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13/05/2022

BC recua de pedido de reajuste de 22% para funcionários após mal-estar na equipe econômica

Órgão diz que minuta de MP enviada ao Ministério da Economia com os pedidos de aumentos para toda a equipe tinha 'inconsistências'

Antonio Temóteo e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O Banco Central (BC) recuou da proposta enviada Ministério da Economia em que pedia a reestruturação das carreiras dos servidores do órgão. O texto, ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso, previa m reajuste salarial de 22% para analistas e técnicos do órgão, com pagamento a partir de junho de 2022, enquanto o governo quer conceder um aumento linear de 5% para todas as categorias.

Segundo o BC, a proposta tinha "inconsistências". A reportagem apurou que a proposta causou mal-estar no Ministério da Economia e foi considerada uma "vergonha" por membros da equipe econômica, que falaram sob a condição de anonimato, já que representa quase o dobro da inflação acumulada em 12 meses até abril, de 12%. Caso fosse aprovada, a medida representaria um incremento de R$ 6 mil no contracheque de um analista no topo da carreira.

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A proposição também foi classificada como “descabida” porque Bolsonaro anunciou publicamente que daria um reajuste linear de 5% para todos os servidores e já fez consultas formais ao Judiciário e ao Legislativo, que deram sinal verde para a concessão do aumento salarial. Com isso, um aumento de 22% para os servidores do BC provocaria a ira das demais categorias que também estão mobilizadas por melhores salários.

Os funcionários do BC, órgão responsável pela estabilidade dos preços, pleiteiam uma revisão remuneratória de pelo menos 27% e estão em greve, pela segunda vez no ano, desde o dia 3 deste mês. A remuneração anual de um analista do BC atualmente, em média, é de R$ 341,1 mil, ou R$ 26,2 mil mensais.

Banco Central

Sede do Banco Central, em Brasília; funcionários pedem reajuste de 27% Foto: Dida Sampaio/ Estadão

A proposta enviada ao Ministério da Economia também previa a exigência de nível superior para ingresso nos cargos de técnico e a alteração do nome do cargo de analista para auditor. Atualmente, os cargos de nível técnico não exigem um diploma de graduação. O texto ainda precisa do aval do Ministério da Economia e do presidente Jair Bolsonaro para seguir para o Congresso.

O BC também propôs a criação de um bônus de produtividade, tecnicamente definido como Retribuição por Produtividade Institucional, que dependeria de regulamentação da Diretoria Colegiada do BC, se a MP fosse enviada ao Congresso e aprovada pelos parlamentares. A minuta ainda incluía a criação de uma taxa de supervisão e nova tabela remuneratória para funcionários celetistas reintegrados.

Embora tenha dito oficialmente que a proposta tinha "inconsistências", a minuta da MP estava pronta há um mês e foi revisada pela área de recursos humanos e pela Procuradoria do BC, disseram fontes ouvidas pela reportagem.

 
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