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Quando morremos, nossas almas se tornam livres.
Heráclito
25/07/2018

'Precisamos considerar a quebra da carapuça democrática do Estado Brasileiro depois das eleições'

Raphael Sanz, da Re­dação

Perto de ver Mi­chel Temer com­pletar seu man­dato-tampão, o Brasil ainda vive um clima po­lí­tico bas­tante ins­tável e se es­força para en­tender as causas e con­sequên­cias deste mo­mento tão des­fa­vo­rável para os tra­ba­lha­dores e se­tores po­pu­lares em geral. Sobre esta dura con­jun­tura na­ci­onal e suas pers­pec­tivas, con­ver­samos com o jor­na­lista Pedro Marín, que re­cen­te­mente pu­blicou o livro “Golpe é Guerra: teses para en­terrar 2016”.

“A chave para en­tender o golpe na con­cepção desse livro não é se há crise po­lí­tica ou Ope­ração Lava Jato. Isto, é claro, teve uma im­por­tância, mas a chave é o fato de que os gol­pistas ti­nham um pro­jeto e re­al­mente em­pre­garam seus planos sem ti­tu­bear, co­ra­jo­sa­mente, le­varam às úl­timas ins­tân­cias e não se dis­pu­seram a ne­go­ciar. In­fe­liz­mente, acre­dito que tem fal­tado essa au­dácia na es­querda bra­si­leira”, afirmou.

A partir da aná­lise da prisão do ex-pre­si­dente Lula, Marín dis­cute mu­danças no pen­sa­mento de es­querda e pro­jeta pos­sí­veis ce­ná­rios fu­turos. “A prisão do Lula de­mons­trou que as bases mo­bi­li­zadas têm von­tade de re­sistir e a cú­pula vai evitar a re­sis­tência até o úl­timo mo­mento. Por outro lado, mos­trou também que não basta sim­ples­mente que uma in­jus­tiça ocorra, ou um avanço contra uma fi­gura po­pular, para que as pes­soas – aquelas que não estão nos mo­vi­mentos so­ciais – se mo­bi­lizem. E em ter­ceiro, de­mons­trou que re­al­mente a con­cepção de con­fiar na via ins­ti­tu­ci­onal, na re­so­lução dos con­flitos por via ju­di­cial não tem li­mites dentro do Par­tido dos Tra­ba­lha­dores – e o Lula rei­terou isso jus­ta­mente no mo­mento em que es­tava sendo preso, di­zendo con­fiar na jus­tiça”, afirmou.

Em re­lação às elei­ções na­ci­o­nais de ou­tubro, o jor­na­lista não acre­dita em uma re­vi­ra­volta na can­di­da­tura de Lula e pre­o­cupa-se com o fato de di­versos agru­pa­mentos es­tarem se mo­bi­li­zando in­ten­si­va­mente em torno de uma eleição pra­ti­ca­mente per­dida, en­quanto o outro lado já pode até ter ar­ti­cu­lado al­guma coisa pró­xima de uma ‘saída au­to­ri­tária’, como de­fine.

“É um ce­nário muito in­de­fi­nido e ins­tável. As es­querdas não de­ve­riam estar pen­sando tanto em elei­ções. Desde que Temer tomou o poder o papel dos mi­li­tares na po­lí­tica bra­si­leira tem cres­cido muito. É um pa­ra­doxo muito grande e a es­querda não está tra­ba­lhando com a pos­si­bi­li­dade de uma quebra dessa ca­ra­puça de­mo­crá­tica – isso pode nos custar muito, muito mesmo, não só em termos de pro­jeto, mas em termos de li­ber­dades po­lí­ticas bá­sicas”.

Leia, a se­guir, a en­tre­vista com Pedro Marín na ín­tegra.

In­serir foto: Pedro Marín

Cor­reio da Ci­da­dania: No seu livro “Golpe é Guerra” você aponta al­guns fa­tores que au­xi­li­aram a cons­trução de um clima po­lí­tico pro­pício para a quebra da le­ga­li­dade/nor­ma­li­dade, o que per­mitiu que uma série de eventos ou­trora ex­tra­or­di­ná­rios pu­desse acon­tecer em sequência. Re­su­mi­da­mente, como des­creve tal pro­cesso?

Pedro Marín: Para co­meçar, tí­nhamos o início de uma crise econô­mica que já apa­recia como mais dura do que as en­fren­tadas du­rante os go­vernos Lula. E em mo­mento de crise econô­mica, também apa­rece a crise po­lí­tica.

