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No reinado da lei, o pobre e o rico tem direitos iguais... e o pequeno vence o grande se tem por si a justiça; é uma idéia remota, pois vem de Euripides. Historicamente, porém, é uma idéia falsa: o direito nunca foi outra coisa senão uma organização das desigualdades.
Jean Cruet
20/05/2022

‘Era da Escassez’ já começou. O que isso significa? Uma economia global US$ 1,6 tri menor

Consultoria mapeia perdas com revés histórico na globalização em meio a guerra na Ucrânia, Covid e protecionismo

Os laços que mantiveram a economia global conectada e permitiram uma abundância de produtos e serviços em todo o planeta nas últimas décadas estão se desmanchando numa velocidade assustadora.

A “Era da Escassez” chegou. E pode estar só começando.

A invasão da Ucrânia e a política de Covid Zero na China, com seus sucessivos lockdowns, estão provocando fortes rupturas nas cadeias de suprimentos globais. As previsões para o crescimento mundial este ano estão sendo sucessivamente reduzidas. Segundo cálculos da Bloomberg Economics, essa piora nas estimativas representará um PIB global US$ 1,6 trilhão menor.

A guerra e a pandemia não vão durar para sempre. Mas, para a economia, o pano de fundo de um mundo cada vez mais dividido só tende a piorar.

A Bloomberg Economics fez uma simulação sobre os efeitos que uma reversão profunda na globalização teria a longo prazo.

E concluiu que o mundo ficaria até 15% mais pobre, as economias seriam menos produtivas e o comércio global retrocederia ao patamar do fim dos anos 1990. E, ainda, a inflação seria maior e mais volátil em todo o planeta.

— A fragmentação veio para ficar — avalia Robert Koopman, economista-chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC), que prevê uma reorganização da globalização com um alto preço a pagar: — Não teremos à disposição uma produção em massa a baixo custo.

Por mais de três décadas, foi decisiva para a economia global a entrada no mercado de cada vez mais produtos a preços cada vez menores. Com a abertura da China e o fim dos regimes socialistas, bilhões de chineses e de trabalhadores do antigo bloco soviético se tornaram, de uma hora para outra, uma enorme reserva de mão de obra barata. Junte-se a isso a derrubada de barreiras comerciais e os ganhos tecnológicos na logística de transporte.

E tem-se a receita para a “Era da Abundância” – para muitos, mas não para todos, porque a expansão global veio acompanhada de um enorme acréscimo na desigualdade de renda.

‘Desglobalização’

Nos últimos quatro anos, porém, vivemos uma escalada de uma série de rupturas neste modelo. Barreiras comerciais novamente foram levantadas e as tarifas se multiplicaram com a guerra comercial entre China e Estados Unidos. A pandemia trouxe lockdowns. E, agora, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, sanções e controles de exportação estão ameaçando o fornecimento global de commodities e outros produtos.

Tudo isso tem levado os países ricos a enfrentarem um problema que eles pensavam ter superado há muito tempo: o risco de escassez. O risco de não ter gás ou energia disponível, de não encontrar um produto no supermercado.

Os países emergentes, por sua vez, terão que enfrentar ameaças mais agudas de insegurança alimentar ou energética, e de convulsões sociais como as que ocorreram há pouco no Peru ou no Sri Lanka.

Alguns números ilustram a escalada de barreiras ao comércio:

Tarifas: A guerra comercial levou a taxação recíproca de produtos americanos e chineses a escalar de uma média de 3% para 15% durante a presidência de Donald Trump.

Lockdowns: Só este ano, com o avanço da Covid na China, bilhões de dólares em exportações estão sob risco. E as suspensões de produção afetaram da Apple à Tesla.

Sanções: Em 1983, o fluxo total de exportações e importações sujeitas a algum tipo de sanção ou embargo representava só 0,3% do PIB global. Em 2019, esse número já era cinco vezes maior. E, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, as sanções econômicas só aumentaram, assim como várias barreiras às exportações por países que tentam garantir seu próprio abastecimento interno – como no caso recente da Índia que limitou as vendas externas de trigo.

Sob um determinado ponto de vista, tudo isso reflete uma ruptura global que vai opor as democracias ocidentais e de livre mercado ao autoritarismo de China e Rússia. Mas mesmo quem torce os olhos para essa visão maniqueísta de uma luta entre o bem e o mal, e para a análise simplista sobre uma possível nova cortina de ferro, reconhece os custos potenciais de um mundo cada vez mais dividido.

Cerca de US$ 6 trilhões em produtos – ou o equivalente a 7% do PIB global – é comercializado entre países democráticos e nações sob regimes autoritários.

Para ilustrar os riscos de uma divisão entre esses dois polos, a Bloomberg Economics calculou os efeitos de um aumento médio de 25% nas tarifas de comércio global. É apenas uma simulação, mas que mede o impacto potencial da “desglobalização”.

O patamar de 25% é a tarifa mais alta hoje aplicada no comércio entre China e EUA. Uma taxa média desse tipo em todo o fluxo global levaria a uma retração de 20% nas exportações e importações mundiais.

Com isso, o comércio global retrocederia a patamares do fim dos anos 1990, ou seja, de antes de a China ingressar na OMC.

Além disso, todos os países teriam que recorrer a um aumento na produção local dos produtos que consomem, voltando-se para atividades em que são menos competitivos. Haveria uma forte queda na produtividade da economia associada ao recuo no comércio mundial.

A longo prazo, um retorno ao patamar de abertura comercial global dos anos 1990 tornaria o mundo 3,5% mais pobre em relação a um cenário no qual o comércio mundial se mantivesse no nível praticado atualmente, prevê a Bloomberg Economics.

Em comparação a um cenário no qual os laços comerciais se ampliassem (ou seja, se a tendência dos últimos anos não fosse revertida no futuro), a perda de riqueza seria da ordem de 15%.

O modelo da Bloomberg Economics também mostra que cerca de 7% do comércio hoje praticado entre blocos econômicos mudaria de mãos. Em termos concretos, isso significa fábricas que atendem ao mercado consumidor americano sendo transferidas da China para o México ou para a Índia.

Ou seja, é um cenário em que alguns países poderiam ganhar. Mas a transição levaria tempo e causaria muitas perdas pelo caminho, como uma inflação mais alta e mais volátil.

Em termos realísticos, é pouco provável que uma fratura na globalização coincida exatamente com as divisões ideológicas entre os países. Mas alguns números dão a dimensão do que está em risco.

Em 1983, quando o então presidente americano Ronald Reagan chamou a União Soviética de um “império do mal”, países governados por regimes autoritários respondiam por 20% do PIB global. Hoje, essa fatia subiu para 34%. E, nos próximos anos, com a China crescendo a um ritmo muito superior ao dos EUA ou da Europa, essa parcela não vai parar de crescer.

Cenários e simulações à parte, o choque provocado este ano pela guerra e pela Covid vai esmorecer. Mas as forças que têm levado o mundo à “desglobalização” vão continuar atuando. É preciso estar preparado para um mundo de menos crescimento, mais inflação e cada vez mais volatilidade.

Fonte: O Globo

 
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