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Leon Tolstoi
09/03/2018

Trabalho escravo e dívidas: chefe do

É bastante provável que você tenha conhecido o Vero nas últimas semanas. Foi nesse período que ele foi de um app obscuro lançado em 2015 para um sucesso que já ultrapassa a marca dos 3 milhões de downloads em versões para Android e iOS. A razão para isso é que ele faz, basicamente, o que o Instagram fazia há pouco tempo: ele dá acesso a uma rede social para a publicação de fotos e vídeos, sem propagandas e com as postagens organizadas de forma cronológica.

Juntamente com a fama - o Vero foi apelidado de "novo Instagram" - também vieram as polêmicas. Inicialmente pela qualidade do serviço em si, uma vez que o grande volume de usuários se mostrou além do que o servidor do Vero era capaz de aguentar. As maiores controvérsias, no entanto, dizem respeito a Ayman Hariri, fundador e CEO da rede social. Passado nebuloso Com 39 anos, Hariri é um bilionário libanês que mora em Riad, na Arábia Saudita, e tem como hobby colecionar gibis, sendo dono de um dos maiores acervos do mundo. Ele é filho de Rafic Hariri, que foi ex-primeiro ministro do Líbano entre 1992 e 1998 e, depois, entre 2000 e 2004. Apesar de ajudar a reconstruir o país após 15 anos de guerra civil, ele esteve envolvido em suspeitas de corrupção e enriquecimento ilícito, além de proibir manifestações populares no país.

Rafic Hariri acabou morto em um atentado terrorista em 2005, cuja responsabilidade recaiu sobre o grupo extremista Hezbollah. As controvérsias sobre Ayman Hariri vão muito além do histórico de seu pai. Antes de se aventurar na criação de uma rede social, ele foi presidente executivo e diretor executivo da Saudi Oger, uma das maiores construtoras da Arábia Saudita e que havia sido fundada pelo seu pai em 1978. A empresa, que fechou as portas em 2017 devido a erros administrativos, queda no preço do petróleo e envolvimento em casos de corrupção, também foi acusada de trabalho escravo.

Ao fechar as portas, de acordo com reportagem da Bloomberg em setembro do ano passado, a empresa deixou milhares de funcionários sem pagamento e dívidas de US$ 3,5 milhões. Além disso, parte desses trabalhadores são imigrantes que viviam em alojamentos e dependiam do trabalho para manterem seus vistos de permanência. Com o fechamento da empresa, eles foram deixados sem comida, água e tratamento médico, em alojamentos infestados por baratas. Ao comentar esse tema, Hariri afirmou ao site The Verge que deixou a empresa antes do seu fechamento, em 2014, e que tudo isso aconteceu após sua saída. Além das questões envolvendo sua ex-empresa, Hariri também viu outra polêmica envolvendo sua criação: o fato do Vero ter diversos desenvolvedores de origem russa. O que poderia ser apenas um detalhe acabou por acender um alerta, especialmente após as suspeitas de que a Rússia teria usado redes sociais para manipular o resultado das eleições norte-americanas de 2016.

Por meio de um perfil na rede social, a equipe do app afirmou que estava ciente de que havia algumas informações duvidosas nos Termos de Uso do aplicativo e que isso seria esclarecido em breve.  Para completar, a hashtag #DeleteVero (https://twitter.com/hashtag/DeleteVero? src=hash) emergiu no Twitter após pessoas descontentes com esses "detalhes" sobre Hariri e o aplicativo tentarem deletar suas contas e encontrarem dificuldades - é preciso mandar um pedido para os desenvolvedores e não há um prazo definido para que isso aconteça. Resta agora saber se o aplicativo continuará a fazer sucesso como uma alternativa ao Instagram ou se acabará engolido em meio a tantas polêmicas.

 
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