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Suas ações não deveriam ser determinadas pelos desejos daqueles que estão à sua volta, mas pelas necessidades de toda a humanidade
Leon Tolstoi
11/06/2018

O capital financeiro quer impor seu presidente da República

A forte turbulência vivada pelo mercado financeiro nos últimos dias é uma ilustração didática da gravidade da crise brasileira e da hipocrisia do governo golpista e dos setores financeiros que o dominam e usam o poder de Estado para pilhar os cofres públicos.

As explicações dos analistas do chamado “mercado” (isto é, do grande capital especulativo) ilustram a perplexidade da direita ante o quadro eleitoral que se desenha no país. Um desses analistas, o ex-presidente do Banco Central do governo FHC Armínio Fraga, foi direto ao indicar que "caiu a ficha!", referindo-se à crise, que vê como fiscal e política. "Se não está quebrado, o governo está vivendo do cheque especial e a dívida cresce em uma bola de neve", avaliou.

Quadro agravado, em sua opinião, num cenário político eleitoral que não traz segurança para o grande capital.

A hipocrisia do governo postiço e do setor financeiro especulativo que o domina reside na flagrante contradição que há na alegação de um gigantesco rombo fiscal (cerca de R$ 160 bilhões de este ano), valor usado pelos golpistas para justificar as graves e injustas medidas de corte de gastos em áreas sociais (sobretudo saúde e educação) e investimentos públicos, impostos principalmente pela Emenda Constitucional nº 95. Dinheiro que, se alegadamente falta para ações que favorecem a economia do país e o bem-estar dos brasileiros, aparece abundante, como que por encanto, para socorrer o mercado financeiro.

Para dar garantias aos “investidores”, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn anunciou o emprego, até o próximo dia 15 de junho, da estratosférica quantia de 24,5 bilhões de dólares (mais de 80 bilhões de reais) para segurar a cotação do dólar. E prevê o uso de ainda mais até o final do ano, chegando a falar em 110 bilhões de dólares (mais de 400 bilhões de reais), nesse imoral, antinacional e antipopular socorro aos especuladores financeiros.

As explicações conservadoras variam desde a situação internacional que valoriza o dólar com a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos, a crise fiscal do governo brasileiro (que só existe quando se trata de favorecer o povo e a economia produtiva do país), e revelam a perplexidade ante o que chamam de “incertezas” em relação à eleição presidencial de outubro.

A incerteza revelada pelos especuladores e a direita deriva principalmente da expectativa ante o cenário eleitoral. Os analistas da direita temem a vitória de um candidato, que rotulam de extremista, fora da cartilha neoliberal imposta ao país.

O braço de ferro permanente entre o “mercado”, que exige liberdade de ação, e a intervenção do Estado para regular o capital e colocar um freio na ganância especulativa, sempre se acentua em vésperas de eleições que, como no Brasil, podem colocar em julgamento a ação do governo pelo desenvolvimento, de um lado, ou sua omissão que favorece a especulação financeira, de outro.

O “mercado”, que não é democrático, exige cada vez menos regulação legal sobre a ação livre do capital. E tem força suficiente para, de maneira monopolista, determinar pelo exercício de seu poder econômico, algumas taxas básicas da economia, como a taxa de câmbio que define o valor do dólar, ou também a oscilação da bolsa de valores. E se arrepia quando o governo tenta tabelar alguns preços, como o do diesel (promessa feita aos caminhoneiros) e dá a esta ação pública o nome, que pretende pejorativo, de “intervencionismo” estatal.

Tenta estender este mesmo tentáculo regulatório privado sobre as urnas. Sem poder legal para isso, nem a menor legitimidade cívica, usa o poder econômico sobre a sociedade e a mídia patronal para chantagear o eleitorado e tentar impor, por esta via transversa, sua própria vontade eleitoral. E espalha ameaças não só sobre o resultado eleitoral, mas também sobre o desempenho nas pesquisas de opinião dos candidatos que disputarão o comando do país a partir de 2019. Daí a chantagem que, pela mídia patronal hegemônica, ameaça com o caos, na esteira da apresentação de candidaturas antineoliberais, e mais ainda da perspectiva de sua vitória. É a luta de classes oculta nas entrelinhas dos grandes jornalões, emissoras de rádio e tevê, e nas redes sociais.

Este filme os brasileiros já viram, faz 16 anos quando o descalabro do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso levou à primeira vitória presidencial do programa para promover algumas mudanças que beneficiaram o Brasil, sua indústria e seu povo. Se não tiver certeza da vitória de um candidato que atenda seus interesses, o capital financeiro pode tentar manobras antidemocráticas, como fez em 2016, ao patrocinar o golpe que afastou a presidenta Dilma Rousseff. As forças democráticas, populares e patrióticas devem estar atentas e unidas em defesa da garantia da realização das eleições e do respeito à vontade popular.

 
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