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11/04/2014

Emprego deve ser o grande desafio da AL

Para o presidente do Banco Mundial, pessoas que saíram da pobreza extrema podem enfrentrar dificuldades no mercado de trabalho

AFP

A América Latina realizou com sucesso nos últimos anos programas de transferência de renda para retirar milhões de pessoas da pobreza extrema,mas agora enfrenta o desafio de criar empregos, avalia o presidente do Banco Mundial (BM), Jim Yong Kim. Na visão de Kim, "programas condicionais de transferência de renda" aplicados em países como Brasil e México têm sido "um grande sucesso" e "muito efetivos para retirar famílias, mulheres e crianças da pobreza". "Mas a próxima grande pergunta é como estes programas podem conduzir estas mulheres e famílias ao mercado de trabalho formal.

Então, a grande questão é a criação de empregos. E isto se aplica a toda América Latina", disse em Washington, durante a reunião semestral do Banco Mundial e do FMI. Kim citou especificamente o sucesso do programa brasileiro "Bolsa Família", assim como do mexicano "Oportunidades". O "Bolsa Família", que concede complementos de renda a 13,8 milhões de famílias, ajudou a tirar, segundo o governo, 36 milhões de brasileiro da pobreza extrema.

Como "Oportunidades", o governo mexicano coordena incentivos para a educação, saúde e nutrição das famílias mais pobres. Em países onde os programas de incentivos não foram aplicados ou onde os resultados ainda são incipientes, destacou Kim, deveria ser dada uma atenção especial à criação de "um ambiente empresarial onde o setor privado possa crescer e criar empregos". Um estudo do BM revela que "nas economias em desenvolvimento, mais de 90% de todos os postos de trabalho são criados no setor privado", lembrou.

"Quando há sucesso nos esforços para retirar as pessoas da pobreza é necessário concentrar-se em que elas consigam bons empregos para manter a nova situação". Na véspera, o Banco Mundial comentou que o lento crescimento esperado para as economias da América Latina este ano pode afetar o ritmo do avanço social que na última década tirou milhões de pessoas da pobreza na região. "Com o tipo de crescimento que estamos tendo nestes anos, não podemos manter o ritmo de progresso social que tivemos nos anos anteriores", afirmou o economista- chefe do Banco Mundial para a região, Augusto de la Torre.

Apesar de expressar preocupação pelo "estancamento do progresso", ele esclareceu que não espera uma reversão das melhorias sociais alcançadas, que, a seu ver, são permanentes. A América Latina desfrutou, na última década, de taxas de crescimento próximas a 5% em média, mas se desacelerou para 2,7% em 2013. Para 2014, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já anunciou que espera um recuo para 2,5%. Ainda mais prudente, o Banco Mundial prevê um crescimento de 2,3%.

De la Torre se referiu à "desaceleração no ritmo de progresso social que pode ser uma fonte importante de tensões sociais e políticas e que pode levar os líderes políticos a conduzir mal a economia". Na última década, 70 milhões de pessoas alcançaram a classe média na América Latina, mas as expectativas da população não foram sempre satisfeitas em relação à qualidade dos serviços públicos, educação, ou segurança. Segundo De la Torre, o quadro baixo de crescimento tornará ainda mais difícil para o governo responder a essas demandas em curto prazo e pode ser um caldo de cultivo para políticas populistas, que já se mostraram insustentáveis no passado.

"Quando surgem pressões sociais novas, às vezes, os líderes políticos se esquecem da macroeconomia e fazem políticas que tendem a ser mais populistas e, nesse processo, fragilizam a capacidade estabilizadora da economia", explicou o economista à imprensa, em paralelo às reuniões do Banco Mundial e do FMI esta semana em Washington. Em relatório divulgado na quarta-feira o Banco Mundial previu que o Brasil deverá crescer no máximo 2% este ano por não ter promovido reformas para impulsionar o crescimento, a poupança e os investimentos. O desempenho deverá ser pior do que o da América Latina e Caribe, que deve crescer 2,3% este ano, levemente abaixo dos 2,4% registrados em 2013.

Fonte: Brasil Econômico - 11/04/2014
 
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