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Publilius Syrus
23/12/2021

Empregados pedem demissão e comemoram, em alto e bom som, nas redes sociais

Nos Estados Unidos, onde a taxa de pedidos de demissão atingiu a máxima histórica, foi criada até uma expressão para isso: QuitTok

Emma Goldberg, The New York Times

Para Gabby Ianniello, o motivo foram as bolhas causadas pelos sapatos de salto alto todas as manhãs a caminho de seu emprego no setor imobiliário, que chamou os funcionários de volta aos escritórios em setembro. Para Giovanna Gonzalez, eram aquelas três letrinhas, RTO (sigla em inglês para o tempo tolerável de inatividade), vindas de seu chefe de gestão de investimentos. Para Tiffany Knighten, foi descobrir que o salário anual de um colega de equipe era mais de US$ 10 mil maior que o dela por uma função em seu mesmo nível.

Elas estavam de saco cheio, prontas para pedir demissão e queriam que seus seguidores no TikTok soubessem disso.

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“Minha saúde mental me dá as boas-vindas depois de deixar o mundo c*rporativo americano”, dizia a legenda no vídeo de Tiffany publicado em setembro, que a mostrava usando um boné que dizia “I Hate It Here” ("Eu odeio isso aqui") e dançando ao som de “Thank U, Next”, de Ariana Grande.

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Tiffany Knighten; jovem saiu de antigo trabalho para dirigir sua própria agência de comunicação chamada Brand Curators. Foto: Amy Lombard/The New York Times

A taxa de pedidos de demissão nos Estados Unidos - a porcentagem de trabalhadores que deixam seus empregos de modo voluntário - está em sua máxima histórica, chegando a 3% neste outono. E isso também é incrivelmente visível. As pessoas estão comemorando suas demissões em reels no Instagram ou “QuitToks” (uma junção de “pedir demissão” em inglês, “quit”, com o nome da rede social TikTok). Elas estão participando do fórum R / antiwork (antitrabalho) do Reddit, cujo número de seguidores disparou este ano, para se gabar de estarem livres de seus empregos das 9h às 17h. E estão tuitando os prints das mensagens enviadas a seus chefes dizendo que querem se demitir.

“As pessoas me diziam: ‘Amiga, pedi demissão. Vamos beber'”, disse Tiffany, uma mulher negra de 28 anos. Ela disse que enfrentou microagressões contínuas em seu antigo ambiente de trabalho e saiu dele para dirigir sua própria agência de comunicação chamada Brand Curators. “Todo mundo está falando em alto e bom som que deixou para trás o que não estava lhe fazendo bem.”

Até mesmo CEOs estão aderindo às manifestações públicas de pedidos de demissão. O ex-chefe do Twitter, Jack Dorsey, compartilhou em sua própria plataforma, no fim de novembro, que estava abandonando o cargo. “Não tenho certeza se alguém já ficou sabendo, mas pedi demissão do Twitter”, escreveu Dorsey, postando um print de um e-mail que terminava com: “P.S., estou tuitando este e-mail. Meu único desejo é que a Twitter Inc seja a empresa mais transparente do mundo. Oi, mãe!".

Houve um tempo em que divulgar a decisão de pedir demissão talvez parecesse imprudente, ou, no mínimo, grosseira. Os coaches de carreira costumam aconselhar seus clientes a não falar mal de seus ex-empregadores na Internet. Embora sempre tenha existido um grupo de trabalhadores que pediam demissão fazendo alarde, de forma geral, os recrutadores muitas vezes desaprovam os candidatos que divulgavam experiências negativas em seus empregos anteriores. Mas depois de mais de um ano trabalhando em meio a uma pandemia, protestos sobre justiça racial e todo o rebuliço pessoal e social que aconteceu após esses acontecimentos, alguns trabalhadores estão prontos para rejeitar as normas profissionais obsoletas e desabafar.

“As pessoas estão frustradas, exaustas e alertas”, disse J.T. O'Donnell, fundadora da plataforma de coaching de carreira Work It Daily. “Quando as pessoas estão alertas, você percebe respostas de luta ou fuga. Esta é uma resposta de luta.”

Se aqueles pedindo demissão pensam que podem retaliar seus antigos chefes sem medo de perder oportunidades com potenciais futuros empregadores, eles talvez estejam certos. A curva de oferta e demanda do mercado de trabalho está trabalhando a favor deles e os empregadores estão se tornando menos exigentes. O número de vagas de trabalho no site de empregos ZipRecruiter com “nenhuma experiência anterior” exigida saltou de 12,8%, em 2020, para 22,9% este ano. Já as que exigem um diploma universitário caíram de 11,4% para 8,3%. Algumas partes dos EUA estão observando lacunas significativas entre as vagas e aqueles que estão procurando emprego - Nebraska, por exemplo, tem 69 mil vagas não preenchidas e 19.300 desempregados. Acontecimentos que já prejudicaram as chances daqueles em busca de um trabalho antes, como tempo parado cuidando de um filho, estão sendo perdoadas.

