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18/01/2018

Austericídio impede que dinheiro do BNDES seja investido na economia

Ao fim de seu governo, Dilma Rousseff deixou R$ 200 bilhões em caixa no BNDES, além de ativos a receber, mas esse recurso foi sangrado pelo governo Temer sob o pretexto de reduzir a dívida pública.

Por Mauro Santayana

Acusado de forma mentirosa de ter sido “quebrado” pela “incompetência” e “ladroagem” do PT, que deixou em seus cofres, no final do governo Dilma, a miserabilíssima quantia de mais de R$ 200 bilhões em caixa e ativos a receber, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) corre o risco de derreter com a sucessão de “pagamentos adiantados” ao Tesouro (de uma dívida que teria 30 anos para pagar) feitos pelo atual governo.

Não satisfeita de ter sangrado R$ 130 bilhões dos cofres da instituição em 2015 e 2016, a administração Temer pretende sacar mais R$ 130 bilhões em 2017 e 2018 para diminuir teoricamente uma volúvel dívida pública – cujo valor em dólares aumenta ou diminui a cada vez que alguém arrota em Wall Street – em relevantíssimos menos de 6%.

Palmas para a turma de banqueiros privados – relíquia caterva – que se encontra encastelada atualmente no governo.

Afinal, o país NÃO está precisando investir centenas, dezenas de bilhões de reais na retomada de obras irresponsavelmente paralisadas – pela recessão e principalmente pela “justiça” – em todo o país, nos últimos quatro anos.

O governo, com a desculpa de não ter dinheiro, NÃO está cortando as verbas de tecnologia, defesa, investimentos, reduzindo este último quesito a apenas 3% do orçamento neste ano.

O Brasil NÃO tem necessidade de criar vagas de trabalho, com mais de 12 milhões de cidadãos procurando emprego.

A despesa do país NÃO tem aumentado exponencialmente, desde a queda de Dilma, em outras áreas como a do aumento de salários da nata do funcionalismo, por exemplo, enquanto o salário mínimo é reajustado em dois reais neste ano.

As empresas arrebentadas pela Operação Lava Jato, que desempregaram apenas diretamente cerca de um milhão de trabalhadores, NÃO estão precisando de alternativas de financiamento, depois de terem sido golpeadas por gigantescas multas e de ver o seu crédito e o crédito de seus fornecedores, além do patrimônio de seus investidores e acionistas, ir por água abaixo devido à abertura de inquéritos e processos baseados apenas no depoimento verbal de dedo-duros interessados em tirar o seu da seringa, sem necessidade da apresentação prévia de qualquer prova concreta.

Ora, o que importa é manter a qualquer preço o discurso cínico e mendaz de que o Brasil está quebrado, ou melhor, de que ele foi quebrado pelo PT, quando, além das centenas de bilhões de reais deixados nos cofres do BNDES, os governos Lula e Dilma, além de pagar a dívida de US$ 40 bilhões com o FMI, em 2005, ainda deixaram US$ 340 bilhões – ou mais de R$ 1,2 trilhão – em reservas internacionais nas arcas federais, e uma relação dívida pública-PIB – bruta ou líquida – menor do que havia em 2002, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso.

Por trás do enxugamento do BNDES – tirando do Brasil a capacidade de competir com grandes bancos de fomento das principais nações, como EUA, Alemanha, Coreia, Japão, China – como aliás ocorre com a proposital destruição de outros bancos oficiais, com o corte em linhas de financiamento e o fechamento de centenas de agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, nos últimos meses – está a velada intenção, sutil como um dinossauro saindo de um poço de lama, de diminuir a oferta de crédito e serviços de instituições públicas, para empurrar obrigatoriamente correntistas e empresas para os braços de bancos privados, incluídos estrangeiros, que cobram juros mais caros, com a estapafúrdia desculpa de que o setor bancário “público” – que em alguns casos já conta com instituições com ações em bolsa – cresceu demasiadamente nos últimos anos.

E desmilinguir grandes empresas, como a Petrobras, a Eletrobras, o próprio Banco do Brasil e a Casa da Moeda, por exemplo, para justificar o seu “enxugamento” e a privatização de seu controle em médio ou longo prazo.

Enfraquecendo o país, desnacionalizando a economia e vendendo o futuro da nação e os instrumentos estratégicos imprescindíveis ao seu desenvolvimento – como ocorreu nos anos 1990 – na bacia das almas, a preço de banana, pela porca e abjeta quantia de 30 dinheiros.

Fonte: RBA

 
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