Além disso, um fator im­por­tante na minha con­cepção é que nas elei­ções de 2014, por conta da crise, ti­vemos uma di­fe­rença entre os votos de Dilma e Aécio que foi muito pe­quena. Isso deixou a dis­puta po­lí­tica muito acir­rada e eu acre­dito que nesse mo­mento se de­finiu que ‘se há um mo­mento para re­tomar o nosso pro­jeto e im­pedir que o pro­jeto pe­tista se ar­raste por mais quatro anos, é agora, pois temos um go­verno en­fra­que­cido pela crise econô­mica e pelo au­mento de ma­ni­fes­ta­ções’.

Houve junho de 2013, o mo­vi­mento no campo também es­tava dando uma re­a­ti­vada, houve também mo­bi­li­za­ções na ci­dade no sen­tido de cons­truir greves. Era um mo­mento per­feito para os gol­pistas, pois seu ini­migo, o go­verno pe­tista, es­tava en­fra­que­cido. Gos­taria de dizer também que este mo­mento po­deria ter sido apro­vei­tado pelo go­verno para se for­ta­lecer, mas o que ocorreu foi o con­trário.

Agora, na cons­trução do golpe, ti­vemos uma série de mo­mentos-chave. Aquela vo­tação da fle­xi­bi­li­zação do or­ça­mento foi muito im­por­tante, e as pes­soas não cos­tumam dar a im­por­tância de­vida porque foi logo de­pois das elei­ções, da vi­tória da Dilma. Também na­quela época o Aécio Neves já fa­lava em ‘deixar a Dilma no chão’, a opo­sição foi se or­ga­ni­zando, co­meçou a formar seu con­luio que, em úl­tima ins­tância, foi dar na eleição do Edu­ardo Cunha para pre­si­dente da Câ­mara.

Cor­reio da Ci­da­dania: Qual o papel dos grandes meios de co­mu­ni­cação?

Pedro Marín: Os meios de co­mu­ni­cação ti­veram um papel-chave – e isso não sou eu que falo, nem só ra­di­cais de es­querda que falam – até o Re­pórter Sem Fron­teiras afirmou que os meios de co­mu­ni­cação no Brasil tra­ba­lharam ati­va­mente pela der­ru­bada da Dilma. E aí o que acho in­te­res­sante ana­lisar é que se formou, por um lado, um con­luio entre o Ju­di­ciário, a Ope­ração Lava Jato e a im­prensa.

Ao passo que a Lava Jato era tema na im­prensa, ela se for­ta­lecia com a co­ber­tura. Por outro lado, houve um con­luio entre os mo­vi­mentos ‘so­ciais’ (com muitas aspas) que sur­giram de úl­tima hora – como o MBL, o Vem Pra Rua e ou­tras si­glas – e a mídia, que também co­lo­cava ga­so­lina na fo­gueira deles, in­ci­tando re­al­mente as pes­soas a to­marem parte nas ma­ni­fes­ta­ções. Uma coisa que só tinha acon­te­cido na his­tória re­cente em 2013. A partir de uma certa época de 2013, mais para o fim de junho, quando a Globo por exemplo ‘muda’ a opi­nião dela, junto com a Folha e o Es­tadão, da noite pro dia. Não por acharem que as pautas fossem justas, mas com vistas a criar este clima do qual es­tamos fa­lando.

O pro­blema é que os go­vernos pe­tistas não se li­ber­taram da ali­ança suja com os grandes meios, ainda que ti­vessem uma po­lí­tica de in­cen­tivo a veí­culos me­nores, no fim do pri­meiro e no se­gundo man­dato do Lula, mesmo tal po­lí­tica sendo algo muito pe­queno perto do grande pro­blema.

As pes­soas pre­cisam ter em mente que a fa­mília Ma­rinho, por exemplo, surge com o jornal O Globo, mas se for­ti­ficou na di­ta­dura com um mo­vi­mento com­ple­ta­mente ilegal, que foi um in­ves­ti­mento da Time. Isso pos­si­bi­litou à fa­mília Ma­rinho ser a mais po­de­rosa do Brasil hoje. Um pro­blema gra­vís­simo para ser en­fren­tado. É uma for­tuna que está cal­cu­lada em torno de 28 bi­lhões de dó­lares, uma coisa ab­surda que in­fe­liz­mente os go­vernos pe­tistas não en­fren­taram.

É óbvio que se ti­vessem en­fren­tado iam ter contra si a re­volta dos que re­cen­te­mente deram o golpe, mas é me­lhor ter essa re­volta contra si quando o go­verno es­tava for­ti­fi­cado, ou seja, quando tinha aca­bado de eleger uma fi­gura no­tória como o Lula ou mesmo no pri­meiro man­dato da Dilma, do que ter de en­frentar tal si­tu­ação quando está fra­gi­li­zado, a pos­te­riori, sendo gol­peado e não gol­pe­ando.

