabar com a pobreza, aumentar a expectativa de vida em países pobres, controlar a pandemia e fazer a transição energética – é simples de perceber, pontua Sachs. Basta compreender o básico: que a vida é o bem mais importante a ser preservado. A saúde pode ser a saída para as crises que o mundo enfrenta hoje.

GABRIELA LEITE

Gabriela é editora, designer e produtora audiovisual de Outras Palavras.

Fonte: OUTRAS PALAVRAS
 
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