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03/07/2018

Sociedade polarizada exige novas formas de organização, diz Pochmann

Economista e presidente da Fundação Perseu Abramo falou sobre seu mais recente livro na UFABC. 'Tem uma espécie de polarização entre os muito ricos e uma massa submetida a ocupações precárias', afirma.

Pochmann: processo que combinava democracia, crescimento econômico e desenvolvimento social foi interrompido em 2016

São Paulo – O presidente da Fundação Perseu Abramo, o economista Marcio Pochmann, esteve no campus de São Bernardo do Campo da Universidade Federal do ABC (UFABC) para discutir o seu mais recente livro, Capitalismo, Classe Trabalhadora e Luta Política no Início do Século XXI (2017), escrito em parceria com o professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Reginaldo Moraes. “O livro trata da forma de organização social e política na atualidade”, diz Pochmann.

Segundo o economista, a hipótese central da obra é que “estamos em uma sociedade muito diferente daquela que veio ao final do século 20, que era organizada em torno da indústria, com forte presença de uma classe trabalhadora industrial, uma classe média assalariada". "Essa sociedade que estamos buscando assentar é baseada em serviço.”

Esse modelo altera a forma como instituições que organizam a sociedade em torno de objetivos comuns atuam. “Tem uma espécie de polarização entre os muito ricos e uma massa na base da pirâmide salarial submetida a ocupações muito precárias, cujas condições de trabalho não são as melhores”, afirma.

“Essa nova sociedade polarizada demanda novas formas de organização e novas formas de sustentação, questionando as instituições herdeiras da organização social, como sindicatos, partidos, associações. Há um vazio que percebemos pela presença de outras instituições, como o crime organizado e igrejas”, completa o economista.

Acontece que, de acordo com o economista, existem forças que atuam para a manutenção de privilégios de setores da sociedade, enquanto outras buscam costurar um pacto social mais igualitário. Estas últimas vêm sofrendo ataques recentes, como explica, tomando o Brasil como exemplo. “O Brasil vinha convergindo para um projeto interessante de país que combinava democracia, crescimento econômico, desenvolvimento social, ou seja, uma sociedade menos desigual. Esse projeto foi interrompido de maneira abrupta por um golpe político em 2016.”

“Esse projeto dos últimos dois anos têm uma série de alianças com interesses estrangeiros. A concessão do petróleo, por exemplo, foi muito mais para satisfazer esses interesses. Durante os governos do PT, de Lula e Dilma, durante 13 anos, o preço do combustível subiu 18 vezes. Com Temer, em dois anos, subiu 229 vezes. Demonstração clara de interesses divergentes em termos de projeto de país. Todos estamos sendo convidados a definir que sociedade queremos e a democracia parece ser a melhor saída para isso nas eleições do fim do ano”, concluiu.

A obra está disponível para download gratuito no site da editora da Fundação Perseu Abramo.

 
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