Cor­reio da Ci­da­dania: Como avalia a Ope­ração Lava Jato? Acre­dita na noção de um novo pa­tamar de ju­di­ci­a­li­zação e mi­di­a­ti­zação da po­lí­tica?

Pedro Marín: O que acho in­te­res­sante da Lava Jato é que ela pa­rece re­al­mente o centro da or­ga­ni­zação de tudo isso. Ela cria a fi­gura es­tra­nhís­sima do de­lator. A maior parte dos em­pre­sá­rios que es­tava en­vol­vida nos es­quemas de cor­rupção acabou se co­lo­cando em si­tu­ação muito fa­vo­rável para si em re­lação aos crimes que co­me­teram, por conta da de­lação.

Outra coisa digna de ci­tação – não vou cravar pois não ana­lisei pro­fun­da­mente – é a re­lação que a Ope­ração Lava Jato tem com os Es­tados Unidos. O Moro mesmo fez um trei­na­mento fi­nan­ciado pelo De­par­ta­mento de Es­tado norte-ame­ri­cano jus­ta­mente sobre com­bate a cor­rupção, car­téis etc.

Vol­tamos para a questão an­te­rior, pois a Lava Jato for­ti­fica e é for­ti­fi­cada pela mídia, e no fim as duas for­ti­ficam um dis­curso que na­quele mo­mento era pró-golpe. O que acho im­por­tante notar é que a gra­vi­dade da ju­di­ci­a­li­zação da po­lí­tica por um lado per­mite que você per­ceba seus ini­migos aber­ta­mente, e por outro cria uma ca­ra­paça de le­ga­li­dade e nor­ma­li­dade.

Ou seja, está en­fren­tando ini­migos, mas pa­rece que é tudo do jogo de­mo­crá­tico e que se se es­tiver cum­prindo a lei está tudo normal. Ao mesmo tempo, é muito es­tranho que uma Ope­ração Lava Jato, por exemplo, tenha ido tão pro­fun­da­mente nos man­datos pe­tistas sem ter se apro­fun­dado tanto em ou­tros par­tidos.

Cor­reio da Ci­da­dania: Acre­dita ser pos­sível uma re­pe­tição desse pro­cesso ou algo se­me­lhante, como você até des­creve no pri­meiro ca­pí­tulo do livro, após as elei­ções desse ano, uma vez que no­va­mente não vemos um grande con­senso elei­toral sendo cons­truído nas bases da so­ci­e­dade?

Pedro Marín: Re­al­mente o ce­nário elei­toral é bas­tante obs­curo. Quando eu co­loco a questão da eleição é porque por um lado existia uma di­visão real na so­ci­e­dade, mas o mais im­por­tante é que aquilo ex­pli­citou para se­tores que já ti­nham in­te­resses em se mo­vi­mentar para der­rubar o go­verno que era o mo­mento certo para tal. Se não estou en­ga­nado, na eleição an­te­rior foram 12 pontos per­cen­tuais de di­fe­rença na vo­tação do se­gundo turno e na de 2014 foram apenas 3, uma margem muito pe­quena.

A grande questão para as elei­ções é que pode, sim, haver algo pa­re­cido. Com a so­ci­e­dade bas­tante di­vi­dida, os gol­pistas têm um pro­blema: o plano econô­mico deles não se sus­tenta po­li­ti­ca­mente a médio prazo. Terão de criar farsas e co­locar novas fan­ta­sias para ver se con­se­guem levar a casa.

Por um lado o Bol­so­naro, por outro o Alckmin, que é o re­pre­sen­tante ‘A’ dessa coisa velha, mas que também tenta se re­novar. Se houver uma di­visão grande, ou seja, uma pe­quena di­fe­rença na margem de votos, a questão é se as es­querdas ou os de­mo­cratas vão ter a au­dácia de levar a cabo seu pro­jeto como os gol­pistas le­varam o deles em 2015.

A chave para en­tender o golpe na con­cepção do livro não é por ter muita di­visão, crise po­lí­tica ou Ope­ração Lava Jato. Isto, é claro, teve uma im­por­tância, mas a questão é que eles re­al­mente em­pre­garam seus planos sem ti­tu­bear, co­ra­jo­sa­mente, e le­varam às úl­timas ins­tân­cias – e não se dis­pu­seram a ne­go­ciar.

Se ti­vermos uma eleição no mí­nimo si­milar à de 2014 e ti­vermos co­ragem de fazer isso, entre as es­querdas, aí sem dú­vidas po­de­ríamos re­petir o ex­pe­di­ente, para o “nosso lado”. Mas in­fe­liz­mente acre­dito que tem fal­tado a au­dácia ne­ces­sária na es­querda bra­si­leira.

