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Quanto mais corrupto for o país, mais leis ele terá
Tácito
28/03/2018

Os falsos sinais da recuperação econômica

Guilherme Basto Lima

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O es­pa­nhol "El País", na con­tramão da linha edi­to­rial ra­zo­a­vel­mente in­de­pen­dente que vinha ado­tando, pu­blica re­por­tagem car­re­gada de oti­mismo en­tu­si­asta sobre a si­tu­ação econô­mica bra­si­leira (aqui).

Vamos, ponto a ponto, des­vendar seus equí­vocos.

1. Em­prego

A su­posta me­lhora no mer­cado de tra­balho - dado que o de­sem­prego é cal­cu­lado em função das pes­soas que bus­caram tra­balho - omite dado fun­da­mental: do­brou o nú­mero de pes­soas que de­sis­tiram de pro­curar em­prego - o cha­mado "De­sa­lento" pelo IBGE. Omite também outro dado im­por­tante: as 26,5 mi­lhões de pes­soas su­bem­pre­gadas (https://?www1.?folha.?uol.?com.?br/?mercado/?2018/?02/?brasil-?termina-?2017-?com-?265-?milhoes-?de-?sub?empr?egad?os.?shtml), o que re­pre­senta 23,8%, pra­ti­ca­mente um quarto da força de tra­balho na­ci­onal.

2. Juros

Os juros baixos são mais be­né­ficos para quem pre­cisa de em­prés­timo - esse sim é um dado a ser co­me­mo­rado. Mas a baixa na in­flação, como re­flexo da re­cessão, quer dizer também di­mi­nuição do poder de compra, fato que a re­por­tagem também omite.

3. Con­fi­ança

O ín­dice de con­fi­ança dos em­pre­sá­rios diz muito sobre nada. Não há um grande em­pre­en­di­mento, ge­rador de vagas em massa, que não conte com gordos em­prés­timos, quase sempre via fi­nan­ci­a­mento pú­blico. Se o go­verno não adotar uma pos­tura de in­vestir na pro­du­ti­vi­dade, não há con­fi­ança que faça surgir mi­la­gro­sa­mente novas uni­dades pro­du­tivas.

4. Ar­re­ca­dação

Não há, tam­pouco, re­lação di­reta entre au­mento de ar­re­ca­dação tri­bu­tária e re­to­mada do cres­ci­mento econô­mico. Para que o go­verno bra­si­leiro ar­re­cada, e para quem? Para se­guir pa­gando a me­sada dos se­tores ren­tistas e pa­ra­si­tá­rios na forma de juros da dí­vida pú­blica.

5. In­dús­tria

De­pois da queda de quase 10% do PIB era de se es­perar que hou­vés­semos che­gado ao pré-sal da re­cessão. Essa pausa no es­fa­ce­la­mento do parque in­dus­trial bra­si­leiro é mo­tivo de con­fi­ança para o setor. Mas o go­verno, via pri­va­ti­za­ções e con­ces­sões, en­trega a entes pri­vados, ge­ral­mente es­tran­geiros des­com­pro­mis­sados com o país, as de­ci­sões sobre o nível de em­pre­ga­bi­li­dade na­ci­onal. Por isso, de­fender as es­ta­tais e sub­si­diá­rias é de­fender mais postos de tra­balho digno e re­gu­lado pelo setor pú­blico; e o que o go­verno tem feito é o con­trário, atacá-las.

6. Agro­ne­gócio

O cha­mado agro­ne­gócio não é nada mais que o la­ti­fúndio da mo­no­cul­tura para ex­por­tação re­cau­chu­tado, sendo parte fun­da­mental do pro­jeto de re­versão ne­o­co­lo­nial que pre­tende con­so­lidar o re­bai­xa­mento do Brasil na di­visão in­ter­na­ci­onal do tra­balho. O setor in­dus­trial, que já re­pre­sentou quase um terço do PIB, es­fa­rela-se na me­dida em que nos tor­namos meros ex­por­ta­dores de pro­dutos de baixo valor agre­gado. Co­me­morar o troféu de cam­peões na ex­por­tação de soja é res­paldar o sub­de­sen­vol­vi­mento do qual es­tamos nos tor­nando re­féns.

7. Pou­pança

Co­me­mo­ramos a pou­pança dos e das tra­ba­lha­doras, sem dú­vida. Fica só um breve es­cla­re­ci­mento: o que o grosso do povo bra­si­leiro eco­no­miza vem do sa­lário, da venda de sua força de tra­balho. A renda é a re­mu­ne­ração do ócio, ex­clu­si­vi­dade de al­guns poucos pri­vi­le­gi­ados.

8. Mer­cado Imo­bi­liário

O que chamam de "Ex­pansão do Mer­cado Imo­bi­liário" na prá­tica sig­ni­fica au­mento do preço dos alu­gueis. Por isso é im­por­tante saber qual setor da eco­nomia cresce e quem é o be­ne­fi­ciado desse cres­ci­mento. Nesse caso, os ren­tistas são os que mais ga­nham - como sempre, às custas dos sa­lá­rios dos tra­ba­lha­dores.

9. Co­mércio

A ex­pec­ta­tiva de aber­tura de novas lojas como sinal de mo­vi­mento di­nâ­mico do setor co­mer­cial é boa para o con­junto da so­ci­e­dade. Mas é su­fi­ci­ente? Di­ante das 350.000 vagas a menos em 2015 e 2016, a re­a­ber­tura de 26.000 não sig­ni­fica nem 10% de re­cu­pe­ração.

10. In­ves­ti­mento no quê?

O que é esse In­ves­ti­mento Di­reto no País (IDP) senão o in­gresso de di­visas que en­tram e saem no Brasil sem qual­quer tipo de con­trole? Desses $6,5 bi­lhões, quanto foi uti­li­zado para ro­bus­tecer a ca­deia pro­du­tiva na­ci­onal? E quanto ca­pital en­trou para se be­ne­fi­ciar das altas taxas de juros? Sobre as agên­cias de risco: onde es­tavam e o que dis­seram no es­touro da Crise Fi­nan­ceira Global em 2007-2008?

Esse con­junto de si­na­li­za­ções clas­si­fi­cadas como po­si­tivas não re­siste a uma breve aná­lise, li­gei­ra­mente cri­te­riosa. Os fun­da­mentos de uma ver­da­deira re­cu­pe­ração econô­mica não estão sendo bus­cados pelo atual go­verno, refém de uma agenda de re­versão ne­o­co­lo­nial que apro­funda a su­bor­di­nação bra­si­leira no sis­tema-mundo quando tra­balha de­ci­di­da­mente pela en­trega do pa­trimônio na­ci­onal.

Sem a re­a­li­zação de Re­formas de Base que pro­movam o re­di­re­ci­o­na­mento das pri­o­ri­dades para o de­sen­vol­vi­mento so­cial, o Brasil se­guirá con­fi­nado no ca­ti­veiro do sub­de­sen­vol­vi­mento.

Gui­lherme Basto Lima é Ana­lista In­ter­na­ci­onal e Dou­to­rando em Pla­ne­ja­mento Ur­bano e Re­gi­onal - IPPUR/UFRJ.

Twitter: @gbas­to­lima

Fonte: correio da cidadania
 
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