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19/04/2021

Por que a criação de emprego formal não é "fraude a la Argentina", mas deve ser vista com cautela

Marta Sfredo

Mudança na metodologia do levantamento de geração de vagas com carteira assinada não permite comparações com série anterior, diz especialista

Os números surpreendentes de criação de vagas formais de trabalho chamaram a atenção no início deste ano. Mas como outros dados da realidade fazem supor, não foi "o melhor resultado para o mês na série histórica, iniciada em 1992". A coluna vai explicar o porquê.

Conforme dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), em janeiro houve geração líquida (admissões menos demissões) de 258.141 postos de trabalho (dado revisado no mês seguinte). Em fevereiro, o número foi ainda maior: 401.639, o que fez o governo fazer a comparação que desafia a lógica.

Não precisa ser especialista para olhar o dado com certa desconfiança: embora seja verdade que houve uma forte recuperação de alguns setores, o Brasil terá sido obtido o melhor resultado no emprego desde 1992 justamente no meio da pandemia? Além disso, os dados apresentados no Caged ficaram muito desalinhados aos da Pnad, que mede o desemprego — mais exatamente, quantos brasileiros que buscam trabalho e não encontram.

Conforme Bruno Ottoni, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e coordenador de mercado de trabalho na iDados, consultoria especializada na área, não se trata de fraude grotesca, "a la Argentina" (país que manipulou dados da inflação na segunda década dos anos 2000), mas o dado atual do Caged não é o mesmo do passado. Ou seja, referências à série iniciada em 1992 não são cabíveis: seria comparar laranjas com bananas.

Houve mudança na metodologia na pesquisa do Caged, o que não só consta em notas técnicas da equipe responsável pelo levantamento mas foi admitido pelo secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco. Em vez da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), os dados agora são obtidos nos registros do e-Social. Entre outras diferenças, passaram a contar os contratos temporários de trabalho, considerados formais na reforma trabalhista de 2017.

— A série quebrou. Técnicos do governo, e até políticos e secretários que participaram da divulgação do Caged, admitem. Está explicitado nas notas técnicas. Dizem ser comparável porque continua medindo um saldo, mas o Caged agora coleta informações diferentes. E não só mudou a fonte, da Rais para o e-Social, mas passou a ter base de dados maior, porque as penalidades de não informar o e-Social são maiores do que as para não enviar a Rais — detalha Ottoni.

Ottoni avalia que "interpretações equivocadas" sobre a nota técnica (confira o texto explicativo clicando aqui) podem ter levado a suspeitas de manipulação. Uma dessas informações, por exemplo, era de que bolsistas teriam passado a incorporar a base de dados, o que não é correto.

— O problema é comparar com o passado e dizer que é o maior saldo de geração de postos formais de emprego em 30 anos. E isso extrapola essa questão, que já é ruim. Pode provocar a dedução de que a economia "está voando", e gerar distorções em outros atores da economia, por exemplo um erro na calibragem dos próximos aumentos no juro por parte do Banco Central, por exemplo — adverte Ottoni.

Segundo o especialista em dados do mercado de trabalho, se uma série como a do "novo Caged" existisse há 30 anos anos, talvez tivesse alcançado o maior nível por volta de 2010, quando começou a se falar em pleno emprego no país.

Fonte: GZH
 
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