Cor­reio da Ci­da­dania: Ao longo dos ca­pí­tulos 2 e 3, você apre­senta uma tese, a partir de uma re­flexão de pers­pec­tiva his­tó­rica, de que quem não está pronto e com von­tade de lutar, acaba per­dendo a dis­puta – jus­ti­fica por aí, in­clu­sive, o triunfo do golpe, por conta de uma es­pécie de re­cusa ao con­fronto po­lí­tico por parte das forças de es­querda. A partir dessa visão, como ex­pli­camos o fato de que apenas um ano de­pois da posse de Mi­chel Temer é que ti­vemos uma cha­mada de greve geral?

Pedro Marín: É um ponto de­li­cado porque é aquela coisa: eu não sou di­ri­gente de cen­tral sin­dical, de modo que podem vir me acusar de al­guma coisa. Mas nesse mo­mento, em que as bases pe­tistas estão per­ce­bendo que re­al­mente a inação dentro do par­tido, as li­de­ranças têm re­pe­tido muito o dis­curso de que ‘di­ri­gente sabe de coisas que vocês não sabem, tem que con­fiar neles’.

O pró­prio Lula já deu de­cla­ra­ções no sen­tido de que ‘po­díamos ter mo­bi­li­zado as pes­soas, po­díamos ter feito o en­fren­ta­mento, mas não fi­zemos porque eu acre­dito muito na ins­ti­tu­ci­o­na­li­dade, na Jus­tiça etc.’, ou seja, o pró­prio Lula re­co­nhece que não era uma falta de ca­pa­ci­dade de mo­bi­lizar, mas uma falta de von­tade.

E mesmo que ti­vesse ocor­rido uma di­fi­cul­dade das cen­trais sin­di­cais de mo­bi­lizar, também seria algo grave e sin­to­má­tico. O cál­culo era o se­guinte: a gente con­quista o go­verno e daí pre­ci­samos de al­guém para nos ajudar a levar a cabo nosso pro­jeto. As cen­trais sin­di­cais e o MST eram esses atores, só que o que acon­teceu à me­dida que o PT con­quistou o go­verno foi o con­trário.

O Aldo For­na­zieri fala de um di­ri­gente pe­tista que, reu­nido com ele, disse que tinha um certo mo­mento em que achavam que os mo­vi­mentos so­ciais cau­sa­riam pro­blemas ao go­verno. O go­verno e os di­ri­gentes pe­tistas ten­taram acalmar os ânimos, ao invés de fazer o con­trário. Ao invés de fazer, por exemplo, a con­cepção que o Bri­zola tinha, de criar a cisão, o mo­vi­mento querer ir mais pra frente e o go­verno deixar avançar.

Nesse sen­tido é gra­vís­simo que só em 2017 tenha tido uma greve geral, que foi im­por­tante. Na época o go­verno Temer saiu dando de­cla­ra­ções de que a greve tinha sido um fra­casso, mas não dá pra com­prar o dis­curso. Eu es­tava em Santos e acom­pa­nhei a mo­vi­men­tação dos es­ti­va­dores.

Ve­jamos por exemplo a greve de ca­mi­nho­neiros, ao que tudo in­dica di­ri­gida, sim, por or­ga­ni­za­ções pa­tro­nais, mas também por tra­ba­lha­dores, mo­bi­li­zada de uma forma meio ma­luca, por what­sapp etc. Ainda assim, a greve dos ca­mi­nho­neiros teve um re­sul­tado de­sas­troso para o go­verno Temer, muito mais do que qual­quer greve que tenha par­tido da es­querda nos úl­timos tempos. Acho isso de­sas­troso, mas a His­tória ainda vai de­mons­trar se de fato podia ter ha­vido mo­bi­li­zação ou não. De toda forma, rei­tero, há res­pon­sa­bi­li­dade po­lí­tica.

Mesmo que a afir­mação do Lula seja in­cor­reta (de que não se quis mo­bi­lizar), e no caso seria uma falta de ca­pa­ci­dade de mo­bi­li­zação, a si­tu­ação diz muito sobre o PT, tendo em vista que o par­tido nasceu de mo­bi­li­za­ções e re­a­lizou mo­bi­li­za­ções ina­cre­di­tá­veis na dé­cada de 80. É grave.

Também houve aquela aco­mo­dação no go­verno, o dis­curso de que ‘a gente não pre­cisa mais fazer dis­puta po­lí­tica, porque con­se­guimos o poder’. É im­por­tante frisar que eles con­se­guiram o go­verno, mas o poder, em úl­tima ins­tância, nunca con­segue to­tal­mente, tem sempre de brigar porque sempre vai ter al­guém que­rendo tomá-lo.

