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Publilius Syrus
14/04/2022

União de amplas forças políticas e reconstrução nacional

Só conseguiremos achar saídas para a crise brasileira passando por um processo de união de amplas forças políticas sintetizado em um programa de reconstrução nacional

Não é difícil perceber a grave situação econômica, política e social que o Brasil atravessa nestes últimos tempos, agravada sobremaneira pela pandemia do novo coronavírus.

O resultado catastrófico do Brasil no combate a pandemia se deve muito a falta de uma coordenação nacional e uma estratégia unificada de ação no combate ao vírus. Quando se tinha notícias do novo vírus circulando pela Ásia e Europa, o Presidente da República ao invés de chamar os entes federados e os gestores do Sistema Único de Saúde para uma mesa de coordenação nacional, preferiu desdenhar da doença desconhecida e chamá-la de gripezinha, deixando com que Estados e Municípios adotassem o salve-se quem puder.

Com a falsa equivalência entre economia e saúde, o Brasil não seguiu as recomendações da Organização Mundial da Saúde – OMS, de isolamento social, testagem em massa e rastreio para controle da doença, sendo que o país não salvou vidas e muito menos a economia.

Claro que a pandemia intensificou o crescimento da desigualdade no Brasil, mas ela por si só não é a única responsável. Após o golpe parlamentar de 2016, as políticas sociais que desenhavam um ainda tímido Estado de bem-estar no Brasil, foram sistematicamente desmontadas, a começar pelo congelamento dos investimentos em saúde, educação e segurança pública por 20 anos com a chamada Emenda Constitucional do Teto de Gastos. Foram bilhões de reais retirados do orçamento da saúde e da assistência social.

O gradual desmonte do programa Bolsa Família começou ainda no Governo anterior que havia cortado cerca de 1 milhão de beneficiários. Agora, o Governo Federal busca acabar de vez com a maior política pública de transferência de renda continuada já feita no Brasil – exemplo para o mundo em redução de desigualdade social – para colocar no lugar um auxílio financeiro eleitoreiro, com critérios vagos e insegurança quanto ao seu financiamento e continuidade.

Entrega da MP do Auxílio Brasil ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira I Foto: Marcos Corrêa/PR

Além disso, no mundo do trabalho, é dramática a situação dos trabalhadores, mesmo com a retomada gradual do emprego formal em 2021 após a ampla vacinação contra o coronavírus, o Brasil ainda amarga uma taxa de desemprego de 12,9%, com a maioria da sua força de trabalho fora da CLT em subempregos precarizados, fruto da reforma trabalhista e da terceirização total e irrestrita garantida pelo STF.

O povo vê dia a dia o seu poder de compra reduzido pela inflação galopante que já passa de dois dígitos. A volta da fome e da miséria no Brasil são reveladas por cenas de pessoas se amontoando esperando em filas de açougue para tentar pegar sobras de osso. É crescente o número de crianças paradas nos sinais de trânsito vendendo bala para sobreviver e aumenta a cada dia o número de pessoas em situação de rua.

Os preços dos combustíveis estão descontrolados e acumulam alta de 73% na gasolina e 65,3% no diesel, somente no ano de 2021, reflexo da política desastrosa de vinculação do preço interno do barril de petróleo ao mercado internacional e ao dólar.

A economia, nos últimos 4 anos, teve um crescimento pífio até 2019 e uma queda acentuada em 2020 – a maior retração anual do PIB desde o começo da série histórica em 1996 – o que demonstra que as reformas do Estado de caráter neoliberal não surtiram efeito, não atraíram investimentos e prejudicaram a execução de políticas públicas, em especial na assistência social e na saúde, com impacto negativo sobre a desigualdade, o desemprego e a crise sanitária que atravessamos.

Os entes federados, Estados e Municípios, sofrem com essa conjuntura por serem os maiores responsáveis pela implementação de políticas públicas e absorverem a pressão da população na ponta, que reivindica cada vez mais a ampliação dos serviços públicos.

Aqui faço esse breve resgate dos acontecimentos para fazer um exercício de apontamentos futuros. A situação que o país se encontra hoje, passa primeiro pela crise política, o processo de criminalização da política pela chamada operação Lava-Jato e setores da mídia que resultou no impeachment sem crime, portanto golpe, da Presidenta Dilma Rousseff, a implementação de uma agenda econômica e social que não teve respaldo das urnas, a eleição de políticos outsiders e autoritários em 2018 e por fim, a pandemia.

Só conseguiremos achar saídas para a crise brasileira passando por um processo de união de amplas forças políticas sintetizado em um programa de reconstrução nacional. Mesmo que atitudes anteriores e erros mútuos tenham contribuído para chegarmos até aqui, não é hora de fazer um tribunal do passado, mas sim dialogar no presente para avançarmos em um futuro diferente do nosso país.

Nesse sentido vejo com bons olhos a movimentação e o diálogo de diferentes forças políticas do campo progressista com atores de centro e centro-direita, em destaque para o Presidente Lula que, após ter seus processos na lava-jato anulados pelo STF e recuperar seus direitos políticos, intensificou uma agenda de diálogos com políticos de diferentes espectros ideológicos.

Lula tem a concepção correta de que, para devolver dias melhores ao povo brasileiro, não será possível caminhar sozinho e isolado ou mesmo falar só para seus pares. É preciso ampliar as forças políticas com um projeto nacional bem estruturado. Da mesma forma, precisamos avançar nos Estados e devolver para a política o papel de formação de grandes consensos.

A federação formalizada entre PT/PCdoB/PV tendo Lula como líder desse processo mostrou a disposição de um bloco firme de esquerda mais uma aliança eleitoral com o PSB indicada com Alckmin na figura de pré-candidato a vice-presidente na chapa de Lula.

Para ampliar na aliança eleitoral, que a federação pudesse atrair ainda no 1º turno se não todo o PSD e MDB, setores desses partidos de centro hoje mais próximos a Lula, onde poderiam se somar também demais partidos como Solidariedade, Rede e PSOL, e por que não o PDT?! Vendo que a alternativa a barbárie fascista é um movimento progressista e democrático amplo imposto pela própria sociedade através da expectativa eleitoral.

Acredito ser essa uma fórmula valiosa para enfrentar e derrotar o fascismo bem como a direita ultraliberal. Por mais que os números das pesquisas sejam animadores, a eleição não será fácil, será extremamente polarizada, agressiva e recheada de Fake News. Só ganhar não basta, é preciso construir as condições políticas para sustentar e governar unindo o Brasil em um novo pacto democrático e social.

Bernardo Gomes

Estudante de Gestão Pública UFMG, assessor parlamentar

 
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