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William Law
28/08/2019

Ao invés de queimadas, Bolsonaro se queixa de terras indígenas

Na reunião convocada pelo presidente Jair Bolsonaro com os governadores da região amazônica para tratar das queimadas, pouco se falou de queimadas. Sentaram-se os governadores, Bolsonaro encarou as câmeras que transmitiam para a TV do governo e suas redes sociais pessoais, e discursou dirigindo-se a seu eleitorado. “A Amazônia foi usada politicamente desde o Collor para cá”, afirmou. “Aos que me antecederam, foi uma irresponsabilidade essa política adotada no passado, usando o índio ao inviabilizar esses estados. Na visão do presidente, as demarcações inviabilizam o país economicamente pois muitas teriam “aspecto estratégico”. Também lembrou que existem hoje no Ministério da Justiça mais de 400 novos pedidos de demarcação de terras indígenas. “Nossa decisão é não demarcar. Já extrapolou essa verdadeira psicose no tocante a demarcação de terras.” (Folha)

À porta do Plantalto, em conversa com jornalistas, Bolsonaro impôs condições para aceitar os US$ 20 milhões oferecidos pelo G7 para combate ao fogo na floresta. “O senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa”, disse. “Me chamou de mentiroso. Depois, as informações que tive, é que nossa soberania está em aberto na Amazônia.” Os repórteres o lembraram de que ele respondeu a um seguidor, no Facebook, fazendo graça da primeira-dama francesa. “Eu falei para o cara não entrar nessa área”, respondeu, referindo-se ao seguidor. “Se continuar pergunta nesse padrão, vai acabar a entrevista.” Quando um jornalista tentou lembra-lo de como havia sido a troca na rede social, o presidente foi embora. À tarde, o porta-voz Otávio Rêgo Barros mudou o tom. “Quaisquer recursos advindos do exterior em benefício do combate serão bem-vindos”, afirmou. “Gostaria de reforçar que é essencial entendimento de quem venha a promover essa doação de que a governança desses recursos é do governo brasileiro.” Os jornalistas tentaram compreender se não era mais necessário o pedido de desculpas. Ele escorregou. “Quaisquer que sejam os países que venham a cooperar, que tenham um alinhamento natural e aceitável pelo nosso país.” (UOL)

Leia a troca entre Bolsonaro e um seguidor, quando comparam as primeiras-damas. O link leva a uma captura de tela. O comentário original foi apagado, ontem. (Poder 360)

O deputado e possível futuro embaixador, Eduardo Bolsonaro, também comentou. “Temos queimadas, óbvio. Ninguém está virando a cara para isso. Agora, querer fazer fake news para ter ganhos políticos, o termo molecagem ficou até barato. Fizeram questão de dar um tapa na cara do Macron”, disse, referindo-se ao G7. Assista. (UOL)

No fim do dia, o governo brasileiro aceitou uma doação de £10 milhões, oferta do premiê britânico Boris Johnson. Representa aproximadamente R$ 51 milhões. (G1)

Pelo segundo dia seguido, Bolsonaro ganhou apoio de seu par americano. “Terminei por conhecer bem Jair Bolsonaro por conta de nossa relação com o Brasil”, escreveu Donald Trump no Twitter. “Ele vem trabalhando duro no fogo da Amazônia e feito um ótimo trabalho para o povo do Brasil. Não é fácil. Ele e seu país têm o completo apoio dos EUA!”

Míriam Leitão: “O presidente da maior trading chinesa, a Cofco, veio se reunir com empresários do agronegócio brasileiro e deu o seguinte recado: ‘Nós vamos comprar mais de vocês desde que seus produtos tenham sustentabilidade.’ Os representantes do setor no Brasil estavam acostumados a ouvir essa exigência dos europeus, mas não dos chineses. A palavra ‘sustentabilidade’ foi repetida 12 vezes em uma fala de meia hora do comprador chinês. São sinais assim que o agronegócio brasileiro tem captado. O consumidor está mudando, e entre os seus valores está o de querer saber a origem do que consome. Uma pesquisa, citada pelo executivo da estatal chinesa, mostrou que 50% dos consumidores chineses de 18 a 35 anos querem saber o que comem, de onde vem e como é produzido. Quando o presidente Jair Bolsonaro faz uma reunião como a de ontem, em que, em vez de tratar do combate ao fogo e ao desmatamento, ameaça os povos indígenas, ele só alimenta a ideia de que o Brasil produzirá a qualquer custo ambiental e humano. Ele deveria saber que as terras indígenas são da União e os povos indígenas têm feito um grande trabalho de proteção desse patrimônio natural do país.” (Globo)

 
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