Por­tanto, dei­xaram os mo­vi­mentos so­ciais de lado, mi­li­taram muito na ins­ti­tu­ci­o­na­li­dade, na re­so­lução de con­flitos por meio de ne­go­ci­a­ções, na tese re­pu­bli­cana e aban­do­naram o que era fonte pri­o­ri­tária, tanto de iden­ti­dade quanto de força do Par­tido dos Tra­ba­lha­dores, que eram os mo­vi­mentos po­pu­lares.

Cor­reio da Ci­da­dania: Como ana­lisa a re­cente prisão do ex-pre­si­dente Lula em meio a essa con­jun­tura e a re­ação po­pular a este evento de enorme peso his­tó­rico?

Pedro Marín: Pri­meiro quero re­gis­trar que apesar das mi­nhas crí­ticas, que podem ser to­madas como muito fortes, tenho um apego pelos go­vernos do PT que chega a um ponto quase sen­ti­mental porque fui um be­ne­fi­ciado di­reto desses go­vernos. Só pude en­trar na uni­ver­si­dade, por exemplo, por conta do Prouni. É ine­gável que a minha si­tu­ação pes­soal, e da minha fa­mília, me­lhorou du­rante os go­vernos. E o Lula, sem dú­vida, é uma li­de­rança im­por­tante. Tanto é que mesmo preso li­dera as pes­quisas.

E jus­ta­mente por conta disso, por ser uma fi­gura hábil na po­lí­tica apesar dos erros, é que ti­nham de dar um jeito de tirá-lo da cor­rida elei­toral. A prisão foi a ma­neira en­con­trada. Acre­dito que re­al­mente não tem essa de in­sistir na can­di­da­tura do Lula, pois ainda que tenha um sen­tido po­lí­tico, não vai acon­tecer. Eu es­pero que o PT, apesar de afirmar que está com Lula até o final, tenha isso em mente. Porque não faria sen­tido os gol­pistas se mo­bi­li­zarem todo esse tempo, desde o final de 2014, der­ru­barem a pre­si­dência, des­truírem as or­ga­ni­za­ções de es­querda e pren­derem o Lula para, aos 45 do se­gundo tempo, dei­xarem o Lula se can­di­datar e muito pro­va­vel­mente ga­nhar as elei­ções. Não faria sen­tido os gol­pistas agirem assim, seria como eles darem um passo atrás, sem que a gente tenha um dado à frente. E na po­lí­tica, e em es­pe­cial em tempos de crise, o ini­migo só dá um passo atrás se você der um pra frente.

É evi­dente que a prisão do Lula tem um sen­tido: im­pedir que ele ganhe as elei­ções.

Em re­lação à re­ação po­pular, quando houve a prisão dele ali no sin­di­cato dos me­ta­lúr­gicos, vi duas coisas in­te­res­santes. A pri­meira é que as pes­soas que foram até lá ti­nham po­si­ções po­lí­ticas muito am­plas, muito di­fe­rentes umas das ou­tras, de­mons­trando que existe uma im­por­tância his­tó­rica ali que vai além do pro­jeto pe­tista.

A se­gunda coisa in­te­res­sante nesse caso é que teve uma mo­bi­li­zação no sen­tido dele não se en­tregar quando teria de se en­tregar. Um grupo blo­queou o portão e não queria deixá-lo sair. Isso de­monstra, ainda que seja um caso pe­queno, e ainda que re­al­mente não ti­vesse muito o que se fazer em úl­timo caso, que existe uma von­tade nas bases pelo con­flito, que as bases en­ten­deram que vai ter um mo­mento em que vai pre­cisar bater o pé e que não adi­anta ficar na mesma la­dainha de tentar re­solver as coisas pela via ins­ti­tu­ci­onal.

Aquele era um mo­mento, na minha con­cepção, em que os po­li­ciais fe­de­rais iam ter que cum­prir o man­dato e prender o homem. Mas se hou­vesse re­sis­tência seria criado um fato po­lí­tico. Se o Lula por exemplo fa­lasse que não ia, que eles te­riam de buscá-lo lá, seria criado um fato po­lí­tico e poder-se-ia re­per­cutir a mo­bi­li­zação po­pular em torno disso e ao mesmo tempo jogar um pro­blema na mão do Moro – não o con­trário.

Outra coisa que acho en­gra­çada: o Moro de­cretou a prisão um dia de­pois do jul­ga­mento no STF e ao que pa­rece, pelas in­for­ma­ções que tive, in­clu­sive da grande im­prensa, as cú­pulas pe­tistas achavam que ele iria de­morar mais para de­cretar a prisão. E isso é re­al­mente um erro muito pu­eril – Ma­qui­avel tratou disso in­sis­ten­te­mente. Quando o Prín­cipe tinha que fazer al­guma mal­dade ou tomar uma me­dida que não fosse po­pular, ele to­mava logo, e tudo de uma vez, todas as que teria que tomar.

