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Shakespeare, Hamlet, I,3, v.78
06/06/2018

‘Precisamos de uma geração de engenheiros legais’, diz Richard Susskind

Para professor, Direito passa por um momento de disrupção: sobreviverão os que dominarem a tecnologia

Há 30 anos o britânico Richard Susskind, professor da Universidade de Oxford e presidente da Sociedade para Computadores e Direito, estuda o impacto da inovação e da tecnologia no Direito pelo mundo. Sua tese é simples: clientes querem resultados, sejam eles entregues por advogados ou não.

Susskind esteve no Brasil para a 2ª Conferência Internacional de Governança da Informação para o Mercado Jurídico. Em um auditório lotado de advogados, ele ponderou que em alguns casos, é claro, somente advogados ou pessoas formadas em Direito podem fazer alguns serviços. Muitas vezes, porém, os processos podem ser mais eficientes, escaláveis e baratos, como em ações de massa, se racionalizados.

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Segundo Susskind, duas versões do futuro se apresentam hoje. Na primeira, o futuro seria apenas uma versão melhor do mundo que vivemos hoje. Na segunda, a tecnologia avança de maneira veloz e causa a disrupção de variados setores econômicos e comportamentos sociais. Para ele, a premissa mais provável é a última.

Neste contexto, Susskind explica que o mercado jurídico sofre três grandes pressões que podem mudar suas feições: redução de custos, surgimento de novos fornecedores de grande escala e o avanço de novas tecnologias, especialmente as que lidam com grande processamento de dados.

“Precisamos de uma geração de advogados capazes de desenhar, desenvolver, entregar e manter os sistemas que substituirão as velhas formas de trabalhar. Precisamos de uma geração de engenheiros legais”, diz Susskind.

Uma forma de lidar com a redução de custos é identificar as principais atividades de um escritório, como a resolução de disputas e a revisão de documentação, e buscar terceirizá-las. “Uma grande parte disso não depende de advogados”, afirma Susskind, ressaltando que a gestão jurídica pode se assemelhar ao gerenciamento de projetos.

Em relação a novos fornecedores, o professor lembra que as big four, grupo de consultorias formado pela PwC, Deloitte, EY e KPMG, já oferecem de forma inovadora serviços antes restritos aos escritórios. Além delas, há o cenário das legaltechs, um ecossistema que vem se tornando mais ramificado a cada ano.

No Reino Unido, exemplificou, em três anos o número dessas startups saltou de 300 para 3 mil. No Brasil, já há 100 startups do Direito reunidas na AB2L, associação que reúne esta especialidade de empresas.

Essas startups são impulsionadas pelo crescimento de novos tecnologias, como a inteligência artificial para fazer predição de resultados de julgamentos e processar grandes volumes de dados.

Um exemplo é o COIN, software do banco JP Morgan que interpreta acordos de empréstimo comercial. Segundo o banco, o software revê os documentos em segundos e é menos propenso a erros. A atividade consumia, em média, 360 mil horas dos advogados do banco ou contratados por ano.

Nesse cenário, Susskind acredita que os escritórios que conseguirem se adaptar e incluir o pensamento de sistemas para automatizar tarefas repetitivas terão mais sucesso. Para ele, não haverá desemprego no curto prazo, mas um realocamento da força de trabalho.

Leia a entrevista exclusiva concedida por Richard Susskind ao JOTA, em São Paulo:

Quais habilidades o “advogado do futuro” deve ter?

Identifiquei uma dúzia de novas habilidades. No sentido mais geral, precisamos de uma geração de advogados capazes desenhar, desenvolver, entregar e manter os sistemas que substituirão as velhas formas de trabalhar. Precisamos de uma geração “engenheiros legais”.

O senhor fala que os clientes estão preocupados com resultados, e não com os advogados. Com tantas pressões para escritórios de advocacia, o senhor vê as firmas preparadas para lidar com a disrupção iminente?

Não digo que está tão iminente. Não penso que o mercado jurídico mudará radicalmente pelos próximos 18 meses. As firmas têm tempo para mudar suas práticas, e essas mudanças são consideráveis: técnicas, culturais, organizacionais etc. Mas acredito que escritórios empreendedores, ágeis e imaginativos podem e irão mudar quando o mercado jurídico demandar isso. Minha preocupação está mais relacionada aos escritórios que pensam que já é tarde demais ou não têm a confiança para realizar essa transformação. Fico preocupado que eles se fixem nas formas antigas de se trabalhar e tenham dificuldades para sobreviver.

Qual sua avaliação do impacto da inteligência artificial no Direito? Muitas pessoas acreditam que ela pode reduzir a quantidade de empregos…

Na década de 2020, não acho que haverá desemprego em decorrência da inteligência artificial utilizada no Direito. Acredito que será um momento em que os advogados retreinarão, adquirindo novas habilidades e desenvolverão os sistemas que substituirão a antiga forma de trabalhar. Mas no longuíssimo prazo, porém, conforme as máquinas se tornem crescentemente capazes para realizar tarefas que costumam exigir advogados humanos, é difícil evitar a conclusão de que haverá menos tarefas para advogados.

