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21/10/2020

Automação deve destruir 85 milhões de empregos, alerta Fórum Econômico Mundial

Conclusão é do estudo "O Futuro do Emprego 2020"; diminuição deve ocorrer nos próximos 5 anos em grandes e médias empresas e em 26 economias, inclusive na brasileira

Por Assis Moreira, Valor — Genebra

A automação no mundo do trabalho está aumentando de forma mais rápida do se esperava, na esteira da recessão provocada pela pandemia da covid-19, aponta um relatório que o Fórum Econômico Mundial publica nesta quarta-feira (21). O estudo "O Futuro do Emprego 2020" projeta que a automação deverá destruir ao menos 85 milhões de empregos nos próximos cinco anos em grandes e médias empresas em 15 setores industriais e 26 economias, incluindo a brasileira, pela mudança na divisão do trabalho entre humanos e máquinas.

Novos empregos

Ao mesmo tempo, serão criados 97 milhões de novos empregos em áreas como cuidados de saúde, tecnologias da quarta revolução industrial, economia verde, criação de conteúdo, novas tarefas na engenharia, cloud computing (computação em nuvem) e desenvolvimento de produtos.

Requalificação

Até 2025, os empregos serão divididos igualmente entre humanos e máquinas. Para trabalhadores que continuam em suas funções nos próximos cinco anos, quase 50% precisará se requalificar para novas atividades essenciais. Trabalho remoto O potencial é de que 44% da força de trabalho opere de forma remota, mas isso requer adaptação. Nada menos de 78% dos lideres empresariais preveem impactos negativos na produtividade dos empregados.

O estudo do Fórum foi feito em parceria com LinkedIn, Coursera, FutureFit AI e ADP, e aponta que a criação de empregos diminuirá, enquanto a destruição de postos de trabalho acelera. Mais de 80% dos executivos consultados pelo Fórum dizem estar acelerando planos para digitalizar o trabalho e utilizar novas tecnologias. A projeção é de que os negócios mais competitivos serão aqueles que escolheram requalificar sua força de trabalho atual. No Brasil, 92% das empresas consultadas disseram que vão acelerar sua digitalização, e 88% veem mais oportunidades para trabalho remoto. A covid-19 acelerou a chegada do futuro do trabalho", afirma Saadia Zahidi, diretoraexecutiva do Fórum Econômico Mundial. "Aceleração da automação e consequências da recessão (decorrentes) da covid-19 aprofundaram desigualdades existentes nos mercados de trabalho e reverteram ganhos no emprego obtidos desde a crise financeira de 2007-08."

OIT

Por seu lado, o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, deflagrou o sinal de alerta sobre a falta de proteção social para 2 bilhões de trabalhadores na economia informal — 61,2% da força de trabalho mundial — e suas famílias, o que os torna particularmente vulneráveis a choques. Isso ocorre num cenário em que o mundo está mais pobre do que antes do novo coronavírus. A renda global pode ser US$ 7 trilhões menor no fim de 2021 do que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tinha projetado em novembro do ano passado.

As perdas de horas de trabalho no terceiro trimestre devem representar o equivalente a 345 milhões de empregos. Projeções da OIT para o quarto trimestre apontam perspectiva sempre difícil, com as horas de trabalho perdidas sendo equivalentes a 245 milhões de empregos. A OIT calcula que a renda do trabalho declinou US$ 3,5 trilhões ou 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) global, nos três primeiros trimestres do ano, comparado ao mesmo período de 2019. Por sua vez, o Fórum Econômico Mundial nota que até o fim de setembro os países que tiveram maior recuperação na contratação de trabalhadores foram a China (22%), Brasil (13%), Cingapura (8%) e França (5%).

Fonte: Valor Econômico
 
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