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09/05/2019

Comissão vota para tirar Coaf de Sérgio Moro

oram 14 votos contra 11 para a mudança; texto ainda passará pelos plenários da Câmara e do Senado

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BRASÍLIA - A comissão de deputados e senadores que analisa a medida provisória da reforma ministerial tirou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, pasta comandada pelo ministro Sérgio Moro.

Com o requerimento votado, a estrutura volta para o guarda-chuva do Ministério da Economia. Foram 14 votos contra 11 para a mudança. O texto ainda precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado.

Parlamentares do Centrão e da oposição se juntaram para tirar o Coaf das mãos de Moro e se articularam para impor uma derrota ao governo. Assinaram o requerimento que devolve o órgão para o Ministério da Economia líderes de PT, PRB, PTB, PP, MDB, Pode, PSC, DEM, PR, Solidariedade e Patriotas.

Mudança no texto final do decreto das armas é natural, diz Moro

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro da Justiça e Segurança Pública já disse mais de uma vez que deseja que o Coaf permaneça sob sua pasta. Na última semana, afirmou que o conselho estava “esquecido” no Ministério da Fazenda e garantiu que o ministro Paulo Guedes, da Economia, não quer o Coaf.

“Guedes não quer o Coaf, ele tem uma série de preocupações, tem a reforma da Previdência. A tendência lá é ele (Coaf) ficar esquecido e na Justiça temos ele como essencial”, disse.

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Oposição usará cortes na Educação para realizar atos contra governo Bolsonaro

Líderes de partidos contrários ao governo veem chance de protestos nas universidades como tentativa de unificação da esquerda

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 08h00

Presidentes de alguns dos principais partidos de oposição ao governo Jair Bolsonaro decidiram, em reunião em Brasília nesta quarta-feira, 8, usar os cortes anunciados na área da educação como vetor para mobilizações de rua e uma tentativa de unificação da esquerda. Em outra frente o candidato derrotado do PSOL à Presidência, Guilherme Boulos, está há mais de um mês rodando as universidades públicas do País em busca de mobilizar estudantes. O líder sem-teto viu nas manifestações de estudantes no Rio de Janeiro e na Bahia, semana passada, a fagulha do que pode ser uma onda nacional contra Bolsonaro.

Para ele, não é uma oposição “dócil” que vai vencer um governo “selvagem”. “O maior desafio que nós temos neste momento é o da mobilização social. Nós temos um governo selvagem. Não podemos ter do outro lado uma oposição bem comportada, dócil, que só sabe fazer hashtag na internet, colóquio, simpósio e pensar em 2022. Nós temos que ter uma oposição de rua, de combate, que entenda a importância de lutar nas ruas porque só no Parlamento não vai ser suficiente. Lá eles são maioria”, disse Boulos a mais de dois mil estudantes que foram ouvi-lo nesta quarta-feira, 8, na Universidade de São Paulo (USP).

Ainda nesta quinta-feira, 9, os partidos devem divulgar uma nota com um posicionamento conjunto em relação ao tema. As legendas vão buscar entidades da sociedade civil e trabalhar junto a suas bases para reforçar a greve nacional dos professores das redes públicas marcada para o dia 15 e decidiram dar periodicidade aos encontros do chamado Fórum dos Presidentes que a partir de agora vão se reunir a cada 15 dias.

“Minha impressão é que foi um passo à frente na direção de os partidos fazerem o que as bancadas já estão tentando fazer no Congresso que é articular um trabalho político conjunto”, disse Juliano Medeiros, presidente do PSOL.

Além de Medeiros, participaram da reunião os presidentes do PT, Gleisi Hoffmann; PSB, Carlos Siqueira; PCdoB, Luciana Santos, além de partidos menores. O PDT pela primeira vez não enviou representante à reunião do Fórum. Na semana passada Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado na disputa presidencial de 2018, já havia desistido de ir ao ato unificado das centrais sindicais em comemoração ao Dia do Trabalho.

Além da nota conjunta, os presidentes acertaram que vão procurar as direções de entidades como a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), associações de reitores, professores, alunos e prefeitos que podem ser diretamente afetados pelos cortes anunciados pelo governo Bolsonaro.

“A ideia é fazer uma rodada com as entidades para mostrar que o Fórum de presidentes representa não só a oposição ao governo Bolsonaro mas uma corrente política da sociedade brasileira, esquerda, centro-esquerda, e temos todo o direito de procurar a sociedade civil para conversar sobre os problemas do Brasil”, disse Medeiros.

O objetivo inicial é garantir uma grande paralisação em apoio aos professores no dia 15 e ganhar impulso para a greve geral chamada pelas centrais sindicais contra a reforma da previdência no dia 14 de junho.

Para oposição, corte de verba na educação é tiro no pé do governo

Líderes da esquerda avaliam que os cortes profundos na educação podem ter sido um tiro no pé do governo e despertar a revolta dos estudantes. Na semana passada Bolsonaro enfrentou um protesto de centenas de alunos do colégio Dom Pedro II, no Rio. Em Salvador milhares de alunos da Universidade Federal da Bahia foram às ruas contra o contingenciamento de 30% do orçamento anunciado elo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

“Hoje (quarta-feira) praticamente todas as universidades públicas do Brasil estão passando por assembleias”, disse a diretora de Movimentos Sociais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Vic Ferraro.

Desde meados de março, antes portanto do anúncio dos cortes, Guilherme Boulos tem rodado as universidades do país buscando mobilizar estudantes contra as políticas do governo Bolsonaro. Ela já passou por mais de 20 universidades em dez estados. Nesta quarta-feira, 8, ele reuniu mais de duas mil pessoas, segundo os organizadores, no vão livre da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) -- cursos ameaçados de fechamento pelo governo – da USP.

Em seu discurso, ele admitiu a dificuldade da esquerda de “despertar a esperança do povo” – que teria levado à eleição de Bolsonaro – pediu unidade da oposição, apontou os cortes na educação como vetor da indignação contra o governo e exortou os estudantes e transformarem essa indignação em ações concretas.

“A esquerda brasileira que hoje precisa ter a humildade de reconhecer seus erros perdeu a capacidade de despertar a esperança do povo e é por isso que a gente foi derrotado”, disse Boulos. “Tem uma semente aí. Isso vai dar em mais alguma coisa. Este é apenas o começo de um processo de resistência”, completou.

 
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