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20/07/2022

Os planos e o bilionário por trás da Cambridge Analytica

Quem é Robert Mercer, o personagem recluso que fundou a organização – e impulsiona a ultradireita global. Sua ligação com Trump, Bannon, Bolsonaro e Macri. Como ela captura dados e constrói táticas eleitorais e políticas para atacar a democracia

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DIREITA ASSANHADA

Por GGN

Por Luis Nassif, no GGN

Peça 1 – o milionário recluso

A figura central no uso de algoritmos com propósitos políticos é um bilionário recluso, Robert Mercer. Deve-se a ele o sucesso da campanha de Donald Trump nos Estados Unidos, de Jair Bolsonaro no Brasil, Viktor Orbán na Hungria, Matteo Salvini na Itália, do partido Vox na Espanha, e Marine Le Pen na França.

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Mercer também fundou O Movimento, uma organização com o intuito de ajudar os partidos nacionalistas europeus em suas campanhas políticas. Além disso, como pode ser visto no documentário “Privacidade Hackeada” (de Karim Amer e Jehane Noujaim, 2019), colaborou com a campanha de Mauricio Macri na Argentina, e trabalhou para Guo Wengui, um exilado chinês bilionário que se opõe ao regime de seu país.

Nas eleições de 2016, os Mercer financiaram um super PAC (grupo de ação política) que apoiava a candidatura a presidente de Ted Cruz pelo Texas. Depois, aderiram a Trump.

Nascido em 1946, é proprietário de um fundo hedge, o Renaissance Technologies. Foi um dos primeiros tecnólogos a trabalhar com inteligência artificial — High Frequency Trading, um sistema precursor de inteligência artificial, que compra e vende ações na bolsa, milhares de vezes por segundo, ganhando centavos em cada uma dessas transações.

A Renaissance é composta por pessoas formadas em ciência da computação, física, matemática e estatística. O fundo Medallion, aberto apenas aos funcionários do Renaissance, se valia de algoritmos para prever os movimentos dos investidores. Conseguiu retornos de 80% ao ano.

Recluso, Mercer começou a ser notado na campanha de Trump e na parceria com Bannon. No início, considerava-se que fossem apoios políticos convencionais.

Um processo movido por um ex-funcionário do fundo de hedge, David Magerman, revelou aspectos pouco conhecidos dos Mercer, suas opiniões políticas, as conexões com Bannon e Trump e os comentários racistas. Uma declaração de Magerman soou profética: “Se o mundo soubesse o que Mercer está tentando fazer eles não aceitariam”.

Peça 2 – a Cambridge Analytica

Recluso, Mercer começou a ser notado na campanha de Trump e na parceria com Bannon. No início, considerava-se que fossem apoios políticos convencionais. Coube a Margerman revelar a estratégia dos Mercer, o de espalhar uma ideologia compartilhada para um sistema anti-liberal e de combate aos Clinton. Inclui a Breitbart, e a ONG conservadora Citizens United.

O início da Cambridge Analítica foi a SCL Elections, adquirida por Robert Mercer em 2013. No início, se qualificava como empresa de guerra psicológica, uma forma de definir as guerras híbridas, típicas da estratégia militar. Seu nome era SCL Defense. Dizia ela: “Treinamos o exército briutänico, a marinha, o exército e as Forças Especiais dos Estados Unidos. Nós treinamos a Otan, a CIA, o Departamento de Estado, o Pentágono, usando recursos para ionfluenciar o comportamento da conduta inimigas”. Trabalharam no Afeganistão, no Iraque.

No filme Privacidade Hackeada, mostra-se sua publicidade.

As primeiras incursões foram de uma empresa de nome Palantir, de propriedade de Peter Thiel, cofundador do PayPal e grande investidor do Facebook, e primeiro defensor de Trump no Vale do Silício.

Uma estagiária ouvida pelo The Guardian, relatou que ouviu “dezenas de histórias de arrepiar os cabelos, mas ainda era um momento chocante”. “Eu estava conversando com ex-funcionários da Cambridge Analytica há meses e ouvi dezenas de histórias de arrepiar os cabelos, mas ainda era um momento chocante. Para qualquer pessoa preocupada com vigilância, Palantir é praticamente uma palavra-chave. A empresa de mineração de dados tem contratos com governos de todo o mundo – incluindo o GCHQ e a NSA. É propriedade de Peter Thiel, o bilionário cofundador do PayPal e grande investidor do Facebook, que se tornou o primeiro defensor de Trump no Vale do Silício.”

A tecnologia da Cambridge Analítica foi desenvolvida por Chris Wylis, do oeste do Canadá, proprietário da AggregateIQ.

Segundo reportagem de The Guardian, a empresa veio das profundezas do complexo militar-industrial. Participavam dela Steve Tatham, chefe de operações psicológicas das forças britânicas no Afeganistão. Segundo a reportagem, a SCL/Cambridge Analítica não foi uma startup, mas fazia parte do sistema de defesa britânico. Recentemente, um ex-comandante do centro de operações do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, Chris Naler, entrou na Global, parceria do grupo SCL. Em suma, o modelo foi criado por contratantes militares utilizando táticas militares,.

Steve Bannon tornou-se vice-presidente da Cambridge Analytics.

Como declarou uma fonte ao The Guardian, “Não é uma consultoria política”, disse David. “Você tem que entender que esta não é uma empresa normal de forma alguma. Acho que a Mercer nem se importa se ganhar algum dinheiro. É o produto de um bilionário gastando enormes quantias de dinheiro para construir seu próprio laboratório de ciências experimental, para testar o que funciona, para encontrar pequenas lascas de influência que podem influenciar uma eleição. Robert Mercer não investiu nesta empresa até que ela executou vários pilotos – testes controlados. Este é um dos cientistas da computação mais inteligentes do mundo. Ele não vai gastar US$ 15 milhões em besteiras.”

