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22/11/2019

‘Não podemos ficar mantendo pessoas e salários acima do mercado’, diz presidente da BR

Rafael Grisolia, que comanda a ex-subsidiária da Petrobras, privatizada em julho, cita dados de rivais para justificar cortes

RIO - Depois que a Justiça concedeu uma liminar que suspende o Programa de Desligamento Optativo (PDO) da BR Distribuidora, o engenheiro de produção Rafael Grisolia, presidente da empresa, indicou que não está disposto a recuar.

A medida faz parte da estratégia do executivo para elevar a eficiência e a produtividade da companhia ao patamar de suas principais concorrentes, como Ipiranga e Raízen. A redução de salários e do quadro de pessoal é a medida mais polêmica adotada pela nova gestão da distribuidora, privatizada em julho.

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Até o fim desta quinta-feira, a BR ainda tentava derrubar a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que afetava o cronograma do programa de demissão voluntária, cujo prazo de adesão terminava na quinta. Grisolia, que atuou por 30 anos no setor privado, quer reduzir o número de funcionários de 3 mil para 2 mil.

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Aos que ganham mais de R$ 11,6 mil (duas vezes o teto do INSS, limite estabelecido na reforma trabalhista para a possibilidade de negociação individual), equivalentes a mais de 50% do atual quadro, ele propõe redução de remuneração. Os que ganham menos, diz o executivo em entrevista ao GLOBO, serão realocados em funções compatíveis ou desligados no longo prazo.

A BR é a maior distribuidora de combustíveis do país, mas não é a mais rentável?

A geração de caixa da BR é de R$ 70 por metro cúbico (de combustível), e meus competidores diretos Raízen e Ipiranga estão na faixa de R$ 100. Então, a gente tem necessidade de melhorar nossa rentabilidade para chegarmos em 2021 igual ou melhor. Como empresa privada, conseguimos mais rápido. Uma das coisas é o fim das amarras nas licitações. Como se leva seis a sete meses para fazer uma licitação, contratos com prestadores eram longos, engessavam mais ainda a habilidade de negociar, reduzir despesas. Um ciclo vicioso.

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Qual é a meta da BR agora?

A gente quer ser a maior, a mais rentável e também uma empresa de energia. A sociedade hoje se move com gasolina, etanol e diesel, mas, a partir do momento em que surgem outras formas de locomoção, como o carro elétrico, a gente tem a aspiração de entregar essa mesma energia. Não vamos perder um cliente.

A empresa vai manter o nome?

A BR nos postos tem a marca Petrobras. Tenho contrato de dez anos com a Petrobras, renováveis por mais dez anos para uso da marca. Todo mundo nos conhece como BR Distribuidora. Com o tempo temos que nos perguntar se isso será mantido. O que vai se definir é o nome corporativo, mas não da nossa marca nos postos. Vamos usar sempre Petrobras.

A despesa com pessoal pesa na redução da produtividade?

Metade dos R$ 30 por metro cúbico a menos que a BR tem em relação a seus competidores está ligada a vários tipos de despesas do negócio, enquanto cerca de 90% da outra metade é com despesa de pessoal.

Qual o número de funcionários?

Temos 5 mil ao todo, dos quais 3 mil contratados e 2 mil terceirizados. Nossos concorrentes diretos têm entre 2 mil e 3 mil ao todo. A gente precisa trazer a BR para cerca de 3.500 ao todo, dos quais 2 mil contratados e o restante terceirizado.

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Os salários são mais altos?

A parte fixa do salário, fora a variável, já é muito mais alta, em torno de 30% a 40% maior que os concorrentes na maior parte das faixas salariais. Temos o desafio de como fazer esse ajuste. Como empresa privada, temos que ser mais rentáveis para conseguir recursos junto aos investidores.

Por que a adesão ao PDO foi de apenas doze dias?

Pensa no nível de complexidade ou de pressão para todo mundo. Vou estender por mais tempo? A pessoa vai se torturar por mais tempo? Acho um prazo razoável, e a empresa precisa ajustar sua operação. O assunto é difícil, mas foi desenhado para ser uma coisa bacana, com condições muito boas, as melhores do mercado. Quase mil pessoas aderiram até o momento. Um prazo muito longo seria prolongar o estresse, o sofrimento das pessoas.

O TRT concedeu liminar suspendendo o programa. O que a BR vai fazer?