Em re­sumo, é mais ou menos o se­guinte: a prisão do Lula de­mons­trou que as bases mo­bi­li­zadas têm von­tade de re­sistir e a cú­pula vai evitar a re­sis­tência até o úl­timo mo­mento. Por outro lado, mos­trou também que não basta sim­ples­mente que uma in­jus­tiça ocorra, ou que um avanço contra uma fi­gura po­pular ocorra, para que as pes­soas no geral – que não estão nos mo­vi­mentos so­ciais – se mo­bi­lizem. E em ter­ceiro, de­mons­trou que re­al­mente a con­cepção de con­fiar na via ins­ti­tu­ci­onal, na re­so­lução dos con­flitos por via ju­di­cial – e o Lula rei­terou isso jus­ta­mente no mo­mento em que es­tava sendo preso – não tem li­mites dentro do Par­tido dos Tra­ba­lha­dores.

Cor­reio da Ci­da­dania: Você tem a sen­sação de que a es­querda aqui abor­dada teve a chance de em­purrar o man­dato de Temer para o pre­ci­pício e por al­guma razão não quis assim?

Pedro Marín: Se não houve essa chance nos úl­timos dois anos, houve agora com a greve dos ca­mi­nho­neiros. Essa greve re­al­mente teve um im­pacto muito grande sobre o go­verno Temer, tão grande que até de­pu­tados do PSDB se mo­bi­li­zaram na Câ­mara, fa­laram com o Ro­drigo Maia, di­zendo que o go­verno vai cair, que pre­ci­savam fazer algo. Temos in­for­ma­ções de que tanto no Se­nado quanto na Câ­mara o clima era de que o go­verno iria cair e havia certo de­ses­pero por parte dos par­la­men­tares em en­tender o que acon­te­ceria.

Por um lado ti­vemos a greve dos pe­tro­leiros. A FUP chamou a greve na­quele mo­mento, o que eu achei uma de­cisão acer­tada. Mas tenho a im­pressão de que aos 45 do se­gundo tempo a CUT e os mo­vi­mentos so­ciais de­ci­diram ser um pouco mais cui­da­dosos com as mo­bi­li­za­ções deles, por medo – e acho que é um medo le­gí­timo, ainda que po­li­ti­ca­mente seja inócuo – da re­ação dos mi­li­tares. Na­quele mo­mento não só ti­nham os grupos que fa­ziam a ideia de in­ter­venção mi­litar apa­recer e in­flu­en­ciar os ca­mi­nho­neiros, como pa­ra­le­la­mente – e a Abin está in­ves­ti­gando – havia apa­ren­te­mente a par­ti­ci­pação de mi­li­tares de baixo es­calão, de po­lí­cias mi­li­tares e exér­cito.

De toda forma foi um erro, pois houve a chance de jogar o Temer no pre­ci­pício e não o fi­zeram. Acho le­gí­timo o medo, en­tendo, mas é um erro, pois quando a gente deixa de se mo­bi­lizar por medo da re­ação do ini­migo, é sinal de que já es­tamos sob seu con­trole.

O mo­mento era de mo­bi­lizar as bases e apostar na greve dos pe­tro­leiros com toda força para re­al­mente der­rubar o Temer. Era com­ple­ta­mente pos­sível, era o me­lhor mo­mento, evi­den­te­mente re­pre­sen­tava certos riscos, mas po­lí­tica é isso. Tem até uma frase do Sê­neca sobre o as­sunto: a co­ragem leva às es­trelas e o medo à morte. E re­al­mente, não tem outra saída. Pode ser que te­nhamos medo, mas temos de ter co­ragem.

Cor­reio da Ci­da­dania: O que é pre­ciso mudar no de­bate de es­querda em geral, tendo em vista os su­ces­sivos fra­cassos po­lí­ticos e dis­cur­sivos?

Pedro Marín: Um ponto que eu sempre rei­tero é que a es­querda tem uma certa mania de tentar lidar com as ques­tões, mesmo quando são es­sen­ci­al­mente prá­ticas, de uma ma­neira muito abs­trata. Tenta fazer com que a re­a­li­dade se en­caixe nas abs­tra­ções teó­ricas (que são re­al­mente im­por­tantes para pensar ou­tros pro­jetos) e não o con­trário.

