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Leon Tolstoi
23/12/2021

Governo Bolsonaro agora teme pressão generalizada de servidores por reajustes

Bolsonaro insistiu em aumento para policiais e conseguiu reservar R$ 1,9 bi no Orçamento de 2022

Manoel Ventura

BRASÍLIA — Integrantes do governo próximos ao presidente Jair Bolsonaro, o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, e membros dessa pasta veem um erro de Bolsonaro ao insistir em um reajuste apenas para policiais federais. A avaliação é que isso irá gerar uma onda de pedidos por aumentos de todas as categorias, inclusive com ameaças de paralisações e entrega de cargos.

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Bolsonaro ligou para o relator do Orçamento de 2022, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), para pedir a inclusão da previsão de reajustes para integrantes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, do Departamento Penitenciário Nacional e de carreiras do Ministério da Justiça.

A previsão de um gasto de R$ 1,9 bilhão para os aumentos acabou sendo incluída no Orçamento do próximo ano, aprovado pelo Congresso nesta terça-feira. Bolsonaro insistiu no reajuste apenas das forças de segurança, considerada por ele uma base de apoio para as eleições do próximo ano.

A previsão inicial era de um impacto de R$ 2,7 bilhões, que sequer chegou a entrar nas primeiras versões do Orçamento. Só após a pressão de Bolsonaro é que o valor, menor, foi alocado.

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O próprio Guedes chegou a avisar a Bolsonaro que havia um risco de uma pressão generalizada por reajustes.

Outros ministros do governo também teriam avisado ao presidente que não há espaço orçamentário para mais reajustes — para isso, seria necessário realizar cortes em outras despesas num Orçamento já apertado.

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Foi a falta de espaço no Orçamento que levou Bolsonaro a não falar mais em um reajuste generalizado. Cada um ponto percentual de aumento gera uma despesa extra de R$ 3 bilhões.

O presidente prometeu conceder um reajuste linear para todos os servidores, mas foi convecido por Guedes a abandonar a ideia. O argumento é que um reajuste generalizado iria gerar uma pressão sobre as contas públicas e também reação negativa no mercado, com reflexos sobre o dólar.

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Bolsonaro então mandou centralizar os reajustes nas categorias de policiais, para fortalecer sua base de apoio de olho em votos para 2022. Esses servidores já vinham reclamando do tratamento de governo desde 2019.

Paulo Guedes tem dito nos bastidores do governo que agora cabe à ala política do governo e ao próprio presidente segurar as pressões das demais categorias, já que não caberia à Economia fazer política. Ele também costuma dizer que, se for necessário fazer cortes para conceder mais aumentos, que os políticos decidam onde cortar.

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Com a confirmação do reajuste para os policiais, outras categorias já estão se mobilizando também por aumentos. É o caso da Receita Federal, em que mais de 300 auditores e analistas pediram exoneração.

Na carta de exoneração, os auditores dizem que a Receita teve seu orçamento reduzido em 51,4%, como o GLOBO mostrou. O documento afirma que o corte no orçamento da Receita para 2022 é equivalente ao valor que foi destinado ao pagamento do aumento para carreiras das policias.

Membros da carreira do Banco Central também já pressionam por reajustes. As entidades que representam os demais membros da administração federal também já vinham se queixando do privilégio dado aos policiais.

Fonte: O GLOBO
 
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