Mas não acho que isso acontecerá na próxima década, talvez nos anos 30 ou 40. Isso acontecerá de forma transversal na economia. Se olharmos 30 ou 40 anos para trás e 30 ou 40 anos para frente, a inteligência artificial e tecnologias relativas terão, de fato, substituído uma grande parte dos empregos. Isso aumenta uma série de questionamentos da sociedade sobre quem é dono e controla os sistemas. Para ser claro: há muito a ser feito dentro dos próximos 10 anos, mas precisamos ter muitas análises políticas, sociais e econômicas sobre um mundo que terá menos postos de trabalho no futuro.

No Brasil, advogados não costumam estudar matemática ou programação de forma profunda. Como os estudantes e as universidades devem se preparar para esse futuro?

Estava conversando há pouco com uma juíza brasileira e ela me perguntou se deveríamos ensinar advogados a programar. Mas não é esse o ponto. Gosto de pensar que se advogados têm maior habilidade em leitura e escrita do que com números, isso pode ser uma vantagem. Por exemplo, ao formular os sistemas: esses sistemas precisarão ser lidos facilmente.

Para os usuários, a linguagem terá de ser clara, simples e bem comunicada. Se o talento de alguém é ser bom com palavras, ele pode ser bem utilizado nos próximos 10 a 15 anos em diferentes formas. Resisto à sugestão de que precisamos transformar os advogados em programadores. A questão é envolver todos os advogados no desenvolvimento de sistemas. Muito disso pode ser criativo e envolver um alto grau de capacidade de leitura e escrita.

É preciso entender os sistemas mais do que saber como construí-los?

Ter um conhecimento do Direito vai ajudar os advogados a entender melhor as necessidades exatas dos usuários. Frequentemente encontro cientistas da computação que, compreensivelmente, não entendem a necessidade legal. Eu chamo de legal processors as pessoas que conseguem entender e analisar as necessidades legais e ajudam a especificar isso numa forma que os cientistas da computação possam implementá-las.

Sempre há resistência ao uso da tecnologia no Direito. Há exemplos no Brasil de protestos quando da digitalização de processos em tribunais ou de informações de que tribunais querem utilizar mecanismos de conciliação. Como é possível equilibrar essa discussão?

Não tenho certeza. Frequentemente digo para escritórios bem-sucedidos que é difícil convencer uma sala repleta de milionários que seus modelos de negócios estão errados. Então, um advogado de sucesso costuma pensar se precisa realmente fazer tudo isso antes de se aposentar.

Os incentivos funcionariam com estudantes de Direito, que gostariam de estar envolvidos no crescimento do acesso à Justiça e ajudar setores da economia para melhor utilizar os recursos legais. Mas quando se está no negócio do Direito tende-se, como em qualquer negócio, a preservar as receitas e os lucros que são obtidos e trabalhar numa estratégia que mantenha seu negócio sustentável.

O problema é que muito do que falo é ameaçador. Então, eu começaria em áreas que não são ameaçadoras: no Brasil, há um sistema de Justiça com um estoque de 100 milhões de casos. Minha suposição é a de que os advogados não consideram atraentes a maioria destes casos.

Então, por que não encontrar formas de desenvolver sistemas que podem realizar tarefas que os advogados não considerem ameaçadoras? Uma vez que esses sistemas se provem, acredito que passarão a ser usados em outras áreas. O problema é que temos uma má experiência geral em adotar uma abordagem de confronto.

Com esse estoque de 100 milhões de processos, só a tecnologia pode ajudar a resolver?

É difícil ver uma solução humana para isso (risos).

O senhor enxerga um caso como o da Kodak, um caso clássico de uma empresa que não conseguiu se renovar diante da inovação tecnológica, no mercado jurídico?

A Kodak era um player dominante no mercado, quase único. No mercado jurídico, há 200 empresas globais de porte. Todas vão colapsar? Não. O que veremos é que 50 delas vão sobreviver, prosperar e adotar as novas tecnologias. Outras 50 não vão colapsar, mas serão menos bem-sucedidas. O restante vai se prender às velhas formas de trabalho pela próxima década, mas não haverá o mesmo drama de outros setores, porque não há um único grande fornecedor.

É mais provável ver outros tipos de drama, como o setor ser dominado pelas big four, ou a tecnologia ir substancialmente substituindo os processos, o que pode ter um impacto dramático no mercado. Mas, de novo, o mercado jurídico é muito disperso para ter uma disrupção neste nível. Nos principais 200 escritórios, veremos uma parte colapsar, contudo não será da mesma forma como aconteceu com a Kodak.

Em sua palestra, o senhor propôs que o mercado jurídico se aproximasse dos setores econômicos tradicionais…

Temos de entregar os serviços legais de maneira mais eficiente, e isso num contexto em que se reconhece que o serviço legal e o acesso à Justiça são bens sociais importantes. Não é puramente um negócio. Então, estou sempre equilibrando a necessidade de mais eficiência com a necessidade de garantir que os recursos da lei – que é a instituição social mais importante – estejam disponíveis para todos. Suspeito que apenas o mercado não proverá acesso à Justiça na escala que gostaríamos. Por isso, serão necessárias intervenções, que tendem a ser feitas por meio de regulações estatais.

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Fonte: Jota
 
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