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Datafolha confirma: centro-direita segue sem candidato

Principal aposta da centro-direita, Geraldo Alckmin oscila entre a quarta e quinta colocação de acordo com o cenário. Mesmo com dúvidas à esquerda, Lula segue como grande influenciador da disputa

por Glauco Faria, da RBA publicado 15/04/2018 19h10

O antipetismo que ajudou a eleger Doria não será suficiente para levar Alckmin ao segundo turno

A pesquisa Datafolha divulgada neste domingo traz dados preocupantes para o campo conservador e, em especial, para o PSDB. Mais uma vez o candidato da legenda, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, aparece na casa de um dígito, oscilando entre a quarta e a quinta colocação, de acordo com o cenário, com índices entre 6% e 8%.

Há, ainda, outros dados demonstrando que o tucano não terá vida fácil. Em seu terreno, o estado de São Paulo, o índice daqueles que consideram sua gestão boa ou ótima chega a 36%. Em 2006, quando passou ao segundo turno contra Lula, esse índice era de 66%. Nas eleições de 2010, José Serra saiu do Palácio dos Bandeirantes com 55%.

Trata-se, portanto, de um patamar baixo para um postulante ao Planalto que depende demais dos votos em sua "casa". Em 2006, o tucano obteve quase 30% dos seus votos no estado de São Paulo, com 54,2% do total dos válidos ali. Era um cenário bem mais favorável do que o de agora, pois havia apenas outros dois candidatos com alguma representatividade fora Lula: Heloísa Helena (Psol) e Cristovam Buarque (PDT). Ambos, somados, não chegaram a 10% dos votos válidos.

O panorama atual sugere uma realidade distinta para o pessedebista, com os votos de centro, centro-direita e direita dispersos em mais de uma candidatura. O ex-tucano Álvaro Dias, do pequeno Podemos, em mais de um cenário está tecnicamente empatado com Alckmin, enquanto Joaquim Barbosa sempre aparece numericamente à frente do ex-governador paulista.

E ainda existe o fator Bolsonaro. Em 2014, a campanha de Aécio cortejou a extrema-direita já ascendente para superar Marina Silva e chegar ao segundo turno. Esse mesmo segmento foi estimulado na campanha de impeachment de Dilma até o ponto de se descolar do PSDB. Nada mais sintomático desse panorama do que o fato de Alckmin ter sido hostilizado em uma das manifestações em prol da derrubada de Dilma Rousseff em São Paulo.

Esse dilema entre buscar votos – necessários para ir ao segundo turno a essa altura – no ninho bolsonarista e a tarefa de se apresentar como alternativa "centrada" diante de um quadro eleitoral conturbado já produziu efeitos. Um exemplo evidente foi o episódio em que o então governador disse que o PT "colheu o que plantou", ao se referir ao atentado a tiros sofrido por um dos ônibus da Caravana de Lula no Sul, e voltou atrás na sequência. O quadro não permite que Alckmin se dê ao luxo que Doria teve em 2016, quando bastou praticamente ser antipetista radical para garantir sua eleição. O jogo é outro e o Brasil não é São Paulo. E nem o eleitor de São Paulo é como era há dois anos.

O fato de o STJ ter remetido o inquérito sobre Alckmin para a Justiça Eleitoral, preterindo a Lava Jato, não passou despercebido pelo eleitorado, ainda que parte da mídia tradicional tenha se esforçado para diminuir o caso. Não é à toa que, de acordo com pesquisa Ipsos, 55% dos entrevistados acham que a Lava Jato faz “perseguição política contra Lula” e 73% acreditam que "os poderosos querem tirar Lula das eleições”.

O PSDB costura alianças e deve ter o maior tempo de televisão disponível. O problema é que o Congresso Nacional, em uma estratégia de sobrevivência, resolveu diminuir o tempo de campanha, favorecendo a reeleição de parlamentares que já são conhecidos. Agora, são 35 dias para que candidatos à presidência da República divulguem suas campanhas nas terças, quintas e sábados.

Como a eleição para deputados e senadores em geral é relegada a um plano secundário para o eleitor, a estratégia é dificultar que sejam conhecidos novos nomes, colocando obstáculos à renovação. A decisão foi tomada por pura conveniência: já que o desgaste da classe política é grande, é melhor que o eleitor escolha quem já conhece. Contudo, para a eleição presidencial, isso significa menos tempo para que um candidato já conhecido (caso de Alckmin) consiga virar o jogo na campanha.

Nesse cenário, possivelmente as legendas comprometidas com Alckmin vão passar a cobrar um custo político mais alto para se aliarem ao PSDB, que terá que ceder mais nos acordos estaduais, o que pode deixar algumas lideranças da sigla bastante insatisfeitas. Segmentos da elite econômico-financeira também podem se tornar receosos com a viabilidade do tucano, buscando "testar" outras possibilidades, algo que aconteceu, por exemplo, em 1989, quando se tentou até mesmo Guilherme Afif Domingos (então no PL) como uma alternativa viável ao Planalto.

A situação piora quando se constata que 66% dos entrevistados do Datafolha dizem que votariam com certeza em qualquer candidato indicado pelo ex-presidente Lula. Isso praticamente invalida as simulações feitas agora com nomes como os de Fernando Haddad e Jaques Wagner em possível substituição a ele. Na prática, o ex-presidente teria condições de dar a qualquer um 20% de intenções de votos, de acordo com o levantamento, assegurando ao ungido uma vaga no segundo turno.

Se o quadro político é de indefinição do lado da centro-esquerda/esquerda, é muito pior no lado conservador. Pode-se argumentar que a campanha tucana terá dinheiro, apoio da mídia tradicional e muito tempo de rádio e TV. E é verdade. Mas o cenário nunca foi tão adverso para os tucanos.

 
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