Pesquisa Notícias:
   
 
INSTITUCIONAL
Sobre a Agitra
Diretoria
Estatuto Social
 
SERVIÇOS
Verbo
Convênios
Turismo
WikiTrabalho
Pesquisa Conteúdo
Fale Conosco
Acesso Restrito
 
DIÁLOGOS COM A AUDITORIA DO TRABALHO

Segurança e as Novas Tecnologias na Construção Civil

Higiene Ocupacional: Quebrando Paradigmas

Quanto mais espiritual o individuo faz a sua vida, menos medo ele terá da morte. Para uma pessoa espiritual a morte significa libertar o espírito do corpo. Tal pessoa sabe que as coisas com as quais vive não podem ser destruidas
Leon Tolstoi
14/01/2021

“O trumpismo se infiltrou na Igreja Católica dos Estados Unidos”.

Entrevista com Massimo Faggioli

Ele é um dos maiores conhecedores da “alma religiosa” dos Estados Unidos e um dos intelectuais católicos que mais e melhor destacaram os perigos do trumpismo e sua relação com os setores mais ultraconservadores (senão sedevacantistas) da Igreja estadunidense, e as razões de seus ataques ao Papa Francisco. No próximo dia 20 de janeiro, coincidindo com a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Massimo Faggioli publica (por enquanto em inglês e italiano) o livro Biden e o catolicismo nos Estados Unidos.

A entrevista é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 12-01-2021. A tradução é de André Langer.

Falamos com ele com exclusividade sobre o ‘efeito Trump’, o apoio da mídia ultracatólica à invasão do Capitólio e como a eleição de Biden poderá mudar as relações Estados Unidos-Vaticano. Além disso, o que significa a eleição daquele que será o segundo católico a se tornar presidente da nação mais poderosa do planeta.

Eis a entrevista.

A retórica triunfal da “eleição roubada” nada mais é do que a rejeição de um resultado eleitoral determinado pelo fato de as minorias afro-americanas e latinas terem votado esmagadora e amplamente em Biden - Massimo faggioli

Tweet

O que significa a eleição de Joe Biden para os católicos norte-americanos? Ele é o primeiro presidente católico da história depois de JFK (John Fitzgerald Kennedy).

Nos primeiros duzentos e trinta anos da sua história, a grande maioria dos presidentes dos Estados Unidos pertencia a Igrejas cristãs não católicas: Episcopal, Presbiteriana, Metodista e Batista. Biden torna-se parte da história de um grupo religioso específico na América, a de uma Igreja há muito considerada estranha e hostil ao projeto americano. Ele não é apenas o segundo católico eleito depois de Kennedy (1961-1963), mas também o quarto a se candidatar às eleições (Al Smith, em 1928, e John Kerry, em 2004) para ocupar o cargo político, mas também moral e religioso, que é a presidência americana em um momento de transição delicado para a nação e para a Igreja. Biden fez da fé católica uma parte central de sua campanha, não deixando dúvidas sobre onde estão suas raízes e o que o ampara.

Por que tantas críticas ao líder democrata por parte de um setor do catolicismo norte-americano?

O tema central da crítica é o aborto, já que Biden é a favor do aborto legal, mas recentemente surgiram também novas questões sobre a liberdade religiosa e os direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. Os bispos estadunidenses depositaram grandes esperanças em Trump e no final saíram não apenas derrotados, mas severamente prejudicados em sua autoridade, tendo ganhado muito pouco com esta presidência.

Do regime fascista de Mussolini, a Igreja e o papado obtiveram, a um custo muito elevado (pago em grande parte por outros), algumas conquistas, como a Concordata e a resolução da “Questão Romana”. A Igreja estadunidense, ao contrário, não recebeu nada de Trump, exceto por um punhado de juízes da Suprema Corte que deixaram claro que a revogação da legalização do aborto não será alcançada por meios legais.

O trumpismo se infiltrou na Igreja Católica e tem contado, desde 2015, com o apoio de membros do clero (incluindo alguns bispos), políticos e intelectuais católicos que não esconderam suas simpatias por uma pessoa que prometeu proteção especial à Igreja diante do poder político - Massimo faggioli

Tweet

Alguns líderes cristãos (católicos e protestantes) teriam que pedir perdão por seu apoio, até o fim, às políticas de Donald Trump?

Por mais doloroso que seja admitir que esta violenta insurreição teve católicos nas fileiras dos insurgentes. Não só isso: também houve a tentativa de dar uma justificativa moral a esse ataque por parte da mídia católica (mais ou menos independente) dos Estados Unidos, como EWTN, Church Militant e Life Site News. O trumpismo se infiltrou na Igreja Católica e tem contado, desde 2015, com o apoio de membros do clero (incluindo alguns bispos), políticos e intelectuais católicos que não esconderam suas simpatias por uma pessoa que prometeu proteção especial à Igreja diante do poder político.