Estamos recorrendo, indo lá tentar entender o que a juíza (Gabriela Canellas) quis dizer ao suspender todo o plano. Temos mil pessoas que aderiram, que estão contando com o dinheiro a receber, já com planos de viagem, de cursos.

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As negociações com os empregados para a redução de salários já começaram?

Sim, já fizemos para as lideranças (gerentes e coordenadores), que ganham acima de dois pisos do teto INSS (R$ 11,6 mil). Já fizemos as repactuações com relação ao salário fixo menor, 30% a 40% menos. Cerca de 200 aceitaram. Continuam com as mesmas funções e as mesmas horas de trabalho. Os salários dos diretores também foram ajustados, mas já estavam mais em linha com os do mercado.

Vai negociar redução de salário com todos os dois mil que continuarão na empresa?

O objetivo é negociar com todo mundo, individualmente. Mas essas negociações, pela lei, só são permitidas a partir dos dois salários de teto.

E o que vai acontecer com os funcionários que ganham menos que esse teto?

Aí teremos que olhar caso a caso. Se está fazendo um trabalho que justifique aquele salário, se é bom funcionário e a gente queira manter, fica. Se não, a gente vai ter que pensar em que outra posição ele poderá estar. Ou vamos ter que fazer ajustes com relação a essas pessoas. Porque não podemos pagar mais caro a alguém que não está fazendo a função que justifique. Ou tentamos alocá-lo em outra posição ou, no tempo, vamos acabar fazendo o desligamento dele.

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É uma questão muito difícil...

Não é um assunto fácil, e a gente não está muito feliz nessa situação. Tudo começa do fato de que a empresa tem mais pessoas do que precisa para tocá-la, na comparação com outras, e que nosso salário médio é maior. Por isso estamos fazendo com o maior cuidado possível. Não tem sangria desatada, mas a gente precisa fazer. O PDO é importante. Quem aderir leva no mínimo o piso de oito salários, além de todas as verbas indenizatórias e extensão de benefícios. Por isso esperamos reverter em breve a decisão da Justiça, porque dá a chance de as pessoas escolherem. Se não, o que vamos fazer? Desligar direto? Não queremos fazer isso... Uma liminar dessas atrasa conseguirmos fazer os melhores planos para acomodar essa situação. A gente precisa ajustar a empresa. Não podemos ficar mantendo pessoas e salários muito acima do mercado.

Quais os planos para as lojas de conveniência?

Hoje as pessoas não vão em um posto só para abastecer. Queremos avançar na área de conveniência e em meios de pagamento, que agrega valor.

Como isso será feito?

A gente não é especialista em varejo. Temos poucas lojas de conveniência, cerca de 7.700 postos e 1.200. Estamos conversando com as Lojas Americanas e com outros grupos de varejo para estudar como criar um novo modelo de franquia. A ideia é a gente contribuir com a rede de postos e esse varejista com sua experiência no varejo. A gente pretende criar uma empresa juntos para desenvolver esse projeto.

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E que novidades podem surgir no sistema de pagamento nos postos?

Queremos ampliar formas de pagamento que não necessariamente passem por bancos, empresas de cartão de crédito. O cartão caminhoneiro é assim, não passa por administradora de cartão de crédito. Tem um ganho tanto de velocidade quanto de custo. Sem intermediação, reduz os custos para todos.

Qual a previsão de investimentos para 2020?

Os investimentos são mais de trabalho e execução do que de recursos. A previsão é de investirmos cerca de R$ 1,5 bilhão, contra um pouco mais de R$ 1 bilhão neste ano.

De que ativos pretende se desfazer?

Pretendemos vender algumas fábricas de asfalto, cerca de dez, algumas inativas. Outra área da qual estamos pensando em sair é da distribuidora de gás natural no Espírito Santo, além de duas termelétricas das quais temos concessão, mas que ainda não foram construídas, e uma empresa de transporte terrestre de gás natural no Nordeste, além de alguns imóveis.

Tem planos de entrar em novos mercados?

Sim. Também temos um desafio para criar novas empresas, como criar uma comercializadora de gás natural, outra de energia elétrica e outra de etanol. A ideia é comprar o produto e vender no varejo. Ao ter uma comercializadora de etanol, ganhamos mais escala e temos melhor custo. A primeira a ser criada, com certeza, é a comercializadora de etanol. Ao comprar em grandes volumes, vende não só para os nossos postos.

Fonte: O Globo
 
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