Na minha con­cepção, com a re­de­mo­cra­ti­zação surgiu na­quele mo­mento um mo­vi­mento de es­querda que não era exa­ta­mente a con­ti­nu­ação do mo­vi­mento de re­sis­tência que se formou em 1964 (e teve como re­pre­sen­tantes La­marca e Ma­righella, por exemplo, tanto a guer­rilha ur­bana quanto rural, a en­tender que se se houve a quebra da le­ga­li­dade, havia de se re­correr às armas, pois era um di­reito ina­li­e­nável re­sistir a um go­verno sem le­gi­ti­mi­dade). O que en­tendo é que no final da dé­cada de 70, e na se­guinte, co­meçou a se formar, in­clu­sive e prin­ci­pal­mente em se­tores da bur­guesia, a ne­ces­si­dade de fazer uma aber­tura. E a es­querda foi com­ple­ta­mente en­cam­pada ide­o­lo­gi­ca­mente nesse mo­mento, quando nas­ceram as teses do re­pu­bli­ca­nismo, da con­ci­li­ação de classes. A meu ver, algo grave.

O grande ponto é que a es­querda pre­cisa en­tender que os ini­migos dela vão estar sempre pen­sando es­tra­te­gi­ca­mente, na di­nâ­mica do poder, em como for­ta­lecer o seu poder ou como fra­gi­lizar o ini­migo. É uma coisa que as es­querdas não podem deixar de fazer nunca, jus­ta­mente pela con­dição delas: de es­querda. Elas vão ter, ao con­trário dos re­pre­sen­tantes do es­ta­blish­ment, in­de­pen­den­te­mente de fi­li­ação par­ti­dária, todo o status de ini­migo. Vão ter todos os se­tores do es­ta­blish­ment contra si, por­tanto, é fun­da­mental ter pen­sa­mento es­tra­té­gico. Não tem como a es­querda con­ti­nuar com essa coisa de pro­nun­ciar que ‘vai ficar tudo bem’. Não vai ficar tudo bem a não ser que to­memos o des­tino nas nossas mão.

Cor­reio da Ci­da­dania: Na sua ava­li­ação, o que po­demos es­perar do ce­nário po­lí­tico-elei­toral bra­si­leiro para esse ano?

Pedro Marín: A prin­cípio acho que as elei­ções têm um pa­ra­doxo muito grande: ao passo que são as elei­ções mais im­por­tantes talvez dos úl­timos 30 ou 40 anos, são também as menos im­por­tantes. Porque por um lado houve um golpe e isso traz im­por­tância para às elei­ções, mas por outro lado elas não vão de­finir ne­nhum rumo a não ser o rumo dado pelo golpe.

O que eu acho é que o Lula não vai con­se­guir sair can­di­dato e nesse ce­nário vamos ter um pro­blema porque por um lado temos o cres­ci­mento da can­di­da­tura do Bol­so­naro, que é forte, ainda a médio prazo não se sus­tente; por outro lado, na es­querda, pelas pes­quisas temos pouquís­simas forças sem o Lula. Temos o Ciro Gomes que tem se mo­bi­li­zado no sen­tido de con­se­guir fazer al­guma con­ci­li­ação – pra mim a es­colha do vice de­monstra que ele não pla­neja ir muito além do pro­jeto de con­ci­li­ação. Talvez ele tenha mais pre­o­cu­pação com se­tores es­tra­té­gicos, pense mais nesse tipo de coisa, mas o fato é que ele fi­caria refém da po­lí­tica de con­ci­li­ação que em úl­tima ins­tância nos levou ao golpe. Isso sem contar can­di­da­turas como do Alckmin, entre ou­tros.

É um ce­nário muito in­de­fi­nido e ins­tável. As es­querdas não de­ve­riam estar pen­sando tanto em elei­ções, porque o que re­al­mente me as­susta é o se­guinte: desde que o Go­verno Temer tomou o poder o papel dos mi­li­tares na po­lí­tica bra­si­leira tem cres­cido muito, muito mesmo.

Em geral, as pes­soas foram per­ceber com a in­ter­venção fe­deral no Rio de Ja­neiro, mas temos de lem­brar que em 2017 ti­vemos aquela re­be­lião do sis­tema pri­si­onal no RN, acom­pa­nhada por uma greve po­li­cial no ES: na­quele mo­mento o exér­cito in­terviu em ambos os es­tados. Ti­vemos o re­nas­ci­mento do ga­bi­nete de se­gu­rança ins­ti­tu­ci­onal sob o go­verno Temer e a fi­gura do Et­che­goyen, ao que pa­rece o prin­cipal con­se­lheiro po­lí­tico do Go­verno: um mi­litar que tem his­tó­rico fa­mi­liar um pouco sujo, pra usar de um eu­fe­mismo. De­pois, ti­vemos o Ge­neral Mourão dando de­cla­ra­ções de que se o pro­blema po­lí­tico não for re­sol­vido nas ins­ti­tui­ções o exér­cito teria de fazer al­guma coisa – uma de­cla­ração em um en­contro pri­vado que acabou va­zando pra im­prensa.

