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A. Schopenhauer
13/04/2018

Incrível: calouros são classificados na USP como ‘judeu’, ‘maconheiro, de esquerda’, ‘crente’,

Listas com classificação de calouros geram mal-estar na Faculdade de Direito da USP

Novos alunos foram descritos como ‘liberal de merda’, ‘judeu’, ‘maconheiro, de esquerda’, ‘crente’, dentre outros

Luciano Pádua

12/04/2018 – 20:09

DESTAQUES

FACULDADE DE DIREITO DA USP

LARGO SÃO FRANCISCO

LISTA

PRECONCEITO

USP

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Planilhas com classificações ofensivas a calouros da Faculdade de Direito da USP vazaram na última quarta-feira (11/4). O coletivo Contraponto, cujos membros coordenam o Centro Acadêmico XI de Agosto, monitorou o comportamento dos novos alunos em redes sociais. Entre as qualificações havia termos como “liberal de merda” e “judeu”.

Os integrantes deste grupo fazem o levantamento anualmente como forma de se aproximar dos recém-chegados à USP. Segundo o Ombusdman do Centro Acadêmico, que divulgou os documentos, a prática de categorizar os calouros é comum em organizações universitárias, sejam elas políticas ou esportivas.

“O problema não foi a cooptação, mas os termos utilizados”, diz o aluno, que não quis ter o nome divulgado.

Lista de calouros da Faculdade de Direito da USP

Na listagem, novos alunos foram descritos de forma pejorativa por suas posições políticas ou religiosas.

Em uma delas, uma nova discente, que não tem perfil no Facebook, foi considerada “totalmente maluca”. Outro foi classificado como “maconheiro, de esquerda”. Em outras descrições, o coletivo utilizou termos como “judeu”, “ideologia indefinida, judia”, “chiquititas”, “bem religiosa, conservadora”, “crente”, “só página trash”, entre outros.

A divulgação das listas causou desconforto entre os calouros. Agora, os alunos deliberam quais medidas tomar em relação à atitude do coletivo. Segundo Gabriel Zuppo, do 1º ano do curso de Direito, as oito turmas estão elegendo 16 representantes para decidir o que fazer em relação à lista elaborada pelo coletivo.

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Entre as possibilidades está um pedido de destituição da atual chapa do Centro Acadêmico. “Não faço parte do CA. Fiquei sabendo da situação e fiquei indignado. Estamos nos mobilizando para decidir o que fazer”, afirma. “A solução mais equilibrada, que é a minha proposta, é nos reunirmos e mostrarmos nosso repúdio e pedir uma mudança de postura do CA. A partir daí podemos deixar claro que não vamos votar neles na próxima eleição.”

A polêmica ganhou corpo nas redes sociais. A página do coletivo Contraponto no Facebook — que não está mais no ar — chegou a receber mais de 60 avaliações negativas. “Enojado pela postura judiciosa com a qual tratam internamente os calouros”, disse um dos usuários.

O diretor da Faculdade de Direito da USP, Floriano Marques Neto, divulgou nota rejeitando “veementemente qualquer tipo de preconceitos, segregações, intolerâncias ou classificações desabonadoras a membros da comunidade”.

Segundo ele, apesar de não caber à direção da Faculdade coibir a atuação dos alunos no âmbito privado, condutas como esta revelam uma falha na tarefa de educar para a tolerância.

“Sentimos o dever de nos desculpar perante toda a comunidade e em especial aos alunos que se sentiram atingidos pelo que foi hoje divulgado”, disse, em comunicado.

Em nota divulgada no Facebook, o coletivo Contraponto disse que gostaria “de pedir as mais sinceras desculpas a todos e todas que se sentiram ofendidos com as descrições colocadas na tabela”.

Leia a íntegra:

Nós, do Coletivo Contraponto, vimos a público escrever essa nota em explicação e retratação acerca do “mapeamento” divulgado há pouco.

Todos os anos, 460 estudantes ingressam na São Francisco. Passado o vestibular, os coletivos já começam suas atividadespara recepcionar cada um deles, assim como as demais entidades e extensões da faculdade.

Nosso coletivo atua na Sanfran desde 2013, acreditando na política enquanto modo de transformação da nossa faculdade, cidade, Estado e país. Para tanto, acreditamos na importância do diálogo, que deve pautar as nossas ações diuturnamente. Assim sendo, entendemos fundamental falar com cada um dos alunos que entram na São Francisco, atividade difícil, mas que cumpre o papel de aproximação entre o nosso coletivo e o corpo discente, sabendo que cada um tem algo a contribuir em nossa atuação.

Além disso, fazemos o mapeamento para conseguir discutir nosso projeto de acordo com o interesse de cada um, que se engajem na militância e no movimento estudantil, para que possamos trazer mais gente para lutar pelas causas que acreditamos fundamentais, seja na busca de uma faculdade inclusiva, um projeto de país soberano, ou um mundo menos injusto. O mapeamento também é fundamental para que possamos mandar o “inbox” de boas-vindas para cada ingressante pelo Facebook.

O trabalho de organizar um mapa e ampliar a partir dele nosso conhecimento e diálogo com os estudantes é muito grande, de modo que deve ser feito de forma resumida. Dessa forma, através do Facebook, é uma prática do movimento estudantil conferir o perfil de cada ingressante, analisando suas atividades nas mídias, principalmente os likes em páginas de interesse. Assim, é possível que pensemos formas de diálogo com cada estudante para agregar cada vez mais gente para o nosso projeto político, sendo os pontos que por vezes destacamos relevantes para nosso contato.

Entretanto, isso resultou, conforme já visto, na inserção de alguns comentários despolitizados e de cunho jocoso e depreciativo na planilha elaborada, dos quais ficamos envergonhados, arrependidos e profundamente desconfortáveis.

Diante disso, gostaríamos de pedir as mais sinceras desculpas a todos e todas que se sentiram ofendidos com as descrições colocadas na tabela. Entendemos o constrangimento de ter uma descrição associada ao seu nome em uma tabela a que nem mesmo se tem acesso, bem como repudiamos a presença de termos ofensivos no nosso mapa, e por isso reiteramos, mais uma vez, nossas mais sinceras desculpas.

Os comentários despolitizados feitos pelo coletivo são de extrema gravidade por reforçar estereótipos e preconceitos, sendo uma postura inaceitável para um grupo político que se propõe a construir um programa de esquerda, pautando sempre o combate à desigualdade e às opressões. Por isso, nos comprometemos a não repetir tal postura. Sempre nos mostramos abertos a debater sobre qualquer tema, com esse não será diferente.

Luciano Pádua – São Paulo

 
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