Houve ‘razões de fé’ após a invasão do Capitólio?

Os discursos sobre a identidade racial e a religião estão totalmente entrelaçados nos Estados Unidos - Massimo Faggioli

Tweet

O movimento que apoia Trump dá voz a ressentimentos de vários tipos: econômicos, para um país em declínio no mundo onde os Estados Unidos não são mais o único poder; culturais, pela crescente separação entre áreas urbanas e suburbanas, de um lado, e áreas rurais e desindustrializadas, de outro; religiosos, para a luta desenfreada entre as almas religiosas e secularistas.

Mas também existe – e este é o novo fator desde 2008 – um ressentimento étnico e racial que sai das margens e entra na corrente hegemônica. A retórica triunfal da “eleição roubada” nada mais é do que a rejeição de um resultado eleitoral determinado pelo fato de as minorias afro-americanas e latinas terem votado esmagadora e amplamente em Biden. As tentativas dos republicanos (há uma década) de frustrar os direitos de voto das minorias falharam, pelo menos nas eleições de 2020. Os discursos sobre a identidade racial e a religião estão totalmente entrelaçados nos Estados Unidos.

Aqueles que agora se opõem a Biden são os mesmos que tentaram fazer com que o Papa renunciasse em 2018: para deixar claro que esses católicos não obedecem às regras da política, nem da Igreja - Massimo Faggioli

Tweet

Como serão as relações Estados Unidos-Vaticano com Biden?

Acredito que as relações serão boas porque tanto o Papa quanto Biden são dois líderes em um momento de dificuldades políticas e culturais nas duas comunidades que representam. O Vaticano queria acabar com a presidência de Trump, que tem sido um desafio muito sério para a estabilidade do Sistema Internacional. Mas independentemente de quem seja o papa e o presidente dos Estados Unidos, sempre houve importantes diferenças entre o Vaticano e os Estados Unidos no nível da política internacional que surgirão com o tempo.

Viganò e Steve Bannon são apenas a ponta do iceberg: há um catolicismo tradicionalista e golpista para quem tanto Biden como Francisco são os inimigos.Não é apenas uma questão de identidade política, mas também eclesial e teológica - Massimo Faggioli

Tweet

Parte da Igreja dos Estados Unidos está por trás dos ataques a Francisco ou é apenas uma coisa de Viganò e Steve Bannon?

Viganò e Steve Bannon são apenas a ponta do iceberg: há um catolicismo tradicionalista e golpista para quem tanto Biden como Francisco são os inimigos. Não é apenas uma questão de identidade política, mas também eclesial e teológica. Aqueles que agora se opõem a Biden são os mesmos que tentaram fazer com que o Papa renunciasse em 2018: para deixar claro que esses católicos não obedecem às regras da política, nem da Igreja.

Alguns eclesiásticos e líderes de grupos ultraconservadores chegam a dizer que não vão dar a comunhão a Biden devido à sua postura sobre o aborto...

A eleição de Biden poderia finalmente pôr um fim às “guerras culturais”. O tema da comunhão é algo que já vimos no passado: a questão do aborto é uma questão moral séria, sobre a qual a Igreja deve se fazer ouvir, mas não recorrendo à “guerra das hostes” que, no final das contas, só prejudicará a Igreja.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – IHU
 
+ Clipagem

Brasil vive apagão estatístico sobre mercado de trabalho - Sem dados de IBGE, Caged e seguro-desemprego, país pode ficar sem saber dano do coronavírusFernanda Brigatti

Reforma da Previdência - 44 coisas que você não pode deixar de saber - Leiam a matéria em anexo. Repense, reavalie esta Reforma da Previdência proposta. Faça sua parte, ajude na di

Negociação coletiva é importante para patrão e empregados - Por André F. WatanabeO mundo do trabalho passa por constantes mudanças. Com elas, os desafios de compreender qu

Carreiras de Estado repudiam estratégia do governo de culpar servidor pela crise econômica - O Fórum das Carreiras de Estado (Fonacate) divulgou nesta sexta-feira (1º) nota à imprensa e à sociedade repudiando a es

ANFIP - TCU suspende pagamento de bônus para aposentados - A ANFIP publicou matéria sobre a suspensão do pagamento de bônus para aposentados e pensionista. A notícia está assim re

+ Notícia

 
AGITRA - Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais do Trabalho
home | Fale Conosco | localização | convênios
Av. Mauá, 887, 6ºandar, Centro, Porto Alegre / RS - CEP: 90.010-110
Fones: (51) 3226-9733 ou 3227-1057 - E-mail: agitra@agitra.org.br