“Estou nesse ramo há 25 anos e esse é o mercado de trabalho mais limitado que já vi”, disse Tom Gimbel, chefe da LaSalle Network, empresa de recrutamento. “Tenho clientes que precisam tanto de profissionais que, se antes eles nem pensavam em contratar alguém ficou parado um tempo, agora estão fazendo isso.”

Alguns gerentes de contratação acham que fazer o que antes consideravam uma contratação arriscada - digamos, alguém que atacou um ex-CEO na Internet - talvez seja mais seguro do que deixar a falta de funcionários continuar por muito tempo, resultando em exaustão.

“No passado, isso talvez tivesse causado um momento de reflexão nas pessoas, em relação ao que significaria para sua organização, se uma relação de trabalho não terminasse maravilhosamente bem”, disse Melissa Nightingale, cofundadora da Raw Signal Group, empresa de treinamento em gestão. “Agora, o grande foco das empresas é menos no risco individual daquela postagem e mais no risco mais amplo de uma mão de obra insuficiente.”

Os executivos também estão mais compreensivos com aqueles em suas mesmas posições que pediram demissão. Os chefes costumavam ver as saídas de uma empresa como uma traição, como “um término de relacionamento na época do colégio”, de acordo com Anthony Klotz, psicólogo organizacional da Universidade Texas A&M. Agora, eles entendem que os funcionários estão insatisfeitos. Klotz observou um aumento no número de empregadores que oferecem licença de um ano para os trabalhadores que pedem demissão, o que significa que eles podem escolher voltar para o emprego a qualquer momento com todos os seus benefícios anteriores em vigor.

Mas algumas pessoas não estão preocupadas em bater a porta com força ao deixarem as empresas.

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Gabby Ianniello; ela pediu demissão em fevereiro e tem uma longa lista de críticas ao seu antigo estilo de vida no mundo corporativo. Foto: Amy Lombard/The New York Times

Gabby, 28 anos, tem uma longa lista de críticas ao seu antigo estilo de vida no mundo corporativo. Quando ela trabalhava como coordenadora de marketing em Manhattan, costumava acordar às 4h45 com um alarme em seu iPhone que tinha como etiqueta “você consegue, querida”, e então escovava o cabelo antes de começar um trajeto de 45 minutos até a empresa. Seus dias eram compostos por almoços deprimentes na própria mesa de trabalho e respostas a e-mails com perguntas repetitivas.

Ela pediu demissão em fevereiro, tinha cerca de US$ 10 mil na poupança e passou o verão fazendo posts no TikTok dizendo a seus seguidores que havia encontrado um novo senso de felicidade. “No momento, pedir demissão é a coisa mais empolgante a se fazer”, disse Gabby, que lançou um podcast chamado “Corporate Quitter” (Saindo do mundo corporativo). “É quase como a bolha da Internet, quando você tinha a sorte de usar o nome de usuário que queria por ter sido um dos primeiros a chegar ali. Você começa a fazer parte da Grande Debandada.”

Alguns coaches de carreira não aprovam a pressa em fazer demonstrações públicas de que se pediu demissão. Muitos chamaram atenção para o fato de os recrutadores, mesmo aqueles desesperados, pesquisarem sobre os candidatos nas redes sociais e consideram as postagens sobre ex-empregadores um sinal de alerta. Outros lembraram que a atual escassez de mão de obra, com um número de trabalhadores menor em cerca de 3 milhões de pessoas, não será permanente e que, em algum momento, os empregos terão uma demanda maior do que os trabalhadores.

“Esse tipo de coisa oscila de um lado para o outro”, disse J.T. O'Donnell, acrescentando que ficou alarmada com algumas das transgressões de etiqueta que tem visto entre aqueles deixando seus empregos no atual mercado, onde o padrão é dar um aviso prévio de duas semanas, mas que mudou para: “Você tem algumas pessoas que somem. Elas simplesmente não voltam mais. Elas não atendem nem os telefonemas”.

Embora os trabalhadores possam estar ignorando os conselhos de carreira dos coaches, eles estão encontrando conselhos em outros lugares, principalmente em comunidades na Internet. O TikTok tem centenas de vídeos com a hashtag #quitmyjob (larguei meu emprego), entre eles alguns com conselhos ou apoio moral para pessoas que estão pensando em pedir demissão.

Giovanna, 32 anos, que deixou seu emprego de gestão de investimentos em Phoenix, em junho, disse que estava hesitante em divulgar sua experiência porque não queria que ex-colegas vissem o vídeo e se sentissem julgados. Mas ela também pensava que seus seguidores poderiam se sentir motivados ao ficar sabendo da primeira geração americana que economizou prudentemente, guardando cerca de US$ 20 mil, para poder pedir demissão de uma forma segura.

“Tenho a sensação de que soo como Kourtney Kardashian, mas preciso de algum tempo longe dessa vida de estar sempre ocupada para me concentrar em mim mesma”, disse Giovanna aos seguidores em sua conta no TikTok, acrescentando: “Compartilho isso com vocês não para me gabar, mas para mostrá-los que isso é possível".

São décadas de pôsteres motivacionais, mas ao contrário: qualquer um pode pedir demissão. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 
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