Temos ainda o Ge­neral Villas-Boas que muitos viam como um de­mo­crata, mas que tem mos­trado nos úl­timos meses que não é nada disso. Em pleno jul­ga­mento do Lula no STF, deu uma de­cla­ração ame­a­çando o STF; cinco mi­nutos de­pois a de­cla­ração saiu no Jornal Na­ci­onal, uma coisa re­al­mente es­pan­tosa. As equipes de re­por­tagem do Jornal Na­ci­onal re­al­mente são muito rá­pidas e con­se­guem de­finir a im­por­tância da pauta apesar de todo o imo­bi­lismo que a TV impõe aos jor­na­listas...

Mas, de qual­quer ma­neira, me pa­rece que os gol­pistas não estão dis­postos a con­ceder. E eles têm a carta au­to­ri­tária na manga. Até o mo­mento todas as mo­vi­men­ta­ções deles re­al­mente têm se tra­ves­tido de mo­vi­men­ta­ções de­mo­crá­ticas e ins­ti­tu­ci­o­nais. O golpe foi dado em con­luio entre a mídia, mo­vi­mentos so­ciais (entre muitas aspas) e a ope­ração Lava Jato. Por um lado é a mídia re­por­tando, uma mídia que ‘sempre apre­senta os dois lados’ – como se vende; em se­gundo lugar, a Lava Jato está ‘de­fen­dendo o legal’, ela não passa a ideia de que está ata­cando a le­ga­li­dade e co­me­tendo ir­re­gu­la­ri­dades, pelo con­trário, para a maior parte das pes­soas, pelo menos na­quele mo­mento, a Ope­ração Lava Jato re­al­mente era mo­ra­lís­sima; e por um ter­ceiro lado, esses tais mo­vi­mentos também se ma­ni­festam pa­ci­fi­ca­mente com ampla co­ber­tura e apoio.

Ou seja, se fan­ta­si­aram de de­mo­cratas para levar a cabo o golpe. E temos de nos lem­brar que muitas vezes isso acon­teceu. O golpe de 64 não nasceu do nada e também na­quela oca­sião ti­vemos a Marcha da Fa­mília com Deus, que pa­recia muito de­mo­crá­tica, mas foi fi­nan­ciada pelo IPES-IBAD por meio da cam­panha da Mu­lher pela De­mo­cracia, para criar a cisão na­quele mo­mento.

O que pre­ci­samos en­tender é que as elites não são es­sen­ci­al­mente ou aber­ta­mente au­to­ri­tá­rias e nem es­sen­ci­al­mente e aber­ta­mente de­mo­cratas. Elas têm al­guma es­sência au­to­ri­tária porque o pro­jeto delas pra mai­oria, pra 99% da po­pu­lação, é au­to­ri­tário, mas se fan­ta­siam de de­mo­crá­ticos e às vezes en­ganam. E no mo­mento atual há a pos­si­bi­li­dade de ter um can­di­dato que, eleito, pode que­brar o pro­jeto deles, pode fazê-los despir dessa ca­ra­puça de­mo­crá­tica. Aí te­remos um pro­blemão, pois vamos ter pas­sado meses nos mo­bi­li­zando para fazer cam­panha po­lí­tica para eleger um pre­si­dente, en­quanto eles já vão ter a carta das armas e do au­to­ri­ta­rismo na manga. Já vão ter pen­sado nas armas e não em de­li­ca­dezas, como disse Ma­qui­avel.

É um pa­ra­doxo muito grande e eu acre­dito re­al­mente que a es­querda não está tra­ba­lhando com tal pos­si­bi­li­dade, de uma quebra dessa ca­ra­puça de­mo­crá­tica – e isso pode nos custar muito, muito mesmo, não só em termos de pro­jeto, mas em termos de li­ber­dades po­lí­ticas bá­sicas.

As pes­soas re­al­mente não ima­gi­navam os mi­li­tares re­to­mando esse poder, e em úl­tima ins­tância, era um tabu – e era para ser um tabu – in­clu­sive quando se tem re­gu­la­mentos in­ternos do exér­cito re­gu­lando tal tipo de pos­tura, mas ao mesmo tempo vemos mi­li­tares do alto es­calão fa­zendo de­cla­ra­ções po­lí­ticas. Era im­pen­sável há quatro anos, agora não é mais. É muito grave, pois es­ta­remos nos mo­bi­li­zando, dando todo nosso sangue e suor para eleger al­guém e, se con­se­guirmos eleger esse al­guém, não tenho dú­vidas de que as elites irão que­brar a ca­ra­puça de­mo­crá­tica.

Raphael Sanz é jor­na­lista e editor-ad­junto do Cor­reio da Ci­da­dania.

Fonte: Correio da Cidadania
 
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