Pesquisa Notícias:
   
 
INSTITUCIONAL
Sobre a Agitra
Diretoria
Estatuto Social
 
SERVIÇOS
Verbo
Convênios
Turismo
WikiTrabalho
Pesquisa Conteúdo
Fale Conosco
Acesso Restrito
 
DIÁLOGOS COM A AUDITORIA DO TRABALHO

Segurança e as Novas Tecnologias na Construção Civil

Higiene Ocupacional: Quebrando Paradigmas

A vida que nós recebemos nos foi dada não para que simplesmente a admiremos, mas para que estejamos sempre a procura de uma verdade escondida dentro de nós.
John Milton
17/04/2017

Brasil: um tremendo sucesso

Luiz Antônio Simas

Vou re­petir como um mantra coisa que venho di­zendo faz tempo: o Brasil pre­cisa dar er­rado ur­gen­te­mente. O país que anda se vendo no es­pelho nesses anos bi­zarros é aquele for­mado por ca­pi­tães do mato, ca­pa­tazes, se­nhores de en­genho ta­rados, fei­tores, ban­dei­rantes apre­sa­dores de ín­dios e des­trui­dores de qui­lombos, ge­no­cidas, tor­tu­ra­dores, co­ro­néis, pis­to­leiros, mem­bros do es­qua­drão da morte, mi­só­ginos, ho­mo­fó­bicos, ágrafos, pa­ra­sitas so­ciais, fa­ná­ticos re­li­gi­osos, bu­ro­cratas me­dío­cres, em­pre­sá­rios ma­fi­osos, la­drões do erário, dou­tores pe­dantes, de­la­tores si­co­fantas, mi­li­o­ná­rios si­ba­ritas e ar­ri­vistas ines­cru­pu­losos. Essa é a minha lista.

Fomos mol­dados em ferro, brasa, mel de cana, pe­lou­ri­nhos, sen­zalas, terras con­cen­tradas, al­deias mortas pelo poder da grana e da cruz, e tam­bores ca­lados. Somos frutos da ar­ro­gância dos ba­cha­réis, da in­cle­mência dos in­qui­si­dores, da tru­cu­lência dos oli­garcas, do chi­cote dos ca­pa­tazes, dos apo­lo­gistas de es­tu­pros e lin­cha­mentos e coisas do gê­nero.

Vou me citar em algo que es­crevi faz tempo: o pro­jeto de nor­ma­ti­zação deste Brasil de hor­rores, para que seja bem su­ce­dido, pre­cisou de es­tra­té­gias de de­sen­can­ta­mento do mundo e apro­fun­da­mento da co­lo­ni­zação dos corpos. É o corpo, afinal, que sempre ame­açou, mais do que as pa­la­vras, de forma mais con­tun­dente o pro­jeto co­lo­ni­zador fun­da­men­tado na ca­te­quese, no tra­balho for­çado, na sub­missão os­ten­siva da mu­lher e na pre­pa­ração dos ho­mens para a vi­ri­li­dade ex­pressa na cul­tura da curra: o corpo con­ver­tido, o corpo es­cra­vi­zado, o corpo feito ob­jeto e o corpo como arma letal. Este Brasil é um país de corpos do­entes, con­di­ci­o­nados e edu­cados para o horror como em­pre­en­di­mento.

No meio de tudo isso, para pi­orar, pa­rece per­dida a curto ou médio prazo a pos­si­bi­li­dade de qual­quer pro­jeto na­ci­onal menos bi­zarro. Os pro­jetos de uma es­querda que ro­man­tiza o pre­cário e de outra que prag­ma­ti­ca­mente acha que os fins jus­ti­ficam os meios estão aí es­par­ra­mados, pa­recem bi­rutas de ae­ro­porto em vento de vi­ração. As ilu­sões ilu­mi­nadas dos li­be­rais de­centes foram atro­pe­ladas pela sau­dação que um tro­glo­dita fez ao as­sas­sino Bri­lhante Ustra, o ca­pataz mais gro­tesco do re­gime de ex­ceção de 1964.

O par­la­mento é de uma in­di­gência ta­manha que pa­rece se di­vidir em três ban­cadas que não são exa­ta­mente ide­o­ló­gicas: a do ca­belo acaju, a do ca­belo preto "asas da graúna" ta­bletes Santo Antônio e a do im­plante ca­be­leira de bo­neca ou pe­ruca de brin­quedo as­sas­sino. O ju­di­ciário se apre­senta, em seu alto es­calão, com a em­páfia e a vai­dade ade­quadas a ce­le­bri­dades de oca­sião, se pres­tando a con­ves­cotes com os po­de­rosos sob o manto de es­vo­a­çantes capas de du­blês do Conde Drá­cula en­sai­ando en­ci­clo­pe­dismos de in­ternet. O exe­cu­tivo é in­clas­si­fi­cável.

Mas temos o povo. Será?