Em 2013, um dos conselheiros da campanha republicana de 2012, Mark Block, colocou Alexander Nix, CEO da SCL, com Mercer, gestor de fundos e proprietário da Breitbart. Foi acertado um investimento inicial de US$ 15 milhões, que dariam origem à Cambridge Analytica. Nix tornou-se o CEO da nova empresa e Steve Bannon ganhou uma participação. Imediatamente conquistaram 44 clientes dos Estados Unidos, apoiados por Bolton, além de três candidatos presidenciais, Ben Carson, Ted Cruz e, finalmente, Donald Trump.

Peça 3 – o laboratório em Trinindad

Assim que Mercer adquiriu a SCL, a empresa foi contratada por ministros de governo em Trinidad e Tobago. Encomendaram um programa de micro-direcionamento para o partido do governo. A AggregateIQ – a mesma empresa do Brexit – foi contratada para construir a plataforma de segmentação.

Documentos analisados pelo Observer mostraram que se tratava de proposta para capturar o histórico de navegação dos cidadãos, gravando conversas telefônica e aplicando o processamento de linguagem natural aos dados de voz gravados. Montaram com esse material um banco de dados da política, com pontuações para cada cidadão em sua propensão a cometer crimes.

Trinidad foi o primeiro projeto da SCL usando big data, antes da empresa ser adquirida por Mercer. As figuras-chave desse modelo foram o psicólogo de Cambridge, Aleksandr Koganb, Chris Wylis, Mark Gettleson, especialista em grupos focais e Thomas Borwick, filho de Vitória Borwixk, parlamentar conservador de Kensigton.

Uma reportagem do Observer levantou ligações da SCL e da Cambridge Analítica com Rússia, Lituânia, Letônia, Ucrânia, Irã e Moldávia. Levantamento da Fast Company mostrou que, mesmo antes da trabalhar para a Cambrige Analytica, a SCL desenvolveu um conjunto de técnicas para o Ministério das Relações Exteriores britânico, a Defesa do governo da Noruega, para a Arábia Saudita, para o 15º Grupo de Operações Psicológicas do Exército Britânico. E consolidou ligações com conselheiros de segurança nacional de Donald Trump, Michael Flynn e John Bolton.

Peça 4 – a teoria do choque

Tamsin Shaw, professora associada de filosofia da Universidade de Nova York, pesquisou o financiamento das forças armadas dos EUA e o uso de pesquisas psicológicas para uso em tortura, uma tradição que que vem desde os anos 40, quando dois psicólogos alemães adaptaram a terapia dos choques terapêuticos para táticas de tortura.

“A capacidade dessa ciência de ser usada para manipular emoções está muito bem estabelecida. Esta é uma tecnologia financiada por militares que foi aproveitada por uma plutocracia global e está sendo usada para influenciar as eleições de maneiras que as pessoas nem conseguem ver, nem percebem que está acontecendo com elas”, diz ela. “Trata-se de explorar fenômenos existentes como o nacionalismo e depois usá-los para manipular as pessoas à margem. Ter tantos dados nas mãos de um bando de plutocratas internacionais para fazer o que quiserem é absolutamente assustador. “Estamos em uma guerra de informação e bilionários estão comprando essas empresas, que são então empregadas para trabalhar no coração do governo. Essa é uma situação muito preocupante.”

Incluia a Breitbart, a publicação de Steve Bannon e a ONG conservadora Citizens United.

Nigel Farage, presidente do Partido Brexit é ligado à Cambridge e associado a Bannon pelo menos desde 2012, quando Bannon montou o Breitbart em Londres, em 2014. Bannon achava que a Inglaterra era fundamental para sua guerra cultural.

Em uma entrevista, Bannon explica como se deu a consolidação da indústria de Fake News que ele dirigia: “Foi a seção de comentários que começou a construir parte do poder do Breitbart; além de sermos mais inteligentes (…) tínhamos uma otimização incrível para aparecermos nas buscas. Foi a união de tecnologia e conteúdo. Em particular, eu tinha uma equipe inteira dedicada à análise dos algoritmos do Facebook. Sem o Facebook, a Breitbart nunca teria chegado ao tamanho que chegou. As redes sociais e toda uma bateria de novas tecnologias baseadas em dados e inteligência artificial permitem o uso da comunicação como um laboratório sem os limites do politicamente correto: os humilhados pediam sangue, e eles iriam obtê-lo. No laboratório digital, é possível analisar em tempo real quais mensagens geram maiores paixões e despertam mais respostas (engajamento) para usá-las como munição infinita em qualquer ocasião.”

Juntos, Mercer e Bannon supervisionaram a Cambridge Analytica, no referendo do Brexit e na eleição de Trump.

Mercer foi o terceiro maior doador republicano (US$ 25,5 milhões) na corrida presidencial de 2016. Assim que Trump foi eleito, a Cambridge Analítica conquistou contratos no Pentágono e no Departamento de Estado. Documentos mostraram seu envolvimento com Rupert Murdoch.

Quando Bannon se desentendeu com Trump, os Mercer cortaram relações com ele. Bannon taxou o filho de Trump e “traidor” e a filha como “burra como um tijolo”. Os Mercer se afastaram de Bannon e conseguiram sua demissão do Breitbar News. E a Cambridge Analítica acabou, depois da revelação de que havia coletado dados de milhões de usuários.

Essa reportagem faz parte da investigação do projeto Xadrez da ultradireita mundial à ameaça eleitoral, uma campanha do Catarse para produzir um documentário sobre o avanço da ultradireita mundial e a ameaça ao processo eleitoral. Colabore!

GGN

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Fonte: GGN
 
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