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O Talmude
04/12/2014

Para lá da Petrobras

Coluna - Janio de Freitas

A conexão da Lava Jato com a investigação suíça trará em 2015 um movimento incomum de pasmos e ruínas

É conveniente fazermos uma reserva de espanto, para consumo em futuro não muito distante. Assim como aos políticos convém poupar, para suspenses vindouros, o medo de envolvimento pessoal ou do seu grupo com subornos, superfaturamentos e licitações fraudadas. Não só na Petrobras, nem só na área federal.

É que a Suíça não tem exército convencional, mas tem uma tropa de promotores e investigadores que elabora, com matéria-prima desencavada em seus bancos e empresas internacionais, bombas e obuses de eficiência inigualável. Usá-los não era muito comum, dada a impossibilidade de evitar que estilhaços caiam sobre a própria Suíça, com danos financeiros e morais grandes. Os costumes mudam, porém. E a artilharia dos promotores suíços está mais voltada para o Brasil que se supunha.

Mesmo sobre o caso Petrobras a investigação suíça está muito mais adiantada do que o método de delação premiada adotado no Brasil. Há uma razão preliminar para isso. A delação induz muitos delatados a confissões ou delações, mas nunca há a certeza de até onde abriram o jogo. As delações produzem resultados, sim, mas encontram outra dificuldade depois das possíveis omissões: sem o acompanhamento de provas, têm valor duvidoso para as denúncias e julgamentos.

Já o uso da investigação alimenta-se da percepção de ramais para novas investigações, levando a aprofundamentos e alargamentos. Os três procuradores brasileiros que chegaram domingo da Suíça, onde conversaram sobre o caso Petrobras, sabem que viram e ouviram pouco em apenas quatro dias. Mas o suficiente para estarrecer quem os ouviu aqui, mesmo estando por dentro da Operação Lava Jato.

Por si só, a conexão da Lava Jato com a investigação suíça vai trazer nos primeiros meses do novo ano um movimento incomum de pasmos, ruínas e indignações. Mas não será tudo. Devem começar então as revelações de outros feitos de generosidade corruptora das grandes empreiteiras. E ainda não será tudo. Também promotores e investigadores holandeses, cuja ação relativa ao Brasil tardou a ser sabida aqui, com sua colaboração inicial já motivaram nove linhas de investigação e processos na Controladoria-Geral da União, sobre fraudes, subornos e superfaturamentos.

Os que estão a serviço da entrada forte de empreiteiras no Brasil, sobretudo americanas, têm material em abundância para a campanha que iniciam com discrição.

OUTRO

Ganha adesões influentes, entre intelectuais e artistas, a sugestão de que o jornalista e escritor Fernando Moraes seja o ministro da Cultura no novo governo. Contra Juca Ferreira --para não entrar em outros aspectos também consideráveis-- há o fato de que já esteve no cargo duas vezes: o ministro Gilberto Gil na verdade se chamava Juca Ferreira e, na exoneração do nome fantasia, Juca deu nome e rosto pessoais ao cargo.

O Ministério da Cultura é dos mais necessitados de uma reviravolta. Nas proporções em que Dilma Rousseff faz no Ministério da Fazenda, mas em sentido inverso. Até por ser um lugar para inteligência, criatividade e desenvolvimento humano.

Fonte: Folha de S. Paulo - 04/12/2014
 
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