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10/05/2019

'Bolsonaro não tem ideia do tamanho do problema que arrumou', diz Haddad

"Enquanto ele não devolver o que tirou das universidades, não vamos sair da rua", disse ex-prefeito paulistano em ato na Universidade Federal do Espírito Santo

por Redação RBA

“A extrema-direita tem alergia a educação, sobretudo superior", disse ex-prefeito a jornalistas na UFES

São Paulo – Em ato na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, pela agenda da caravana Lula Livre, em defesa da universidade e contra os cortes na educação, o ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato à presidência Fernando Haddad exortou os estudantes do país a ocupar as ruas. “O país está precisando de todo mundo, das universidades, dos Institutos Federais, da energia do campus universitário. Bolsonaro tem muitos problemas. Tem problemas psicológicos, sociológicos, filosóficos, psiquiátricos, mas não tem ideia do tamanho do problema que arrumou nas universidades e Institutos Federais. Não tem ideia da encrenca que vai arrumar nas ruas se mexer com a educação.”

Segundo ele, o presidente da República está “fustigando quem quer construir uma nação, um Brasil sem racismo, sem miséria, sem misoginia. Um país que não quer se armar, quer ler, quer se instruir, quer trabalhar”.

No discurso em frente à universidade, afirmou que ainda não viu Bolsonaro falar de emprego, de curar o doente ou fazer o remédio chegar às pessoas. “Tudo é futrica. Um presidente que passa a maior parte do dia no Twitter em vez de governar. Ele já foi mal recebido em três países, e não teve cara de ir ao Nordeste até agora.”

Haddad mencionou um comentário irônico do escritor Luis Fernando Verissimo, segundo o qual é “um exagero” a frase de Lula dizendo que o Brasil é governado por um "bando de malucos". “É um exagero porque mesmo um bando tem alguma racionalidade.”

O país está sendo desmontado, afirmou Haddad, começando pela economia, que não dá sinais de recuperação ou de que possa haver crescimento econômico. Segundo Haddad, a mobilização estudantil vai provocar a primeira derrota de Bolsonaro. “Para ele ver com que país ele está lidando. Enquanto ele não devolver o que tirou das universidades, não vamos sair da rua”, prometeu.

Mais cedo, em conversa com jornalistas na Ufes, Haddad falou sobre o julgamento de Lula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), de educação e economia.

Sobre o caso de Lula, afirmou que não há nenhum precedente de alguém ter sido condenado por corrupção por um “ato indeterminado”, como o ex-presidente, e que a condenação de alguém por corrupção exige que se diga do que a pessoa é acusada concretamente.

“O STJ decidiu não discutir as provas. Ele não fez um julgamento do caso propriamente, se absteve de discutir as provas, que era um pedido da defesa, da qual eu faço parte.”

O ex-prefeito destacou que centenas de juristas, inclusive estrangeiros, se debruçaram sobre o processo contra Lula. “Gente que está expondo sua reputação sem ganho nenhum.” Ele citou o jurista italiano Luigi Ferrajoli, “um dos maiores juristas vivos, que disse que o processo não tem substância”.

Sobre a perseguição do governo às universidades, afirmou que “a extrema-direita tem alergia à educação, sobretudo superior, porque ali a pessoa desenvolve senso crítico e ganha autonomia sobre as coisas, e autonomia não combina com a extrema-direita”.

O ex-prefeito mencionou a PEC 95 (a emenda do teto de gastos) e disse que pouco se fala da medida, introduzida pelo governo de Michel Temer, que congela gastos em educação, saúde e outras áreas por 20 anos.

Lembrou ainda que o Brasil saiu do ranking de destinos seguros para o investimento estrangeiro, no qual o país sempre figurou entre os 25 países mais seguros. “E o governo prometeu retomar as obras. Mas não tem obra sendo retomada em parte nenhuma do país.”

“De onde vai vir o crescimento?”, questionou. “Não vai vir da reforma da Previdência, que inclusive é contracionista, no curto prazo.” Segundo ele, o modelo de capitalização proposto pela reforma e por Paulo Guedes, o ministro da Economia, é diminuir o poder de compra das famílias, na medida em que as pessoas terão de poupar mais para participar do regime.

Para Haddad, a reforma mais importante a ser feita é a do sistema bancário do país. “Se a população paga menos juros sobra mais dinheiro no bolso. Em vez de ficar com o banqueiro, vai para o industrial, que vai contratar.”

 
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