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28/08/2018

Organização e luta: Bancários impõem derrota à reforma trabalhista

Nesta quarta-feira (29) serão realizadas assembleias com bancários de todo o país para votação da proposta final da mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Pressão dos bancários nas negociações e paralisações nas agências, garantiram renovação da Convenção Coletiva e 5% de aumento. A orientação do Comando é que os trabalhadores aprovem a proposta.

Por Railídia Carvalho

Jailton Garcia/ Contraf CUT Respaldados pela unidade da categoria, bancários iniciaram em junho campanha salarial após Conferência (foto) com ampla representação dos trabalhadores Respaldados pela unidade da categoria, bancários iniciaram em junho campanha salarial após Conferência (foto) com ampla representação dos trabalhadores

Os dirigentes asseguraram toda as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho. Dessa forma, direitos históricos dos bancários que estavam ameaçados serão mantidos. As conquistas da Convenção se estendem a trabalhadores dos bancos públicos e privados, bancários sindicalizados e também não sindicalizados e os hipersuficientes (aqueles com salário superior ao dobro do teto da Previdência Social).

“Renovar a convenção coletiva de trabalho para todos os bancários foi uma grande vitória porque os bancos chegaram na mesa de negociação querendo começar do zero. Avalio que foi uma derrota da reforma trabalhista”, declarou Ivânia Pereira ao Portal Vermelho. Presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, ela também integrou o Comando dos Bancários.

Foram 10 rodadas de negociação desde junho, quando os bancários entregaram a proposta dos trabalhadores para os representantes dos bancos. De início logo uma surpresa, os bancos não aprovaram um pré-acordo garantindo os direitos da convenção. Intransigência que prosseguiu por vários dias. A rodada final de negociação realizada no sábado (25) começou às 18h e se encerrou à 1h da manhã.

Ivânia (segunda, da esquerda para direita) nas primeiras mesas

“É preciso acreditar na luta. Nós lutamos sem trégua, não tivemos final de semana. Mesmo quem não esteve diretamente na reunião do sábado ficou até a madrugada acompanhando. É preciso acreditar na luta. Não existe alternativa para a classe trabalhadora fora da organização e da luta”, enfatizou Ivânia, que também é vice-presidenta da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

O acordo que será apresentado aos bancários nesta quarta é válido por dois anos e o aumento de 5% será incorporado sobre todas as verbas como VA, VR, 13ª Cesta e Auxílio-Creche/Babá.

A Fenaban foi obrigada a recuar na proposta sobre a forma de pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e confirmou o pagamento da verba para todos os trabalhadores, sem o prejuízo às mulheres de licença maternidade e bancários afastados por doença ocupacional, como os bancos propuseram inicialmente.

“A proposta dos bancos para a PLR punia os trabalhadores adoecidos e as mulheres em licença-maternidade. Além de enfrentarmos esse tema também levamos para a mesa de negociação que as mulheres bancárias ganham 26% a menos que os homens executando as mesmas funções”, informou Ivânia. A desigualdade salarial foi detectada em uma consulta feita com as trabalhadoras bancárias.

A Fenaban afirmou desconhecer a situação porém concordou com a realização de um censo de igualdade de gênero nos bancos para identificar essas distorções. “As mulheres ganham menos, sofrem mais assédio moral, sexual e também são as que mais adoecem pelo ambiente de trabalho. Um exemplo da pressão que elas sofrem é que mesmo tendo melhorado a presença das bancárias em cargos gerenciais elas precisam demonstrar sempre mais competência para estar ali”, explicou a dirigente.

Além do censo ficou acordado durante a negociação que será criada uma mesa específica entre trabalhadores e os bancos para debater o impacto da tecnologia entre os bancários assim como os efeitos da reforma trabalhista e da lei da terceirização irrestrita. “Como vale agora o negociado sobre o legislado eles tentaram colocar na Convenção o trabalho intermitente (trabalho por horas quando o empregador convocar), que foi formalizado pela reforma trabalhista. Mas não conseguiram”.

“Os nossos direitos são conquistas. Não são dádivas. Portanto, precisou do empenho em acreditar na força da união e da luta para obter as conquistas”, reiterou Ivânia. “Em determinado momento da rodada poderíamos ter fechado o acordo mais rápido, porém rejeitamos porque nossos patrões estão fora da crise, fora da curva da economia nacional, do setor produtivo. São os empresários que mais lucram no país. Nós conhecemos a realidade e acreditamos na luta dos trabalhadores”.

O setor mais lucrativo da economia nacional chegou a oferecer aos bancários aumento real de 0,5%. Em 2017, os bancos cresceram 33,5% em relação ao ano anterior com lucro de R$ 77,4 bilhões, registrado ano passado. Apenas no primeiro semestre deste ano, os bancos bateram recorde de lucro com R$ 42 bilhões.

 
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