Sinto in­formar, mas a mai­oria es­ma­ga­dora da po­pu­lação - po­bres, ricos, urubus, tri­co­lores, ba­ca­lhaus, ca­chor­rada - apoia as pautas mais obs­cu­ran­tistas. O povo li­ber­tário só existe nas nossas ilu­sões vir­tuais e es­tamos em mi­noria aca­cha­pante. A in­clusão apenas pelo con­sumo deu nisso: a re­vo­lução é o carro na ga­ragem com­prado em 76 pres­ta­ções.

Nosso pró­ximo passo pa­rece ser a pri­va­ti­zação, ao mesmo tempo, das uni­ver­si­dades pú­blicas e dos pre­sí­dios bra­si­leiros. Virar dono de pe­ni­ten­ciária vai ser um tre­mendo ne­gócio. E a gente faz o que? Morre feito ban­dido em filme de fa­ro­este - me­tendo bronca no salão. Mas es­tamos em mi­noria evi­dente; a po­pu­lação é ma­jo­ri­ta­ri­a­mente con­ser­va­dora e achar que se­remos van­guarda das massas, com nossas to­chas ilu­mi­nadas, está mais perto do de­lírio que do sonho.

É neste sen­tido que não acho que o Brasil deu er­rado. Dis­cordo e re­cen­te­mente es­crevi sobre essa ideia. O Brasil foi pro­je­tado pelos ho­mens do poder para ser isso aí: ex­clu­dente, ra­cista, ma­chista, ho­mo­fó­bico, con­cen­trador de renda, ini­migo da edu­cação, vi­o­lento, as­sas­sino de sua gente, in­to­le­rante, boçal, mi­só­gino, cas­trador, fa­minto e gros­seiro. Somos isso tudo, não? Neste sen­tido, des­confio que nosso pro­blema não é ter dado er­rado. O Brasil como pro­jeto, até agora, deu certo.

Eu não de­sisto. O tra­balho é miúdo, cons­tante, longo, de en­fren­ta­mento e apren­di­zado. A ideia de re­sistir não é mais su­fi­ci­ente. O papo é re­e­xistir mesmo. Sei de onde venho: sou das trovas do Ban­darra, dos cantos da Aru­anda, da pro­cura de Ivy-Maraê, da cer­teza do pas­seio do touro co­roado do Lençol bus­cando sair do de­serto de Al­cácer-Quibir, do pre­lúdio das ba­chi­anas no ro­dopio de Co­risco, da so­lução do mundo des­ve­lada no con­tra­canto do Pi­xin­guinha no Um a Zero. Daqui não saio, daqui nin­guém me tira.

É por isso que mes­si­a­ni­ca­mente me agarro, nas horas de de­ses­pero, na lem­brança de que na beira do abismo, pa­rido pelo ventre do navio que atra­vessou a ca­lunga gri­tando o triunfo da morte, al­guém so­bre­viveu e bateu um tambor; o mesmo que re­ver­berou um dia, afir­mando a vida e cus­pindo na cara do ca­pitão do mato, numa es­quina va­ga­bunda do Es­tácio.

Em re­sumo, nós somos um em­pre­en­di­mento es­cra­va­gista fo­dedor dos corpos ex­tre­ma­mente bem-su­ce­dido. Deu certo até hoje, com so­bras. A nossa chance é co­meçar a dar er­rado, como in­di­ví­duos e co­le­ti­vi­dade, com a maior ur­gência.

Luiz Antônio Simas é his­to­ri­ador e pro­fessor do en­sino médio. Autor de Di­ci­o­nário da His­tória So­cial do Samba, ao lado de Nei Lopes, ven­cedor do prêmio Ja­buti 2016 na ca­te­goria Te­oria/Crí­tica Li­te­rária, Di­ci­o­ná­rios e Gra­má­ticas

Ant

Fonte: Vermelho
 
+ Clipagem

Vladimir Safatle alerta para o fim do emprego - Nunca na história da República o Congresso Nacional votou uma lei tão contrária aos interesses da maioria do povo brasil

FRENTE EM DEFESA DA DIGNIDADE DO TRABALHO NO FACEBOOK - Colegas.A AGITRA INTEGRA INTEGRA ESTA FRENTE EM DEFESA DA DIGNIDADE DO TRABALHO E TEM SEDIADO AS REUNIÕES PREPARA

Terceirização: Anamatra lamenta aprovação de PL que libera a prática em todas as atividades e pede v - Em nota, entidade pede que presidente da República teve o PL nº 4302/1998 A Associação Nacional dos Magistrados da

Centrais e Ministério do Trabalho criam grupo para aprimorar projeto que altera legislação trabalhis - Em reunião nesta sexta-feira, 20, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, as seis centrais sindicais reconhecidas - CS

PEC 287/16: ANFIP e magistrados produzem nota conjunta contra reforma - O presidente da ANFIP, Vilson Antonio Romero, reuniu-se nesta quarta-feira (18), em Brasília, com representantes da Anam

+ Notícia

 
AGITRA - Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais do Trabalho
home | Fale Conosco | localização | convênios
Av. Mauá, 887, 6ºandar, Centro, Porto Alegre / RS - CEP: 90.010-110
Fones: (51) 3226-9733 ou 3227-1057 - E-mail: agitra@agitra.org.br